Como vocês se sentiriam ao saber que seus pais nunca te aceitariam?
Katy nunca se sentiu bem de verdade, tendo que fingir ser uma pessoa que não era. Fazendo tudo o que os pais a mandavam fazer. Um dia, depois de ter sofrido com isso por 7 anos da...
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- Chega! Para mim já deu tudo isso. Cansei de sempre fazer o que vocês querem. A vida é minha, e faço o que bem entender com ela. – gritei
Tarde da noite eu sempre discutia com meus pais e aquilo enchia o saco dos vizinhos, pois eles não conseguiam dormir.
- Katy, para com isso, nós somos seus pais exigimos respeito.
- Respeito? Já estou cansada disso.
- Filha, não acredito no que estou ouvindo.
- Pois acredite mãe. Eu cansei de sempre fazer o que vocês querem, de curtir as coisas só em família. Eu tenho amigos e vocês nunca deixaram eu me divertir com eles, e a minha vida, fica aonde?
- Amigos? Você é bissexual, e tem amigos?- perguntou meu pai se levantando do sofá
Nunca tive coragem para enfrentar o meu pai, mas eu já estava farta de tudo aquilo. Levantei do sofá e olhando-o nos olhos, respondi com firmeza: - Acorda pai, estamos no século vinte e um. Tenho amigos sim, e sou bem aceita por eles. E não me envergonho de nada. Aliás ...- falei lembrando de todas as vezes que tive que pular a janela do meu quarto-..amigos esses que eu só posso ver há muito custo.
Ele levantou a mão para me estapear, mas minha mãe segurou-o pelo braço, impedindo que tal agressão acontecesse.
- Você vai morar com sua tia e se afastar de todos os seus amigos. - ele disse apontando o dedo para mim - Já pode arrumar suas malas. Amanhã mesmo você vai embora e não vai mais voltar. Não quero nunca mais ter que olhar na tua cara, e não me chame de pai.
Eu já esperava que aquilo fosse acontecer, então não fiquei muito surpresa. Eu só queria mesmo é que eles entendessem que eu não conseguia ser diferente, apesar de já ter tentado muito.
- Vocês podem me mandar para o buraco que for, para a casa do caralho, mas nada vai mudar. - disse me retirando da sala - e não te ver pai, é um favor que o senhor me faz. - completei e me retirei. Ainda deu para ouvir minha mãe falando algo, mas não dei ouvidos, e segui até meu quarto.
Comecei a arrumar as malas, mas logo parei, pois tinha que avisar aos meus amigos que eu estava partindo. Entrei no skype, e lá estava a Lauren, sempre a minha espera.
- Que cara é essa Katy? E o que houve com seu quarto?
- Da pra ver, não é? - ela fez que sim com a cabeça.
- Parece que passou um furacão por aí.
- E passou. E ele se chama Caitlyn.
Elas riram juntas.
- Estou arrumando as malas.
- Por que? Aquele problema de novo?
- Sim. Só que dessa vez foi pior. Eu acabei enfrentando eles.
- Nossa, Katy. E quando você volta?
O quarto foi tomado por silêncio horrível. Pude ver lágrimas se formando nos olhos da Lauren, e aquilo me entristeceu muito. Me partia o coração vê-la chorando.
- Eu não volto, Lauren. - deixei para chorar depois - Bom. Eu liguei para que pudesse avisar aos outros.
- Pode deixar. Eu faço isso. - disse ela abafando o choro - Vou sentir sua falta, Katy.
- Eu também vou sentir muito a sua falta. Mas, a gente ainda se fala, okay?
- Okay. - respondeu com um sorriso sem graça
- Tchau. Tenho que ir, beijos.
- Beijos.
Não tinha visto minha mãe entrar no quarto, e me assustei com o barulho que a porta fez. Rapidamente desliguei o notebook e coloquei-o para carregar.
- Precisa de ajuda? - ela perguntou
- Não preciso de ajuda, me viro sozinha.
- Tem certeza? - insistiu
- Já disse que não,mãe. - falei levantando da cadeira e indo arrumar as malas
- Filha. Você não precisa fazer isso. Seu pai foi longe demais.
- Ah, mãe. Corta essa, vocês nunca vão me aceitar nessa casa. Eu prefiro ir embora e viver minha vida, do que ficar aqui sabendo que vocês não querem nem mais olhar para mim. Com vergonha de ter uma filha como eu.
- Katy.
Minha mãe ainda ia falar alguma coisa, mas eu a interrompi. -Acabou, mãe. Não precisa ter mais vergonha
Fui até a porta do quarto e fiz sinal para que ela saísse. Bati a porta com força, deixei que as lágrimas caíssem, continuei arrumando as coisas, e depois fui dormir.