Tentar ou desistir?

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O relógio marca seis horas da manhã, quando acordo assustada com o barulho do despertador e bato a cabeça no teto do beliche ao me levantar.
–Que ótimo, meu primeiro dia de aula e já tenho um galo na cabeça, affz –múrmuro reclamando– droga de cidade, de escola, de vida.
Eu era meio chatinha, mas não tinha culpa, a ausência de minha mãe me transformou em uma adolescente fria, mesmo eu não gostando do inverno, o frio vivia dentro de mim, para ser exata estava em meu coração que mais parecia um iceberg.
Depois de bater a cabeça e ver que não tinha formado um carroço como eu imaginava, levantei espreguiçando-me e esfregando meus olhos para me acostumar com a claridade, peguei uma toalha e fui tomar banho, demorei uns quinze minutos e logo em seguida fui escovar os dentes, depois coloquei um moletom, jeans escuros e o tênis, que como eu, estava desgastado por falta de cuidado.
Meu pai não estava em casa (não era novidade, vivia no bar com os amigos, nem lembrava que tinha uma filha, ou se esquecia de propósito). Fui até a cozinha e peguei algo pra comer, uma maçã para ser exata, pois como de costume meu pai esqueceu de fazer compras e, por isso não havia muitas escolhas, ou comia ou continuava com fome.
O dia e a semana passaram muito rápido, eu passei todo esse tempo sozinha, trancada em casa, meu pai decidiu me trancar para que não me aproximasse de pessoas maldosas ou que eu arrumasse um namorado.
-Droga de vida- diz soluçando- eu preciso fazer alguma coisa para pagar as contas e arrumar dinheiro para fugir daqui- conclui determinada.- Como vou me libertar dessa prisão?- começo a pensar- já sei! Vou procurar alguma coisa para derrubar a porta já que ele levou meu celular, depois o denuncio.
-Óbvio que nenhum filho teria coragem de denunciar seu próprio pai, mas comigo era diferente, ele nunca foi uma figura paterna pra mim. Não me ensinou a andar nem falar ( foi tia Nena que me ensinou a dar meus primeiros passos), e me deu apenas o necessário para que eu não morresse de fome nem frio, mas muitas vezes passei necessidade por falta de alimento na mesa. Harrison não era meu herói e nunca vai ser, está mais para um bandido de quinta, viciado em jogos de pôquer e sinuca, não posso o culpar, nem posso culpar minha mãe mas Deus poderia ter escrito uma história melhor pra mim. Tipo, minha mãe não podia ter morrido e meu pai podia ser honesto e carinhoso ( só em sonho para isso acontecer). Eu poderia estar repleta de amor e carinho se isso tivesse acontecido, mas não, estou aqui, trancada em um apartamento que cheira a mofo.
Andei pela casa toda, revirei cada canto a procura de algo para abrir a porta, até que achei algo familiar no canto da lavadora, sim, parecia ser um pé de cabra. Abri um sorriso iluminado quando o peguei na mão, então sai dali indo em direção a sala onde estava meu grande alvo, a porta.
Coloquei a ferramenta na dobradiça da porta e tentei arrombá-la. Não obtive sucesso pois, mesmo eu fazendo muita força não era o suficiente.
Entrei em desespero, meu plano estava dando errado.—droga! — exclamei.
Comecei a chorar e em meio as lágrimas me veio a esperança, agora estava convicta que ia dar certo. Então peguei novamente o pé de cabra e tentei arrombar a porta novamente, porém, do outro lado ouvi vozes, na verdade era uma voz, e de homem.
—Meu pai chegou! — falei assustada, na verdade aterrorizada.
Já tinha feito um bom estrago na porta e não sabia o que fazer, me esconder não podia, pois  ele iria me achar, cedo ou tarde.
Quando a maçaneta da porta girou eu fiquei paralisada, fechei meus olhos e só escutei os gritos. Sim, ele estava bêbado e me xingando.
— Sua vadia, tentando fugir né? Mas não vai, nunca! — falou gritando.
Suas palavras, mesmo gritadas saiam como um sussurro. Ele estava caindo sobre mim de tão tonto.
Me pegou pelos cabelos e puxou com força. Eu gritei. Foi a única coisa que me restou fazer. Harrison (Meu pai) me ergueu e me jogou contra a parede como se eu fosse uma pluma. Eu cai encostada na parede, minha coluna doía, na verdade a dor não era tanta quanto a do meu coração. Como um pai pode trancar a filha em casa impedindo-a de viver e como o mesmo pode a bater tão bruscamente?.
Harrison veio pra cima de mim, me deu vários socos e chutes até eu desmaiar {...}
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Se tem alguma sugestão ou crítica deixem nos comentários. Se estão gostando comentem também, vou gostar de saber! —Jocy Dutra.

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