prólogo

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Cada manhã que vivo
neste orfanato é uma tortura para o meu ser, que agora se encontra lavando as privadas de um banheiro imundo. Minha realidade é essa; viver nesse lugar horrível e deplorável até os meus 19 anos.

Aliás, meu nome é Petrick e tenho 16 anos. No momento vivo nessa merda, graças a um acidente que me fez perder meus pais. Não posso culpar todos ali por serem ruins, até porque havia algumas pessoas gentis em meio àquele caos.

Dos poucos que falam comigo, e são amáveis, há Elí; uma senhora de 78 anos que cuida das refeições. Ela é quase um anjo de tão gentil. Tem os olhos quase sempre fechados por conta do sorriso estampado em sua face, mesmo assim, da para ver que são belos olhos e verdes; com alguns toques de castanho claro em torno da íris, que  lhe traz um olhar terno.

Os dias ali não são tão ruins quando a Diretora Sra. Hend não esta presente, pois alguns funcionários organizam alguns jogos e brincadeiras para descontrair o ambiente.

Ha alguns meses temos recebido uma franquia de pessoas que gostariam de adotar algum adolescente, mas para meu rotineiro azar, nenhum casal se quer cogita a ideia de me adotar. Provavelmente seja culpa da minha aparência um tanto estranha.

Meus olhos têm olheiras escuras, meu rosto se encontra bem pálido e eu bem dizer não tenho cor nenhuma em meu corpo, por conta da falta de sol a anos. Sou alto e magricela, mal daria para dizer que alimento bem, e a coisa que mais assusta os pais que vem ao orfanato é a cor âmbar de meus olhos que tem um aspecto sem vida.

Faz tempo que alguns homens solitários estão vindo adotar algumas meninas e meninos próximos aos 18 anos. Dizem eles que adotam adolescentes nessa faixa por precisarem de alguém que cuide da casa por conta do trabalho, ou para fazer companhia já que não teriam filhos vindos de si, mas eu sempre suspeito de todos aqueles que veem com sorrisos dóceis demais.

Por sorte, e pela minha aparência, nenhum desses se atreve sequer perguntar meu nome ou idade. Até que um dia, um homem que parecia gentil e sorridente começou a frequentar o orfanato. Nas primeiras vindas ele sequer percebeu minha existência até eu quebrar algo e ser punido na frente deste homem.

Nesse mesmo dia ele veio perguntar meu nome e idade, e como sou obrigado a responder, pelas regras do orfanato eu não posso nem questionar os visitantes, então respondi, tendo de volta o seu nome; que era Adam, e um sorriso agradável.

Era inevitável minha cara de nojo para cada palavra dita por aquele homem que tentava ser amigável, ele ser amigável não mudaria minha opinião sobre ele ser um possível estuprador ou uma pessoa que apenas quisesse um de nós como escravo.

Tudo só piorara quando recebi a notícia de que seria adotado.

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⏰ Last updated: Apr 01, 2017 ⏰

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