CAPÍTULO I

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     "Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender como nos tornamos refém desse tipo de situação."










Ele deu uma olhada para ela e
percebeu que ela era o tipo perfeito de problema:
uma boa garota que sabia exatamente quando ser má.
_Anônimo.






Nem só de homem viverá a mulher.

Centro-oeste do Oregon, EUA_8:35am

       Kate abriu o porta-malas do Chery Celer para pegar suas coisas. Um carro que ela tinha orgulho de ter conseguido comprar com apenas três meses de economia e que Anny estava proibida de dirigi-lo. O modo como ela pilotava demonstrava que não era diferente o modo como ela dirigia, de qualquer forma, Kate achava melhor não arriscar.
       Anny saiu do carro e pegou suas coisas e seu violão no banco de trás, mas parou no caminho de casa até a porta quando notou um Audi S3 Sedan Vossen fosco se aproximando e estacionando no jardim da frente da casa vizinha. Ela parou para observar quando notou um homem alto, bonito e de porte atlético saindo do carro, alguma coisa nele pareceu-lhe familiar. Ela não sabia se ele havia notado a presença dela por um segundo sequer, pois não fez nenhum meneio de cabeça na direção dela e estava usando óculos escuros, por isso não tinha certeza em que direção ele olhava. Ela nem percebeu que Kate se aproximava, estava absorta em observá-lo, mas ele ainda não havia notado que ela o
olhava fixamente, pois estava concentrado no material que havia tirado do banco do carona e que agora ocupava espaço em seus braços bem definidos: uma papelada de documentos e algumas pastas.
— É melhor fechar a boca, se não vai babar.
— Não é isso Kate,— eu tenho a impressão de que conheço ele._Ela virou-se.
— É provável, todas as mulheres daqui conhecem.
     Anny olhou para ela, incrédula.
— Não do jeito que você está pensando. Ele é médico, só isso.
— Hmm_ela semicerrou os olhos e olhou novamente para casa vizinha, mas ele já havia entrado. — Acho que devo ter esbarrado com ele no estacionamento do hospital há alguns dias atrás.
— Sorte sua_ela sorriu de um jeito que dizia em letras maiúsculas “SORTUDA”.
— É estranho. Porque que eu nunca vi ele por aqui antes?
— Hm mm. Que interesse repentino, Anny! Ele ficou uns meses fora, fazendo trabalhos filantrópicos ou algo do tipo, e você,_ela cogitou uns segundos antes de prosseguir— chegou a cidade só fazem três meses. É pouco temo para conhecer todo mundo, não acha?
—Tudo bem, mas não me trate como se eu fosse uma novata no colegial. Você sabe o quanto eu odeio isso.
—Okay, vamos entrar. Você precisa ir ao hospital hoje.

De novo? Eu já fui três vezes essa semana.
— De novo. E você vai quantas vezes forem necessárias até enfiar na cabeça que negligenciar o Dr. Willbert, não vai te ajudar em nada.
— Eu estou bem, na verdade estou seguindo a rotina de ensaios e de consultas no mesmo ritmo.
— Tem certeza?
— Sim.
— Mas você vai mesmo assim. Ele quer falar com você, parece que é algo sério e, dessa vez vamos no meu carro. Você pilota como um louca.
     Anny fez cara de menina emburrada, como fazia quando sua mãe a repreendia por fazer algo que ela sabia que era perigoso, mas ainda assim fazia. A fascinação por coisas arriscadas sempre esteve presente em seu espírito aventureiro.
       Ela colocou um vestido de tule branco e um cardigã bege. E depois de horas esperando Kate decidir como ia vestida; como faria para combinar um penteado com a roupa; vê-la trocar de roupa e ficar na frente do espelho indecisa, elas saíram. Kate não disse uma palavra sequer até chegar ao hospital, Anny sabia que aquele silêncio prenunciava alguma coisa. Ela quase sempre sabia o que ia acontecer com Anny antes mesmo de acontecer e na maioria das vezes fazia de tudo para que ela não escapasse das consultas, pois sabia que Anny tinha um caráter negligente, às vezes até infantil.
— Só para deixar claro, eu não vou assinar nada sem antes ler.
— Fique calma, Anny, não vai ter contrato nenhum.
— Ficar calma? Com você desse jeito, misteriosa? Alguma coisa estranha vocês estão tramando.
— Falando assim, até parece que somos seus inimigos te levando a
uma armadilha.
— Desculpa, eu não quis ofender.
— Tudo bem. Vamos subir.
    Willbert abriu um sorriso largo quando viu Anny entrar em sua sala, ele era o diretor clínico do hospital. Ela o encarou e depois olhou para Kate e percebeu o clima entre eles.
— Eu sabia que vocês tinham alguma coisa planejada. Vamos direto ao assunto!_Disse logo que se sentou.
— Você quer que eu seja direto? Então está bem! Eu não vou mais atendê-la de hoje em diante._Ele cruzou as mãos em cima da mesa e a observou como se esperasse alguma reação absurda da parte dela, mas ela não o fez.
    Anny sempre achou que o Dr. Willbert fizesse seu trabalho do modo certo, certo até demais. Isso a irritava. Ela sabia que precisava cuidar de sua saúde, mas ele não precisava deixar tudo mais chato.
— Eu não vou implorar por clemência!_Ela cruzou os braços e encarou a janela. — Se acha que sou um fardo para você, então que assim seja!
— Anny, você fala como uma puritana!_Ele sorriu. — Mas isso aqui não é o teatro, não precisa interpretar e fingir que não se importa. Além disso, eu preciso de umas férias com minha esposa.
— Eu me importo, você sabe. E sabe também que não vou aceitar tão
bem o próximo que tentar me analisar.
— Não é bem assim e tenho certeza que você vai gostar dele.
— Rm! _foi a resposta dela.
— O Dr. Hufgman. _Ele disse e Kate, que estava calada até o momento deixou escapar um silvo de surpresa e quase saltou da cadeira. Ela sabia que ele não iria mais atendê-la, mas não sabia que Roger o substituiria.
— Não o conheço. _Ela mentiu, porque na verdade ela já o havia visto.
— Você esbarrou com ele no corredor há quatro dias atrás.
— Só porque esbarrei com ele uma vez_ Ela indicou com o dedo, enfatizando — não quer dizer que o conheço.
— Tudo bem, você está chateada e eu entendo, mas se você não fosse tão...birrenta..._Ele balançou a cabeça. — Por favor, não desconte sua raiva nele, tente ser mais prudente com ele do que foi comigo.
— Ainda nos veremos, vou superar isso _Ela sorriu enfim. — E onde está ele, que não o vejo aqui?
— Eu dei a ele alguns dias de folga, depois que terminasse de analisar todas as fichas, é claro.
     Anny revirou os olhos, em sua mente já se formava uma imagem bem nítida do que havia escrito naqueles papéis.
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⏰ Letzte Aktualisierung: Jan 28, 2017 ⏰

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Anny _ A Troublesome GirlGeschichten, die süchtig machen. Entdecke jetzt