Estava de noite, mas os céus não eram tão escuros como normalmente. Tinham uma coloração arroxeada e aquela floresta parecia ter luz própria. Não era tão clara como de dia mas não era tão escura. Havia dois homens que caminhavam por ela, um bastante alto e outro um tanto que baixo. Ambos usavam uma armadura de cobre mas o homem mais alto possuía uma espada guardada nas costas e outra presa em seu cinturão enquanto o homem mais baixo possuía uma espécie de foice presa às costas e comia uma maçã estranha, de cor azul.
- Não acredito que o Ancião nos mandou para cá. - disse o homem mais alto.
- Você já deveria estar acostumado, Jacob. - disse o homem mais baixo, jogando o restante da maçã azul fora.
- E você não deve ter notado - disse o homem mais alto, Jacob. - mas o Ancião sempre nos envia para vigiar os arredores das grandes cidades. Nunca pegamos uma tarefa de verdade como a de Friedrich. Ele arrancou os olhos daquele General de Aço quando ele tentou invadir a Cidade de Draco sozinho. Que imbecil.
- Pelo menos eu ajo como um futuro Mestre de verdade. Diferente de você, não fico resmungando de tudo. Faço o que eles mandam.
- Caesar, o comportado.
Um barulho vindo das árvores e dos arbustos fez com que Jacob e Caesar empunhassem suas armas enquanto se escondiam atrás de uma árvore para espiar o que gerava tal som. Eram aranhas, mas não aranhas normais, eram maiores que qualquer cachorro que você encontrasse por aí e eram pretas com umas manchas vermelhas. Elas se dirigiram a um lugar só, o que chamou a atenção de Jacob e Caesar.
Um menino de aproximadamente doze anos estava deitado no meio da floresta. Ele tinha manchas pretas como se tivesse saído de um incêndio. Tinha aparência humana e vestia uma camisa vermelha e um calção acinzentado. Claramente não vivia por ali. Não era território humano e sim território dos Protetores. Mas o que um garoto, além de humano, fazia ali ? Ele havia se perdido ? Dificilmente, já que o território humano ficava praticamente do outro lado de Serdrog.
- Droga ! - disse Caesar. - Precisamos salvá-lo !
- Ele é um humano ! - Acrescentou Jacob. - Não deveria estar aqui. Nossa tarefa é verificar se não há nada de errado na floresta.
- Isso não está errado o bastante ? - Caesar sorriu. - Com certeza o Ancião vai querer vê-lo e saber o porquê dele estar aqui.
Jacob suspirou e olhou para Caesar como se dissesse "Você tem razão" e os dois correram em direção às aranhas para que evitassem que matassem o garoto, se ele já não estivesse morto.
Jacob era tão ágil que em um segundo matou três das aranhas com um único golpe. Aparentemente suas lâminas além de cortarem criavam ondas que também cortavam, o que atingiu outras duas aranhas. Caesar balançou sua foice duas vezes, na primeira uma onda que tinha uma cor branca como a neve saiu em direção à duas aranhas e as congelaram na hora. A outra onda era laranja como o fogo e quando atingiu outras duas aranhas, elas pegaram fogo e ficaram correndo em círculos até que uma bateu na outra e elas caíram de costas mortas. A última aranha desceu de uma árvore em direção à Caesar mas, ainda no ar, nem sabia que já estava morta e a espada de Jacob cravada em seu rosto feio.
- Essa foi por pouco! - disse Caesar enquanto colocava o ouvido no peito do garoto. - Ele ainda está vivo. Coração batendo e respirando perfeitamente.
- Então... Vamos levá-lo.
Caesar pegou o garoto nos braços e num piscar de olhos, uma luz esverdeada saiu de suas costas até formar uma espécie de asa. Em Jacob também foi parecido, mas suas asas eram roxas como o céu daquela noite.
ČTEŠ
As Crônicas De Lefebvre - Tempos Amarelos
DobrodružnéNo reino de Serdrog, raças menores de dragões reaparecem após décadas. Quem tem mais dragões sobre seus domínios são considerados mais poderosos. Aaron é um aprendiz de magia em sua cidade flutuante Scandle que tenta dar início a sua Corrida de Drag...
