Primeiro dia da primavera.
Eu acabara de sair do trem que me deixou na estação Primeira Flor. Cercado por árvores e mais árvores eu olhava para paisagem buscando vida humana.
A estação até que estava “bonitinha”, mas o resto não havia nada de tão especial. Paisagem natural e coisas do tipo não eram meu forte.
Um homem de chapéu coco se aproximou de mim, ele era baixinho por volta dos um metro e cinquenta e usava roupas chiques, um paletó vermelho e gravata borboleta amarela.
— O senhor é Inaho Raguna? — Ele perguntou com um tom sério.
— Sim. E o senhor seria? — Olhei para ele na retaguarda.
— Meu nome é Thomas e sou o prefeito de Silver Town. Vim te conduzir para o vilarejo.
— Entendi.
— É melhor irmos, pois estou com a agenda um pouco apertada. — Ele olhou para o relógio enquanto o seu tom estava um pouco orgulhoso demais para o meu gosto.
— Claro. — peguei minha mala – no caso somente a mochila - e o segui.
Há alguns meses eu recebi de meu pai uma carta deixada pelo meu falecido avô. Nela dizia que quando ele morresse a sua fazenda passaria para o nome de meu pai, agora, anos depois meu pai não pôde assumir por causa de seu trabalho na cidade grande, portanto ele me enviou em seu lugar.
Caso eu cuide muito bem da fazenda ele passará a fazenda para o meu nome, se eu falhar, ele assumirá em meu lugar. Porém estou nem aí para esse acordo, eu tinha acabado o colegial e queria fazer faculdade, mas esse acordo estúpido me mandou direto para cá, como poderia estar animado?
— Você parece desanimado Inaho. — As últimas palavras que eu queria ouvir no dia saíram da boca do prefeito.
— Só cansaço da cidade grande.
— Ah... Sabia que antes de me tornar prefeito eu era da cidade também. — Ele começou um falatório nada legal, eu continuei com aquela cara de tédio enquanto o respondia.
— Sério? O que fez você sair de lá?
— Meu pai. Eu tinha sua idade quando aconteceu. — Toda vez que o adulto começa a falar isso pode saber que não vai terminar tão cedo. — Eu era um jovem que sonhava ser um diretor de uma grande empresa, porém meu pai era o prefeito do vilarejo e disse que quando morresse eu teria que substituir seu lugar, então ele me aprisionou no vilarejo até que morresse. A primeira coisa que eu pensei foi sair dali o mais rápido possível, mas quando estava na estação passou pela minha cabeça todas as coisas que aprendi com meu pai, e uma era "sem prefeito sem ordem, a vila precisa de um, mas ninguém tem capacidade para isso", só quando estava a ponto de entrar no trem eu compreendi essas palavras, eu voltei para o vilarejo e assumi o lugar de meu pai. Sabe Inaho, eu nunca me arrependi por isso e acho que você também não se arrependerá.
— Hum... — Isso era para ser um sermão? Ou uma previsão do futuro? Tanto faz.
Caminhávamos numa trilha de terra, em nossa volta tudo estava coberto por grama e plantas rasteiras, as árvores bloqueavam grande parte da luz solar e os cantos dos pássaros mais as músicas dos insetos dava ao cenário um toque refrescante e relaxante.
Não era muito afim de coisas da natureza nem nada do tipo, mas naquele momento eu amei ver e escutar um cenário cheio de música e harmonia.
Porém minha felicidade durou muito pouco, a poucos metros nos deparamos com lobo selvagem cinzento. Seus olhos ardiam em sede de sangue e suas garras pareciam coçar para rasgar nossa pele, ele exalava medo e pavor.
CITEȘTI
Moonlight Harvest
FanfictionInaho Raguna é um jovem que acaba de se mudar para a fazenda do avô por obrigação do pai, lá ele vai aprender a cuidar de uma plantação e dos animais do campo. Ele não curte a ideia logo no início, porém seu passado e os habitantes mudam aos poucos...
