Capítulo 1 - O Primeiro dia de aula

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Eram cinco e meia da manhã, o sol começava a se expor e iluminar a cidade do Rio de Janeiro. Sempre odiei essa cidade por fazer tanto calor logo de manhã! Parei de observar pela janela e fui me arrumar. Hoje era meu primeiro dia de aula na Deyse Vigotsky Andrade, uma escola que eu tinha acabado de ser transferido em pleno mês de abril e já chegaria para fazer o ultimo dia de prova. Por sorte, já tinha feito algumas na outra escola.

Eu saí do banho e coloquei aquele uniforme que eu odiava a camisa branca com um bolso no peito direito bordando DEVA em azul marinho, era só para saber que éramos da escola, porque o bolso só cabia o Riocard ou um celular pequeno. Peguei uma maçã e fui comendo indo para o ponto de ônibus com fone de ouvido.

- Maldito Rio de Janeiro, tomará que chova logo, odeio calor! – Era estranho, mas eu falo comigo mesma quando não tem ninguém por perto. Eu era a única no ponto de ônibus, parecia que era um Domingo em que todos dormiam até mais tarde – Finalmente! – Avistei o ônibus, dei sinal, entrei e sentei na ultima fileira porque era a única que não tinha ninguém na janela. Eu gosto de ficar na janela sentindo aquele vento no rosto e bagunçando meu cabelo castanho, embora depois eu ficasse bolada porque ele esta desarrumado.

Desci no ponto da minha escola. Atravessei uma pequena ponte levava até o outro lado da rua, a que a escola se encontrava. A escola era enorme, com um jardim bem cuidado e a logo da escola desenhando o topo do portão. Andei até o portão e mostrei minha carta de transferência para uma porteira loira que era quase do meu tamanho, meu básico um metro e sessenta e dois. Ela apontou para uma sala ao lado com a porta azul aberta, eu entrei. Estava em uma sala de espera com sofás azuis e uma câmera que pegava a sala inteira. Uma garota negra batia na outra porta da sala, uma porta que tinha escrito Secretaria.


- Oi, é aluna nova também? – Perguntei.

- Sou sim. Aquela loira mal educada me mandou vir pra cá. – Ela respondeu.

- Aquela diaba loira também nem falou comigo, só me mandou pra cá.

- Diaba loira? – Ela riu escandalosamente e secou uma lagrima do olho – Meu nome é Sabrina.

- Eu sou Micaela. – Apertamos as mãos.

- Esta em qual turma?

- Turma 112. E você?

- Uhuul eu também! – Ela bateu novamente na porta – Acho que essas mulheres acham que não temos mais nada para fazer!

- Sim? – Uma mulher gorda, loira, usando um vestido vermelho com colares de contas em torno do pescoço abriu a porta e perguntou.

- Oi, a porteira mandou virmos aqui. – Sabrina disse.

- Ah, são alunas novas! Dêem-me as suas cartas de transferências. – Ela pegou a carta da Sabrina, assinou e deu um sorriso... Um sorriso muito falso.

- Aqui – Eu dei minha carta á ela. Ela pegou a carta sem me olhar, assinou e me entregou. Seu sorriso falso não se mostrou, ela agora me lançou um olhar assustado quando olhou meus olhos. Odeio isso, quando as pessoas olham meus olhos ambar elas ficam meio hipnotizadas, não são tão vibrantes. Eles possuem a cor verde, um pouco de amarelo e ás vezes cores que eu mesma desconheço. Cansei dela. – Passar bem! – Puxei Sabrina pelo braço e fomos para nossa sala.

Entramos na sala de aula e nos sentamos, e como sempre acontece com alunos transferidos... Olharam-nos com aquele olhar de '' Carne nova no pedaço ''.

- Quem era aquela loira velha arrogante? – Perguntei á Sabrina.

- É a Jurandir, diretora. Eu soube quando fui confirmar a matricula com minha mãe. Ela é um anjo com os pais, mas o demônio com os alunos. Falsa – Respondeu.


- Oi, vocês são alunas novas né? – Perguntou uma garota de cabelos longos escuros, uma tiara rosa e o olhar superior – Eu sou Monique! Você tem namorado ou namorada? – Ela perguntou olhando para mim e ajeitando os seios dentro do sutiã.

- Não... – Respondo com estranheza. Já saquei tudo. Toda sala tem aquela garota mais rodada que biscoito na hora do intervalo, e era ela.
- Que bom... – Ela disse.

- Sai pra lá ridícula, dando em cima da garota? Ela mal chegou. – Uma garota negra careca chegou empurrando Monique. – Meu nome é Nathalia e não confie nessa garota, ela é palhaça! – Ela deu um tchau breve e foi zoar Monique de piriguete antes das duas caírem na risada.

- O que achou delas? – Sabrina me perguntou.

- Uma é bitch e a outra é brincalhona. – Respondo e abaixo os olhos para minha mesa que já estava com a prova de matemática. Droga! Sou péssima em matemática.

Olhei para Sabrina que cochichou '' Somos alunas novas, não podem nos dar zero! Escreve qualquer coisa ''. Assim eu fiz, virei à prova e escrevi '' Aluna nova '' com estrelas, luas e abaixo eu desenhei uma arvore grande sem folhas, mas com flores negras que pintei com minha caneta preta, um desenho um tanto quanto macabro. Quando terminei de desenhar, a professora de matemática que eu nem tinha visto entrar começou a recolher as provas. Ela era baixa, magrela, cabelos grisalhos e tinha um pescoço duas vezes maior que o normal. Deve ser para ver se os alunos estão colando, pensei. Quando ela passou para pegar minha prova, eu virei à prova de cabeça para baixo, os galhos com flores ficaram virados para mim e eu tive a impressão de ter lido a palavra ''Magia'' neles. A professora pegou minha prova com expressão de desdém, parecia que ela tinha comido limão, mas era minha prova em branco.

- Bela arte, péssima prova! – Ela me disse e continuou recolhendo as provas dos outros alunos.

- Obrigada! – Sempre tive o nível habitual do sarcasmo.

- Mica, Você é louca! – Sabrina me disse rindo.

- Deixa ela com esse cabelo seco dela, me da sede só de pensar no cabelo dela. Deserto do Saara habita no cabelo dela... Daqui a pouco vai acabar pegando fogo. – Desejei. No mesmo instante, a professora magrela saiu da sala correndo e gritando que seus cabelos estavam pegando fogo, e realmente estavam.

Os alunos correram atrás da professora, mas um inspetor já estava acionando o extintor de incêndio nela. Quando o fogo se extinguiu, ela se jogou ao chão chorando. Agora não havia nenhum fio de cabelo em sua cabeça, somente a pele com queimaduras fortes, ao ponto da pele estar descolando.- O que houve? – Perguntou um inspetor gordão.

- Ninguém sabe. O cabelo dela do nada pegou fogo! – Monique respondeu.

- Talvez ela tenha usado gel á base de álcool que se inflamou com o calor do Rio de Janeiro. – Nathalia disse rindo, sarcasmo também era o ponto forte dela.

- Foi bruxaria sua. – Sabrina me disse baixinho.

- Que nada. Foi coincidência. E se fosse mesmo bruxaria, eu jogaria uma agora em você. – Eu falei agitando as mãos nela e rindo – Qual é? Você acha que eu sou alguém de Hogwarts?

- Acho que você é algum descendente da Bonnie Bennet. – Sabrina riu e me puxou para o refeitório, antes de irmos pegar o ônibus para casa depois do primeiro dia de aula mais estranho da minha vida.

Dois dias se passaram e eu fiquei na escola sozinha, pois Sabrina não estava indo por algum motivo. Eu tentei ligar para ela, mas só dava caixa postal, até que á noite, meu celular finalmente tocou e era ela.

- Oi Sabrina! Ta tudo bem? Por que não esta indo para a escola? – Pergunto.

- É por que... – Ela começou com a voz fraca, antes de tossir – Pode avisar aos professores que vou passar um tempo sem ir? Mas tenho atestado médico.

- Atestado médico? O que você tem?

- Estou com dengue!

A Lua MágicaWhere stories live. Discover now