Antes de mais nada é importante que vocês, meus caros leitores, saibam de uma coisa: assim como a história dos órfãos Baudelaire essa narrativa não terá um final feliz. Chego até mesmo a de forma um tanto clichê repetir os ditos de Sniket "é melhor olhar outra coisa mais feliz". Caso ainda assim seja seu desejo ouvir essa história então venha comigo para uma viagem de desgraça disfarçada por alguns momentos de alegria que começa 1943 em uma Itália marcada pela guerra e pelo nazifascismo.Lá temos como destaque mais uma das milhares de famílias judias que morreriam nos campos de concentração.
Antes da guerra os Weis eram membros da classe média alta e seus vizinhos os indicavam como "a família simpática que sempre estará disposta a ajudar". Levi Weis era seu patriarca um banqueiro dedicado que amava sua família tremendamente, sua esposa Danielle era uma mulher bondosa e uma excelente cozinheira e seus três filhos eram o orgulho dá família Davi o mais velho tinha vinte e dois anos e trabalhava no banco com o pai. Depois vinha Israel um jovem de dezoito anos doce e muito desejado pelas moças que havia começado a escrever uma saga de três livros bastante famosa (infelizmente o terceiro nunca saiu). Por fim vinha Maria, ela fora fruto de uma gravidez inesperada e por isso tinha apenas sete anos, mas já se mostrava uma menina doce e uma excelente pianista.
Infelizmente isso era antes da guerra, como você deve saber a Segunda Guerra Mundial foi uma das (senão a) era mais terrível da história humana, principalmente para judeus, como os Weis. Também é importante ressaltar que a Itália era um das maiores nações aliadas a Alemanha (basta ver de onde saiu o facismo da palavra nazifacista). Ou seja não era nada bom ser um judeu italiano naquela época.
Começou com pequenas proibições, coisas que atrapalhavam um pouco os namoricos de Israel ou as brincadeiras de Maria, mas não grandes o suficiente para fazê-los fugir do país ou mesmo protestar. Até que as pessoas passaram a se afastar os judeus.
-Mama, os pais da Reyna disseram que ela não pode mais brincar comigo. Eu tenho algum problema? - a pequena Maria disse, finalmente percebendo que todos fugiam de si.
-No, bambina- disse a mulher triste, para os Weis desde que sua pequena permanecesse inocente tudo estaria bem, mas mesmo isso eles estavam lhe tirando. -Eles são tolos e covardes, não é sua culpa.
-Mas eles não são os únicos mama, os pais da Hazel e do Nico fizeram a mesma coisa e a Rachel saiu do colégio.- ela disse triste e insistente.
-Eu não deveria dizer isso, mio preciosa, principalmente para alguém tão pura quanto você, mas estamos em tempos dificies. Eles estão apenas com medo.
-Tempos dificies?
-Sim, principalmente aos judeus. Eles só querem proteger seus filhos, por mais estúpido que isso seja.
-Mas... Vocês não vão me abandonar por esse medo né?
-Nunca.
-Promete?
-Prometo.
Essa promessa durou apenas até o fim do verão. E então os campos de concentração começaram e os Weis sentiram medo, ainda mais depois que Israel foi pego. Não tinha como proteger Davi ou mesmo se proteger então o casal só viu uma solução: mandar a filha para morar com uma tia no interior dos EUA (eles conheciam alguém que os arrumaria uma única vaga no barco).
-Mas, mama, você prometeu. -a criança disse chorosa fazendo o coração da mulher quebrar-se um pouco mais.
-Pequena, sua mãe não está quebrando nenhuma promessa. -o senhor Weis interviu.
-Ela disse que vocês nunca me abandonariam! Agora eu estou indo para a casa de um parente que eu nem conheço para um pais que eu nem sei a língua!
-Mas é temporário, vamos voltar para você. -ele disse e embora mais calma Maria ainda não parecia muito feliz.
-Irmãzinha, lembra dos nossos desafios e aventuras?-Davi perguntou tentando fazê-la se sentir melhor, ao passo que a garotinha só assentiu. -Isso é como uma. Você vai conhecer um lugar novo e inexplorado, fazer amigos que não vão te abandonar e se divertir depois você volta para casa cheia de histórias para contar.
-Sério? - ela disse encantada com o olhar iluminado.
-Sério. -Davi respondeu, diferente da irmã seu sorriso não tocava os olhos.
Foi com essa alegria que Maria Weis entrou no barco tão esperançosa quando sua família lá fora e imaginando aventuras fantásticas nos Estados Unidos. Infelizmente devo dizer essas alegrias e esperanças não se justificaram... ela encontrou coisas horríveis em sua viagem e seus pais nunca cumpriram a promessa.Mas isso é para o próximo capítulo, caso você ainda se julgue preparado para ler.
DU LIEST GERADE
The Gênius and Il Pianista
RomantikE como nos dias anteriores o teatro lotou, todos ansiosos para ouvir a música daquela talentosa pianista. Ninguém ali sabia realmente quem ela era ou sobre o que falavam suas músicas, tudo que sabiam era que elas eram lindas e despertavam sentimento...
