O Primeiro Encontro

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        O que para alguns era uma bênção, uma dádiva ou um dom, para ele era uma maldição. Todos vocês sabem a história de como o homem se transforma em fera na lua cheia, e essa não é muito diferente...


         Quando a lua se enche no céu estrelado e seu brilho ilumina a terra, a ira daquele homem toma a forma de uma besta. A dor é horrível e quase insuportável, ela é o motivo de seus gritos, choro, urros e enfim uivos, sua pele se rasga assim como seus músculos que crescem, seus ossos se deslocam, suas unhas tornam-se garras e seus dentes presas afiadas, seus olhos crescem e tornam-se mais sensíveis e aguçados, tal como seus ouvidos e todos os outros sentidos. A força é proveniente de sua ira, e a tristeza também o influência, no fim das contas ele é uma besta, e suas ações são quase sempre animalescas e impensáveis.

         A fera esta parada em silêncio, recuperando-se da dor da transformação, toda sua angústia e tristeza transformadas em raiva e transmutadas para aquela forma que refletia seu EU interior. Quando ele abriu os olhos, a primeira coisa que encarou foi a lua cheia e seu uivo ecoou por todo o lugar à quilômetros de distância, ele estava se comunicando com a deusa, mas ela provavelmente não podia ouvi-lo. Ensandecido e amaldiçoado, o antes homem e agora uma fera semelhante à um canídeo, corre pela mata em um ato inconsciente, dilacerando qualquer um que entrar em seu caminho, exceto ela...
Aquela mulher de cabelos e semblante curiosos, assim como ele, ela estava na mata, dançava para a lua e sua deusa como veio ao mundo, e não só sua beleza, mas o cheiro daquela fêmea atraiu a fera e de alguma maneira curiosa, ela o trouxe paz. Curioso mesmo era o fato dela não sentir medo, talvez a fé em sua deusa lhe desse essa segurança, mas assim como ele se aproximou curioso pela figura feminina à sua frente, ela o fez curiosa pelo animal...

           O homem despertou quando os primeiros raios de sol tocaram-no à face, irritando-o as vistas e quando estas se focaram na paisagem viu-se diante de uma bela cachoeira. Ele não se lembrava completamente da noite anterior, apenas um ou outro fragmento ainda vivo, inclusive ao deparar-se com a queda d'água uma de suas memórias se ascendeu e ele pôde se lembrar de ter visto aquela mulher dentro d'água.            Já de pé, o homem olhou em silêncio para os lados em busca de encontrar vestígios daquela curiosa e interessante mulher, além dos vestígios e provas em seu corpo... Ele precisava de algo mais, algo que o fizesse acreditar e ter mais confiança, e não apenas uma memória fragmentada, contudo bem lá no fundo do homem sabia... ele sabia que só voltaria a vê-la nas noites de lua cheia. 


 *Escrito através do celular às 4 horas da manhã no dia 09/01/2017  

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 *Escrito através do celular às 4 horas da manhã no dia 09/01/2017  

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⏰ Last updated: Feb 07, 2017 ⏰

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