1-Um homicídio em New York!

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Naquela manhã a cidade despertava agitada como era habitual,na verdade a velha e gigantesca capital do mundo nunca se quer chegara a fechar os olhos.apesar das pequenas gotas de água que caiam do céu cinzento tudo funcionava como numa manhã típica de Nova Iorque,milhões de pés marcavam passos pelas calçadas húmidas na cidade das oportunidades,rostos serenos,sorrisos radiantes ou olhares sonhadores,todos eles em busca de um sonho.

os táxis amarelados subiam e desciam entre os bairros dos distritos de South island,queens,Brooklin,Bronx e Manhattan,esse mais agitado como consequência da chuva que bombardeara aquele lado da cidade durante a madrugada fria.

Num velho edifício em algures de gramercy-midtown em Manhattan John Carter de frente ao enorme espelho da sala de estar tentava sem sucesso fazer o nó da gravata avermelhada,por incrível que possa parecer,lilly sua filha de oito anos, aproximou-se dele enquanto ele se agaixava, ela erguendo os calcanhares só com a ponta dos pés sobre o chão fez o que o pai levaria a manhã toda pra fazer.

-Obrigado meu anjo.-disse John que em seguida beijou os cabelos amarelos da filha.

-Parece que o senhor nunca aprende.-disse a menina com um sorriso no rosto que era a cópia da carinha da mãe.

-Não fales isso tão alto,não queremos que a tua mãe nos escute.-respondeu também entre sorrisos.

Da cozinha vinha um cheiro delicioso que aos poucos se espalhava pelo apartamento todo,era assim sempre que Tiffany entrava nela,com um avental sobre o corpo só de roupa de cama,suas mãos de fada descendente de pai italiano e mãe nova iorquina cozinhavam pra John durante os últimos dez anos,altura desde que se casaram.

John aproximou-se dela como o sol aproximando-se do mar num final de tarde e com as enormes mãos presas em sua cintura fina despediu-se dela com um intenso beijo em sua boca,tão intenso que em outra ocasião o convidaria a não mais deixá-la.

-Não devias tentar comer antes de sair?-perguntou a esposa com a habitual voz doce.

-Não vou a tempo querida,talvez eu volte na hora do almoço.-respondeu enquanto abria a porta já com a pasta preta colada a mão esquerda.

Seus passos apressados pelas calçadas de gremercy o levavam agora para um beco isolado entre bares e restaurantes a poucos minutos do gremercy Park,o rosto sereno e o cachecol cinza enrolado ao pescoço davam-lhe um aspeto mais próximo de um executivo do que propriamente um policial,ainda assim o sobretudo preto disfarçava a arma colada à cintura.enquanto caminhava,umas mil mensagens desciam em seu telemóvel que vibrava enterrado no bolso esquerdo da calça,era como se o mundo estivesse correndo perigo e só John poderia salvá-lo.

Chegando ao local desejado um forte aparato policial estava ali montado,as luzes vermelhas e azuis sobre os carros de patrulha e a tradicional fita amarelada a volta do local do crime.perfurou pela multidão curiosa exibindo seu distintivo."com licença" dizia educadamente "eu sou polícial,sim polícia de Nova Iorque"

-O que temos aqui?-perguntou para Hellen,sua parceira nos últimos dois anos.

-Incrível essa tua pontualidade.-respondeu-lhe de forma irônica a mulher de cabelos negros pele castanha e um metro e setenta de altura,vestia uma camisa cinza muito justa que deixava em evidência as definições dos seus seios erguidos.John em várias ocasiões lançava o olhar sobre eles,mas naquela manhã não o fizera.

-Se ligassem pra mim antes com certeza eu estaria aqui mais cedo-justificou.

Hellen limitou-se a sorrir e em seguida ordenou a um dos homens fardados ali presente que afastasse a multidão do local.

-não precisamos de plateia pra fazermos nosso trabalho-disse ela equilibrando-se em cima dos saltos pretos.John sempre se perguntava como ela conseguia calçar aquilo pra um trabalho de tanto risco.

No chão havia o corpo de um homem de aparentemente quarenta anos de idade que ao que tudo indicava fora morto na noite anterior,um rosto comum,cabelos negros,pele branca e um olhar triste que refletia o que havia sofrido instantes antes,as roupas molhadas sugeriam que talvez caísse sobre ele toda a chuva da madrugada,ainda assim estava bem arranjado.

John o observava detalhadamente com um dos joelhos beijando o chão.

-O fato é Armani,o relógio parece cartier.assalto é que isso não foi.-sugeriu.-temos alguma identificação?

-Eu não podia tocar em nada sem que você chegasse.-disse Hellen enquanto lhe entregava as luvas azuladas.

-Gosto quando você deixa o trabalho sujo pra mim.-afirmou com um sorriso no canto da boca.

Apesar do respeito pelo profissional a relação entre John e Hellen era uma salada de sentimentos,em alguns momentos menos formais a volta de uma mesa de bar notava-se a química existente entres eles,naqueles momentos em que suas línguas cansavam-se de falar e pareciam ansiar por algo mais,seus olhares mergulhavam um sobre o corpo do outro e suas mentes curiosas sentiam ter mil desejos por satisfazer,mas nada que passasse disso talvez só mera curiosidade pra os dois lados,minutos depois uma conversa forçada e um sorriso desajeitado sempre fizera parecer estar tudo bem,afinal, ambos eram casados e tentavam ao máximo respeitar seus companheiros.

-Temos aqui uma carteira com alguns dólares e vários documentos dentro.-afirmou John após colocá-la na pequena embalagem das evidências.

-Menos mal,poupa-nos o trabalho.

-E ao que parece além de bom gosto o nosso amigo tinha umas contas gordas também.

-Algo que nós não teremos tão cedo.-disse Hellen aproximando-se do cadáver.-parece coisa recente,mas não acho que tenha sido feita aqui.

-Provavelmente alguém jogou o corpo aqui aproveitando-se da chuva e do silêncio da madrugada.

-muito inteligente pra quem se livra de um corpo pela primeira vez.com certeza a chuva deu uma grande ajuda.

A vítima era Harry Miller,um conceituado advogado de quarenta e dois anos conhecido pela elite nova iorquina,destacava-se por ter feito fortuna com os casos mais badalados e também por se casar com a linda modelo Suzane Miller que era dez anos mais nova,dizia-se que o maior defeito de Harry era o gosto excessivo por sexo e que fora infiel com a esposa durante uma centena de vezes desde viagens com a assistente até a longas noites com prostitutas de luxo nos hotéis mais caros da cidade.

-Parece que o cadastro do senhor Miller não é tão limpinho como pensamos que fosse.-disse John já sentado na sua sala detrás da escrivaninha repleta de papéis enquanto mergulhava no sabor amargo de um copo de café.

-E como é possível que a gente nunca tenha ouvido falar desse homem?-debateu-se Hellen.

-Tu nunca precisaste de um advogado.

Ao que tudo indicava seria pra John mais um caso comum de homicídio,igual aos tantos outros que já resolvera durante os vários anos ao serviço do departamento de polícia de nova Iorque,o facto de se tratar de um advogado conceituado talvez fizesse com que a lista de suspeitos fosse maior,era impossível chegar ao nível de Harry Miller sem colecionar uns tantos inimigos.mas o que John não imaginava é que aquela manhã cinzenta de abril mudaria sua vida pra sempre.

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