Miado.

67 16 21
                                        

Esta é uma história de uma garota chamada Ana, a caminho de casa, do colégio. Andando pela calçada, reparou-se nas crianças na rua cabisbaixas que olhava um gatinho morto na estrada.

- Coitadinho – Uma das crianças sussurrou. - Será que já morreu?

- A gente chama alguém ? – Perguntou a outra criança.

Ana ficou parada olhando o pequeno animalzinho caído no chão, algum automóvel poderia passar por cima do pobre animal, - ela pensou- . Não podia deixá-lo na rua.

- Certo – Disse Ana andando em direção do gato, pegando-o pelas mãos carregando até a calçada para que não passassem por cima dele.

- Garota, você irá nos ajudar? – Perguntou a criança olhando para o gato em suas mãos.

- Eu vou apenas tirá-lo da rua para que não passem sobre ele. – Disse ela.

- A gente agradece, moça. – Disse a outra criança aliviada.

Colocando o corpo sobre o chão do cimento, outras estudantes vinham de seu colégio, Ana percebeu que uma delas olhou para o animal morto com desprezo.

- Dizem que se você sentir dó, essas coisas acabam te atormentando há qualquer momento. – Disse a estudante olhando para Ana.

- Ah, já ouvir falar disso! – Disse a garota ao lado da estudante.

- Não liguem para o que elas dizem. – Sugeriu Ana.

- Obrigado. – Agradeceu a criança levando o gatinho até um terreno, começando a cavar um pequeno buraco de terra para colocá-lo.

- Até mais, garotos. – Disse Ana indo de volta ao seu percurso para casa. Chegando, na mesma noite... Ela havia esquecido do ocorrido, estava relaxada em seu quarto. Minutos se passaram e Ana imaginou ter ouvindo um som que parecia um miado de um gato. Dizem que sentir dó, essas coisas acabam te atormentando há qualquer momento. Ela se lembrou das palavras daquela estudante.

- Até parece que é verdade. – Disse Ana acreditando que tudo era mentira, logo teria que acorda cedo, então resolveu ir deitar. Deitada em sua cama, ao começar a pegar no sono. Miau... Miau. O som do miado fez ela abrir os olhos, outra vez , o miado vinha de algum lugar.

- Um gato de rua? – Pensou Ana. Ouviu-se o miado novamente, o som foi deixando-a cada vez mais apavorada, o miado aumentava assim como as batidas de seu coração. Sem dúvida, o miado vinha do cômodo em que estava. Tremendo, resolveu-se levantar, mas o seu corpo não a obedecia, estava paralisada pelo medo. O som foi ficando cada vez mais próximo de seus ouvidos. Até que de repente estava na orelha dela. Miau...Miau. Ana fechou os olhos, estava suando frio, começou a lamber a sua bochecha, ela arrepiou a ponto de não conseguir olhar o que estava ao seu lado. Seu corpo já paralisado se endurecia em mais medo. Seus olhos se contorcia para ver a presença que lambia sua cara. A sensação áspera da língua lhe passava o pensamento de que algo não estava certo.

- Tem uma coisa aqui. – Murmurou Ana tremendo com uma, duas, três lambidas em sua bochecha.

Quando seus olhos ficaram habituados à escuridão do seu quarto, o momento de inquietação veio àtona. O miado não partia do gato.


O gatoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora