- Me captura? – disse a modelo.
Faz sentido se o leitor imaginar a exata cena que essa pergunta ocorreu. Era um estúdio de fotografia ao ar livre. Era a praia de um resort nordestino. O trocadilho poderia ser infame já que sou fotógrafo. Não foi. E ela não estava brincando. A pergunta surgiu no meio da sessão de fotos para o catálogo da mais badalada revista dos mais badalados subúrbios do mundo.
E foi na segunda vez que a moça repetiu a pergunta que me peguei em um desespero doentio. Comecei a tirar fotos ainda melhores. A pele dela estava com a temperatura certa para a fotografia. Cores quentes. E eu teria de ser um profissional frio. E em uma praia. E com uma mulher linda. E com uma boca ainda mais linda. E com olhos ainda mais negros. Era eu quem estava quente.
Eu que nunca fui de violência comecei a considerar o sequestro. O ato de capturar com consentimento era o mesmo que pilotar uma verdade com argumentos. Era mais ou menos por essa trilha que eu teria que passar. Teria não. Não era obrigação. Mas era um muito obrigado. Encerrei o último clique da última foto no último minuto do penúltimo quarto de hora da tarde. Em alguns instantes a noite cairia. Logo em seguida eu cai.
Sem mais nem menos peguei a modelo pelo braço, roubei um beijo nada roubado. As mãos dela começaram a arrancar minha camisa. Na resistência involuntária da minha camisa, ela rasgou. Eu já não tive muita dificuldade em arrancá-la uma saída de praia e um biquíni minúsculo. Era de desamarrar. Eu é que inventei de dar sumiço na pouca roupa. Atravessei com a ponta da língua o bico do seio esquerdo dela. Caímos na areia quente. Ela enfiou a mão dentro da minha calça, tirou-o de dentro e apertou forte e macio, para cima e para baixo, algumas vezes sem parar, outras vezes parando para beijar, outras para só passar a língua mesmo. Eu lembro muito bem que a arremessei para frente, recuperei pelo braço direito, ela girou encaixando de costas em mim. Abracei com o braço direito passando pelo pescoço e com o braço esquerdo apertando os seios quase que como arrancando ainda mais roupas invisíveis. Daí foi ela quem começou a rebolar. Rebolando e gemendo, puxei seus cabelos pela nuca. Mandei que sentasse mais. Mandei que pulasse. Por toda vez que parava para respirar brindava com um tapa na cara ou na bunda. Até que depois, não sei por que, peguei-a pela cintura, levantei comigo, pus de joelhos na espreguiçadeira que, sabe-se lá como, apareceu por ali, e enfiei ainda mais. Tirava, enfiava forte e devagar. Muito forte e muito devagar. Até parar. E quando paramos, respiramos por vinte segundos. Atrás de nós, de frente para a praia, havia uma plateia de meia dúzia de casais, solteiros, tarados, feias e coisa e tal. Aplaudiram de pé. Pusemos nossas roupas, joguei minha camisa em seus ombros e saímos caminhando, devagar, pela faixa da areia, como se nada tivesse acontecido para os outros ou tudo tivesse acontecido para nós. Capturei.
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CAPTURA
RomanceNão há como fugir. Quando é para ser, será. Seja em público, no cinema, na praça, em uma festa de debutante ou em uma praia com o fotógrafo. E hoje, nesse calor, foi na praia mesmo.
