Domingo, 2 de abril de 2017

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De 10:48 da manhã, uma flor perdida boia pela água procurando um rumo para vida, igual a mim, buscando direções para prosseguir.
Às 10:49 o portão da casa de Amanda está escancarado, igual a verdade quando é gritada.
Entre 10:30 e 10:40 ouviu-se bravejos de trovões aqui perto. O céu parecia estar furioso.

A chuva cai, e eu gosto disso. É como se depois de tanto tempo sofrendo com a sobrecarga, finalmente conseguiu o alívio.
A chuva cai, e ela me traz esperança. Ela chora, igual a mim, quando me sinto perdida e sem saída. E a flor, que acompanha as águas que choraram até inundar as ruas, foi-se. Eu não sei se ela encontrou a direção certa, apenas foi-se e permitiu-se ser livre.
O portão da casa de Amanda escancarado, assim como o meu coração, mas essa hora às 11:17 ele já está fechado. E a chuva, mesmo fraca, continua a cair, porque sentimentos não se esvaem assim tão rápido.
11:29 os fios dos postes emaranhados. Confusão. Mental. Assemelham-se a minha bagunça, e eu particularmente sempre gostei de desfazer nós, isso me distrai, mas o ninho em minha cabeça me faz querer sumir, desses eu não gosto e nem consigo organizar.
11:31 A janela do quarto da mãe de Julhia está suja, igual aos nossos olhos. A sujeira às vezes embaça e impede a nossa visão. Acontece frequentemente quando não limpamos as nossas lentes, acredito que às vezes é só o conforto, é mais fácil enxergar as coisas distorcidas do que nítidas.
11:33 A chuva ainda cai, os vizinhos festejam; o meu palpite é que eles também acreditam que a chuva pode limpar tudo, até o que parece resistente. 
11:34 E eu sinto falta de casa, o que é estranho, porque ontem tudo o que eu mais queria era sair de casa. Nada nunca foi mais certo ou talvez errado do que isso. Porque na maioria das vezes a gente só sente falta quando não tem algo que já se teve antes.
11:35 Um pássaro passa despercebido, pois todos estão ocupados demais para prestar atenção em algo que não seja o próprio nariz.
Eu penso em você, não só agora às 11:36, eu penso em você e isso me enlouquece porque eu não sei, apenas não sei de nada e nada parece fazer sentido, igual as coisas que eu falo quando estou dormindo.
Por falar em coisas que eu falo quando estou dormindo, aqueles ruídos quase impossíveis de interpretar, acho que todos são uma espécie de pânico. Há relatos de que eu falo, grito e bato quando estou dormindo. Acho que é como um pânico, um pesadelo. Eu nem sei por que eu estou falando isso, para mim os momentos em que dormimos são íntimos, porque nós não temos tanto controle das nossas ações e sendo assim, fazemos o que nos dá vontade. Apenas por fazer.
11:40, Não há como saber se o amor existe se você jamais tentar amar, eu ouvi isso agora e faz todo o sentido.
A chuva ainda cai.
Por falar em cair, eu lembro das vezes em que me sinto em queda livre.
Apenas caindo e caindo e caindo
Sentido o vento me jogar para baixo e me derrubar
Como se eu fosse pesada demais para flutuar, mas eu lembro que sou apenas uma folha. Uma folha carregada.
E eu estou caindo e caindo e caindo
Por falar em chuva
Ela afoga o chão com suas mínimas gotas
Não só o chão, ela também me afoga
Em queda livre encontro o meu repouso
Talvez eu seja a flor que enfim encontrou a direção dela em meio a tanta água
Debaixo da água que afogou o chão
Nós nos encontramos

E pensar que tudo isso começou com a chuva
É por isso que eu sinto alívio quando o céu começa a chorar
Ele não simplesmente implode
Ele faz a chuva cair e ela nos dá a direção para a vida.
Tão frágil.

- Tárcyla Arruda

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⏰ Dernière mise à jour : Apr 03, 2017 ⏰

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