Era um dia chuvoso em Goldenshire, eu via pela janela de casa pessoas correndo com pressa de sair da rua, carregavam seus materiais de trabalho e pesadas sacas de comida. Meu nome é Arthur Cooper Black,sou de uma família muito rica na cidade, que ficou famosa por construir utensílios para caça, o que tornou o trabalho dos caçadores muito mais fácil, eram tempos difíceis, e os animais que habitavam os arredores se tornaram essenciais para a sobrevivência, servindo de alimento. Eu moro na mansão da família Black, não é ruim, mais o tédio que a solidão do vasto quarto traz, às vezes traz também a vontade de sair e explorar todo o território de Kondor. Em alguns dias vai ser o meu aniversário de dezesseis anos, e apesar da idade, eu me sentia uma criança, pela forma como era tratado. Meu pai se chama Bernard Black, e minha mãe se chama Catherine Cooper, eles são os donos do negócio da família agora. Antes meu avô era o dono, ele quem teve a ideia de construir instrumentos de caça para os reinos, acabou falecendo no ano anterior, meu pai disse que ele morreu dormindo, que o coração dele parou simplesmente. Meu avô teve a ideia de começar esse negócio por causa do que havia na parte leste de Kondor, sua primeira motivação era a guerra, e a maior parte da produção era destinada as espadas e escudos. Meu pai já me falou sobre Narksin Script, ele disse que é muito arriscado por lá, que tem todo tipo de gente perigosa e o pior de tudo isso, o castelo do rei Solomon Crown, que comanda um exercito gigante de soldados de armaduras negras, seu braço direito e comandante chefe é chamado de Scar, o mais temido entre eles, meu pai disse que ele sozinho derrotou uma companhia de 20 homens, e que media duas vezes o seu tamanho. Os perigos fizeram meu avô se preocupar com o andamento dos conflitos. Mas depois que a situação de confronto passou, a família se ateu apenas à armas para captura de animais.
Meu pai costumava viajar bastante, ele era chamado de Bernard o Desbravador das Trevas, já tinha ido ao leste do Condado e voltado com vida, nos tempos mais conturbados, o que era um grande feito, pois era uma jornada perigosa para a época. Ele disse que isso foi bom para os negócios, pois as pessoas passaram a comprar ainda mais os utensílios de caça, agora sabendo que funcionavam na prática. No geral nossos instrumentos eram armadilhas de diferentes portes, arco e flechas, e as cordas mais resistentes de Kondor, mas o orgulho da família eram as espadas que nós fabricávamos para o exercito do Rei de Layest, Anthony Croft, a empresa tinha um ferreiro que trabalhava especialmente para nós, e em todas as armas ele colocava o brasão da família Black.
Anthony reina na parte Oeste, chamada por Layest, que é onde fica Goldenshire, o reino do Norte se chama Polum, o reino do Sul se chama Colden, e o temido reino do Leste se chama Summeria.
Embora eu nunca tivesse atravessado os portões da mansão, sabia bastante sobre Kondor. Eu tenho meu pai como professor. Mas ele estará ausente em breve, ele irá para o exterior, para fora dos territórios fronteiriços, explorar terras ainda mais remotas, situadas depois do grande mar. Para isso ele terá de ir a Summeria outra vez, lá tem o único porto de todos os quatro reinos, onde ele pretende alugar uma embarcação com tripulação, e isso no leste com certeza vai sair muito caro. Meus pais já discutiram diversas vezes sobre isso, e é claro que meu pai não deu ouvidos as reclamações da minha mãe. Meu pai era um homem valente,forte e determinado, e quando ele colocava um projeto na cabeça, não tinha ninguém que o fizesse esquecer.
A chuva já havia parado, e eu saí da beira da janela e corri para o jardim que ficava nos fundos da mansão, eu abri a porta e disparei pelo vasto campo arborizado, cercado por arbustos, flores, arvores e pássaros de diferentes espécies. Para uma pessoa que era confinada em casa, aquilo era como um paraíso. Eu fiz uma espécie de expedição pelo jardim, coletando diferentes tipos galhos, para que eu pudesse fazer uma pequena fogueira, e assar algumas lebres, minha mãe quem me ensinou isso. Acabei chegando à parte preferida de papai no jardim, o toco da arvore Saliman. Disse meu pai que aquela parte da arvore que sobreviveu guarda um segredo antigo, que é onde os maiores pensadores e escritores se sentavam para desenvolver suas histórias, e ele sempre senta nela para escrever em seu caderno de anotações. Eu sempre ficara curioso, mas apenas hoje eu pude ver, eu percebi que uma raiz do toco se ligava diretamente com outra arvore, então fui ver o teixo, a arvore era alta e o tronco era largo, não tinha como subir, então me sentei de costa pra ela, e ao usa-la como escoro,pude sentir, a arvore era oca. Apressei-me a bater calmamente no tronco com o punho fechado para confirmar minhas suspeitas, e era realmente vazia por dentro. Corri para os fundos da mansão, onde o meu pai guardava suas ferramentas e alguns instrumentos de caça que ele estava desenvolvendo, peguei um machado relativamente grande e voltei para o teixo, com cuidado para não ser visto pelos empregados. Chegando lá, comecei a tentar partir o tronco. Depois de algum tempo golpeando a arvore abri um buraco considerável nela, deixei o machado no chão e fui olhar o interior, mesmo estando escuro eu pude ver, era a espada mais espetacular que eu já havia visto, incrustada com safiras azuis e com uma lâmina imponente, o cabo de couro e o punho de ferro e prata, com mais pedras incrustadas. Apressei-me em tira-la de dentro da arvore, e ao sentir o minha mão envolver o cabo, tive uma sensação de liberdade e força,de que eu podia desbravar o condado sozinho, e que poderia lidar com qualquer um. Fiz algumas manobras desajeitadas, e ela era inexplicavelmente leve para um armamento tão imponente. Então ela fez uma coisa inesperada para uma espada comum, a lâmina começou a irradiar um brilho azul, de início fraco, mais ele aumentava progressivamente, iluminando toda a área ao meu redor, dando a impressão de ter irradiado o brilho azulado por todo o jardim. A luz se extinguiu por completo em um flash final, e eu ouvi uma voz atrás de mim, uma voz que eu reconheci.
-Muito bem. - Disse ele com os braços cruzados.
-Desculpe pai, mas eu fiquei curioso! É o teixo, o senhor tinha razão, havia algo de especial no toco de Saliman, essa espada! - Disse eu, levantando a espada no alto para que ele pudesse dar uma boa olhada nela.
-Eu já sabia filho, eu a coloquei ai. - Disse Bernard, andando até o toco cercado pela grama molhada. - Ela ia ser dada a você quando tivesse completado dezesseis anos, para que você pudesse começar um treinamento.
-Treinamento? Com que finalidade?
-No mundo existem muitos perigos filho, e vou preparar você pra enfrenta-los. - Disse ele bagunçando meus cabelos cacheados.
-Então vou poder sair? Além dos muros da mansão?
-Não vou mantê-lo preso aqui, mas para sair tem que estar pronto, ate aqui na parte oeste existem perigos. - Disse meu pai agora na minha frente e colocando a mão em meu ombro. - Venha comigo Arthur.
Caminhamos ate a sala de meu pai nos aposentos que ficavam no andar de cima, a sala do meu pai era ampla, com uma enorme porta de vidro que dava para uma varanda, virada para o jardim, mas a coisa mais chamativa na sua sala era o quadro que ficava na parede ao lado da lareira, um quadro enorme, um mapa de Kondor pintado com tinta óleo, cada região representada por uma cor diferente, Layest era cinza, Polum era preto, Colden era amarelo, e a temida Summeria estava em vermelho. Eu entrei e ele pediu que eu me sentasse.
- Muito bem Arthur me entregue à espada, vou guarda-la ate seu aniversário de dezesseis anos. - Disse estendendo a mão para mim.
-Sim pai, mas de que tipo de treinamento estamos falando aqui? - Perguntei entregando-lhe a espada enquanto ele a guardava em uma maleta preta de couro, que havia tirado de debaixo da escrivaninha de madeira.
-Vou levar você para fazer uma viagem por Kondor, ver do que é capaz. - Disse ele apontando para o seu gigantesco mapa, esboçando um sorriso em seguida.
-É verdade? Posso considerar isso uma promessa?- Disse com alegria, ele estava me prometendo o mundo lá fora, e isso era a coisa que eu mais desejava.
-Sim é verdade, estará forte e preparado para o trampo que é lá fora. – Disse ele, guardando a maleta em seu armário. – Agora vá dormir, seu pré-treinamento começa amanhã.
-Tipo, treinamento de combate?
-É isso aí mesmo! Agora vá dormir, quero você disposto amanhã. Vou odiar vencer você já sabendo que será fácil!
-Sim senhor, boa noite senhor. – Disse batendo continência e saindo pela porta em uma marcha desengonçada.
-Boa noite soldado. – Disse meu pai sentando em sua poltrona.
Eu entrei no meu quarto e me deitei depressa na cama, o sol já tinha desaparecido no horizonte, e a luz da lua iluminava a minha janela. Eu sentia que eu devia ter perguntado o que era o brilho azul da espada para o meu pai, mas ele com certeza sabia sobre aquela habilidade especial da espada, e deveria estar fazendo suspense pra mim, nada com que eu devesse me preocupar. Eu iria começar o meu treinamento, e estava ansioso pra isso. Seria um espadachim como meu pai, e também iria aprender a escalar como ele. Eu serei esforçado, e em pouco tempo vou estar pronto para sair, e perseguir todas as aventuras que Kondor pode oferecer.
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Os Caminhos do Frio
FantasyMuito tempo antes de Arthur encontrar a espada que mudaria sua vida, existiram forças titânicas que regiam a terra, forças ainda maiores que os exércitos da Summeria, de onde o rei Solomon Crown ameaçava começar uma guerra que faria todas as terras...
