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Lizie

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    Era um bom dia, o sol brilhava enquanto as crianças corriam para um lado e para o outro com seus brinquedos no Central Park.
    Eduard lia um livro sentado em um dos bancos da movimentada praça, fazia caras e bocas como todo leitor que se prese faz.
    Então uma menina sentou ao seu lado e disse.
    - Esse é o Prisioneiro de Azkaban ?
    - É sim, você já leu? - perguntou Eduard.
    - Já li cinco vezes senhor. - disse ela sorrindo. - Não há nada a se fazer em uma cama de hospital.
    Ela era criança, mais ou menos oito anos, vestia um vestido Branco com flores e seus olhos azuis eram tão vivos que derretiam todos com um só toque.
    - O que fazia em um hospital senhorita...
    - Lizie, é que eu tenho câncer, no meu pulmão, bom, na verdade nos dois.
    Eduard a olhou novamente e se perdeu em seu olhar de felicidade.
    - Então gosta muito assim do livro? - perguntou Eduard.
    - Ah nem tanto, mas é o único que tenho.
    - Bom, gostaria de outro? - perguntou Eduard com entusiasmo.
    - Lizie, o que foi que disse sobre falar com estranhos? - gritou uma mulher sentada em outro banco da Praça.
    - Ah é mesmo, qual é o seu nome? - perguntou Lizie.
    - Eduard.
    - Mãe, esse é Eduard e Eduard, essa é a minha mãe Julie. - gritou Lizie para sua mãe.
    - Olá. - disse Julie se aproximando.
    - Olá. - respondeu Eduard.
    Eduard viu que Julie carregava muitas compras então ofereceu-se para ajudar.
    - Bom já estou devendo um livro a Lizie mesmo. - disse Eduard sorrindo.
    Então carregou as compras com Lizie e Julie.
    - Onde mora senhor Eduard? - perguntou Lizie.
    - Eu viajo o mundo inteiro então, basicamente em lugar nenhum e em todo lugar ao mesmo tempo.
    - Deve ser divertido. - Lizie soltou uma risadinha.
    Os três entraram em uma livraria grande e rústica no Centro da cidade, Lizie correu para a fileira dos livros de aventura e Eduard foi logo atrás junto à Julie.
    - A quanto tempo Lizie gosta de ler? - perguntou Eduard.
    - Dês de que descobrimos o câncer.
    Lizie se encantava e vibrava ao ver os livros de Harry potter, que com certeza eram seus preferidos.
    - Ela já leu vários mas, o único que ela tem é o do Harry. - disse Julie.
    Lizie pegou As relíquias da morte então entregou à Eduard.
    - Então vai ser esse? - perguntou ele.
    - Sim senhor.
    Eduard levou até o caixa então pagou o livro.
    Julie agradeceu e Eduard as levou para casa.
    - Senhor Eduard?
    - Sim Lizie.
    - Você pode me visitar no hospital amanhã se quiser, vou poder receber visita às duas horas.
    - Ah sim, eu vou lá, pode deixar.
    - Jura de mindinho? - perguntou Lizie estendendo o mindinho.
    Eduard riu e levantando o mindinho disse.
    - Juro de mindinho.
                     ++++
    No outro dia Eduard resolveu levar chocolate, então antes de ir ao hospital passou no mercado para comprar.
    Enquanto caçava a seção de doces encontrou Julie olhando os sorvetes.
    Eduard foi até lá e disse.
    - Olá, comprando sorvete para a Lizie?
    Eduard percebeu que na verdade Julie estava chorando, em sua mão estava um pote de chocolate e na outra um de morango.
    - Aconteceu alguma coisa Julie? Lizie está bem?
    - O doutor disse que piorou, disse que ela tem mais dois dias. - disse Julie entre um soluço e outro.
    - Oh meu Deus.
    - Ela disse que de último desejo queria sorvete, mas eu não sei qual ela quer. - Julie caiu em prantos.
    Eduard a abraçou e disse.
    - Pode chorar, vai se sentir melhor.
    Eles ficaram assim por alguns minutos.
    - Que tal levar o de morango e eu o de chocolate? - disse Eduard.
    - Tudo bem.
    À caminho do hospital Julie rompeu o silêncio.
    - Muito obrigado por tudo que está fazendo, Lizie não tem amigos de escola porque nunca se enturmou, que bom que vai receber uma visita.
    - Ela é uma menina muito especial, precisava ir.
    Os dois andaram em silêncio até o hospital, foram direto ao quarto da Lizie, os médicos já não estavam mais lá e ela lia o livro que ganhara.
    - Toc toc. - disse Eduard, que foi recebido com um sorriso enorme e feliz.
    - Você veio, achei que não viria mas veio.
    - Mindinho lembra? - Eduard levantou o mindinho e sorriu.
    Eduard a abraçou e sentiu seu pequeno coração bater forte. Eles comeram os sorvetes e descobriram que Lizie gosta mais de morango, ela comia enquanto fechava os olhos e dizia "hm".
    Sua alegria era contagiante, enquanto sorria e brincava demonstrava seu lindo e delicado sorriso. As vezes parava e olhava para Eduard certificando-se de que ele ainda estivesse ali.
    Até que Eduard se levantou e sentou-se ao ladoda cama.
    - Preciso te contar um segredo de amigo. - disse ele.
    - Pode contar. - respondeu ela sussurrando.
    - Eu tenho um poder mágico, e posso te conceder um desejo.
    Lizia abriu sua boca surpresa e disse.
    - Como uma fada?
    - Sim, como uma fada. - Eduard soltou um risinho. - Eu posso te realizar um desejo.
    - Posso pedir o que eu quiser?
    - Pode sim.
    - Pode tirar o câncer da Lizie? - perguntou Julie.
    Eduard se virou para ela e disse.
    - Posso sim, você acredita?
    - Acredito!
    - Então peça.
    - Eu desejo que tire todo o câncer da Lizie.
    - Seu desejo, é uma ordem.
    Então uma luz irradiou de Lizie e Julie sorriu e correu para abraça-la, abraçou-a tão forte que pode sentir sua felicidade.
    Depois abraçou Eduard o agradescendo. Quando Eduard finalmente foi embora Lizie lhe disse.
    - Me deve um desejo.
    Ele riu e a beijou na bochecha.
                     ++++
    Já havia se passado um mês dês do último desejo realizado, Eduard já estava igual a um homem de trinta e nove anos e andava pela rua sem pressa para lugar nenhum, chegando perto do Central Park escutou alguém gritando seu nome.
    Era Lizie do outro lado da rua, via-se claramente que seus cabelos estavam crescendo, era tão linda ao sol que brilhava vivendo cada vez mais sua alegria. Foi gratificante para Eduard ver a vida que salvou e ver novamente a alegria que nunca foi tirada de Lizie.
    Ela sorria com uma felicidade mais vibrante por ver Eduard, Lizie gritou.
    - Já sei oque vou desejar, me deve um desejo senhor Eduard. - falou Lizie correndo para abraçar Eduard, suas risadinhas infantis e tão fofas quanto ela vinham a seguindo.
    Mas antes de Lizie chegar em Eduard um carro que estava passando na hora em alta velocidade, cujo motorista já não dormia a dias devido o trabalho e não viu uma menininha de vestido amarelo atravessar a rua.
    A pancada foi forte e o carro capotou e foi parar dentro da Central Park, Lizie caiu no meio da rua e por um instante a terra parou, parou para todos os sentimentos ligados à tristeza se reunirem em Eduard e Julie.
    Os dois correram até ela, já não ouvindo mais nada além do som de seus batimentos.
    Julie gritava sem som ao ver todo o sangue pelo chão, Eduard chorava com Lizie em seus braços.
    - Traz ela de volta, traz ela de volta. - gritou Julie.
    - Não posso, não é assim que funciona.
    - Eu desejo que ela viva, por favor Eduard. - gritava Julie. - Eu desejo, desejo, desejo.
    - Você já gastou o seu desejo, eu não consigo realizar esse.
    - Faz alguma coisa, alguém, Por favor, por favor, alguém. - gritava Julie.
    - Por favor, volta, eu desejo, por favor não morre Lizie. - falava Eduard chorando.
    Mas ele não podia realizar seus desejos, nem fazer mágica, era apenas um gênio inultiu.
    - Alguém, por favor. - gritava Julie. - Me ajudem, por favor.
    - Lizie, não.
    Mas a vida já havia a deixado, e a felicidade não estava mais em seu sorriso, nem o azul em seus olhos, apenas a Lizie, ensanguentada e sem poder realizar seu último desejo.

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⏰ Last updated: Jan 18, 2017 ⏰

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