"Você nunca poderá sair desta terra!", essas palavras cortavam os pensamentos do rei, desde o dia da origem, Makzar nunca conseguira esquecer das palavras ditas a ele. Seus pensamentos se tornavam uma bagunça quando se lembrava do dia em que a maldição caiu sobre ele. Enquanto aproveitava o último gole de seu vinho tinto encarava as cortinas de seda escarlate, os ventos sopravam quentes como sempre, a beleza da sala do trono chamuscada fazia jus ao detentor das chamas de Guichin. Afinal, ele era um rei agora, como o pai sempre sonhara, poderoso e aterrador, o jovem sempre acreditou que o que governava era o medo.
- Se eu fosse bom tirariam proveito da minha bondade. - pensou alto, no mesmo momento que criava uma chama azul nos seus dedos. - Criado! - quase instantaneamente um velho barbudo vestido em roupas de mesmo tom que as cortinas apareceu.
- Sim meu dragão. - O senhor demonstrava respeito ao rei, o chamava de dragão para demonstrar devoção ao dono das chamas de Guichin ele representa o dragão, dragões eram criaturas lendárias até mesmo nas planícies, nunca se ouviu falar sobre um naquelas terras mas o rei representava aquelas criaturas, que assim como a chama azul que ele conjurava, o dragão era lendário e poderoso.
- Meu vinho! - Makzar ordenou em um alto tom de voz que ecoou por toda sala do trono, o senhor rapidamente se retirou e na mesma velocidade com que saiu retornou com uma taça do vinho favorito de seu senhor. - Está dispensado. - O senhor se afastou e fez uma reverência. O vinho cheirava extremamente bem e o cheiro daquele vinho tinha uma particularidade, lembrava do cheiro dos campos de uva de seu pai, seus pensamentos foram interrompidos quando a porta da sala foi aberta com imensa grosseria.
- Mak! - Um grito extremamente alto cortou a paz da sala do trono, o jovem rei tremeu de nervosismo e ansiedade, apenas o velho das barbas douradas o chamava por esse nome.
- O que desejas velho amigo? - Ele já imaginava para que o velho havia ido ao seu palácio mas precisava ter certeza. O senhor estava ofegante e seus olhos azuis brilhavam.
- Existe um jeito de você sair das planícies chamuscadas! - O velho exclamou com felicidade e seu tom de cansaço deu lugar a um sorriso medonho que foi capaz de assustar o jovem dragão. - Mate seus irmãos!Tome o espirito deles para si e serás o eterno rei de toda Guichin! - Makzar engoliu em seco, matar seus irmãos não era um ato nobre nem a atitude de um rei como ele mas era o único jeito de andar livremente pelas planícies de Guichin. - Inicie a guerra dos cinco! - O homem da barba dourada disse animado, cortando os pensamentos do rei mais uma vez.
Uma guerra é? Ele pensou consigo mesmo, derramar sangue para ter minha liberdade e me vingar daquele maldito anjo? Os pensamentos do mais novo dos reis ficavam cada vez mais sanguinários.
- Eu o farei. - ele respondeu após uma longa golada em seu vinho seco, o tom de desprezo de Makzar entregou que sua intenção era reduzir seus irmão a pó. - Matarei os quatro reis. - Ele completou com o mesmo tom de voz desprezível mas dessa vez seus olhos da cor do sangue encararam o sábio homem.
- Que assim seja, Mak. - O homem respondeu dando as costas mas antes que pudesse dar um passo o rei o chamou.
- Sábio, não posso deixar que saia daqui, se contar para um dos meus novos inimigos irei ter problemas. - Makzar completou a frase e com um sorriso de canto avançou para o velho e antes que o mesmo pudesse dar resposta a frase ou ataque seu corpo estava em chamas e a sala do trono também, o dragão se deliciou com o cheiro do corpo do velho queimando e assistindo sua barba dourada se tornar cinzas. Deu costas as cinzas dos velhos e chamou seu criado que rapidamente entrou na sala.
- Sim jovem dragão. - O senhor se curvou perante a ele.
- Prepare os homens de mais alto nível juntamente com os armamentos encantados com meu sangue, estamos de saída, partimos amanhã cedo e traga o cristal. - O rei ordenou com um sorriso doentio.
- Meu dragão, posso saber o que iremos fazer? - Seu criado sabia que com essa pergunta poderia morrer mas sua curiosidade o deixaria inquieto.
- Irá se chamar guerra dos cinco! Irei queimar meus irmãos, um a um. - O tom de voz do rei era de uma alegria imensa e podia-se sentir a ansiedade dele, o vinho havia derramado em suas roupas negras mas ele pouco se importou por mais vaidoso que fosse, sentou-se no trono e fechou os olhos para apreciar o cheiro das sedas queimadas e de sua sala como um todo.
O sol nasceu levemente alaranjado e fazia um ótimo contraste com as terras chamuscadas da planície das chamas, o rei se posicionou enfrente ao seleto número de soldados, um total de três homens e uma bela dama, um total de cinco controladores naturais do fogo os únicos daquelas terras, o cristal do rei estava em seu pescoço e brilhava em um tom de vermelho escuro. Esse era o cristal da vida, no qual Makzar selou sua alma para que a mesma não fosse consumida por aquelas terras amaldiçoadas.
- Nós iremos a guerra! Mataremos os quatro reis de Guichin! - Makzar gritou levantando sua espada curvada, uma espada negra, reforçada por rochas vulcânicas e encantada com seu sangue.
- Ao dragão eu tenho algo a dizer. - um dos homens disse com um tom de voz monótono e um sorriso de canto.
- Então diga! - O dragão respondeu impaciente.
- Se você é o dragão eu sou o demônio. - O homem disse com um sorriso de canto a canto e no mesmo momento tirou o capuz, seus olhos eram vermelhos e sua pele pálida como a neve, cabelos negros e longos completavam o rosto do homem. - Meu nome é Tsuru, eu gostaria de selar o espirito de seus cinco irmãos antes de mata-los.
- Você, insolente! Como ousa dirigir a palavra a mim desta maneira?! - Makzar pensou consigo mesmo "de cinco seremos quatro". - As chamas tomaram conta de seus olhos de novo e ele partiu para cima de Tsuru que apenas soltou uma risada, quando as chamas do rei chegaram perto do corpo do alvo o mesmo simplesmente as manipulou e lançou de volta para o rei, rapidamente o dragão as dispersou antes que pudesse ser ferido.
- Eu lhe disse, eu sou o demônio deixe-me realizar o meu desejo. - Ele continuava com seu sorriso doentio.
- Achei alguém capaz de desprezar minha força? Sou apenas um mero fazendeiro brincando de governar? - Makzar se questionava, enquanto tinha dificuldade de esconder sua expressão de espanto.
- E então, o que vai ser, jovem dragão? - Tsuru disse enquanto franzia o cenho e olhava fixamente para o rei.
- Que assim seja. Criado! - O rei continuava assustado mas desejou presentear o homem, não é qualquer um que pode dispersar as chamas do espirito do fogo de Guichin.
- Meu senhor? - o criado apareceu e também não conseguia esconder o espanto.
- Conjure a lâmina espiritual e entregue-a a este homem. - Ele falou isso tentando desviar-se do olhar de Tsuru. A espada foi conjurada e entregue ao pálido mago. - Essa espada é capaz de aprisionar até mesmo um demônio e lhe dar o poder do que for aprisionado nela. - Era uma bela arma curta, leve com uma lâmina fina e cintilante com algumas runas e um cristal encrustado em seu cabo, esse era o artefato que poderia garantir a liberdade a Tsuru, ele conseguiria se livrar de seu pacto com a filha do diabo e absorver seu poder, Tsuru não era idiota e sabia que deveria tomar cuidado com o rei, afinal aquela espada podia selar apenas dois espíritos ou dois demônios. Guardou a espada com um sorriso no rosto e colocou o capuz.
- Podemos partir? - Seu tom de voz continuava desprezível e arrogante.
- Vamos incinerar alguns reis! - O rei gritou e todos montaram seus cavalos, apenas Tsuru que conjurou seu próprio cavalo, ele era medonho esquelético mas se tinha algo que seus quatro novos companheiros sabiam era que cavalos conjurados são imortais e mais rápidos do que os normais por não se cansarem, Makzar estava se irritando, então tocou seu cavalo com sua bota e todos partiram atrás do dragão. - Nossa primeira parada será a planície nevada, a viagem é longa e no caminho existem trolls, se preparem para a guerra dos cinco!
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As planícies de Guichin: A guerra dos cinco
FantasySerá atualizado conforme o desenvolvimento da escrita. A história começa com os cinco reis e irmãos, filhos de um humilde camponês que sempre sonhou com uma terra prometida, após a morte do pai um anjo apareceu para os cinco recém órfãos e lhes ofer...
