1 - Batendo nas portas do Céu

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1 – Batendo na porta do Céu.

Étienne pousou a caneta sobre o caderno e olhou para as pessoas que andavam apressadas pelo parque. Ele detestava todo esse movimento. A calmaria era tão certeira para ele. Que se pudesse a exalaria para todos ao redor. Fazia dois dias desde que ele se viu no deserto. E o vira. Os olhos azuis faiscando no desconcertante calor.

Ele empunhava uma arma grande – parecia uma metralhadora. Um soldado. E ele o viu. Mas Étienne estava na sala do pequeno apartamento tentando escrever mais um de seus poemas tristonhos.

E de repente estava lá. Os pés sobre a areia quente, o caderno nas mãos e em pé num lugar que ele não conhecia. Parecia um sonho realista demais. O rapaz o encarou de forma exasperada. Então Étienne estava no segundo seguinte de volta a sua sala.

Mas sem entender totalmente o que tinha sido aquilo, viu seus pés sujos da areia branca e quase teve um ataque do coração. E agora desde então tentava descrever o encontro. As palavras iam e vinham e sempre paravam na imensidão azul que eram os olhos dele.

— Que lugar lindo — disse alguém.

Étienne virou o rosto e viu uma garota sentada ao lado dele. Ela tinha milhares de tranças fininhas recheando seu cabelo preto que iam até quase na metade das costas e estava com uniforme de enfermeira. Era azul e em seu crachá estava o nome de Sarah.

— É — falou Étienne fechando o caderno. O Central Park estava excepcionalmente cheio hoje. Ele sempre procurava os lugares mais isolados para poder se concentrar. Mas ali, sempre estava cheio de gente.

— Onde estou? — perguntou a enfermeira. Ela tinha a pele chocolate e olhos castanhos bem vívidos.

— Onde está? — Étienne franziu o cenho sem entender.

— Sim, onde estou? — perguntou ela novamente olhando tudo ao redor de uma forma bem maravilhada.

— Ah... Você está no Central Park! — respondeu Étienne.

— Nova York? — a garota se virou para ele com um enorme sorriso no rosto.

— Acho que sim — disse Étienne. — Não conheço outra cidade com um parque com esse nome...

— Só posso estar sonhando mesmo — ela se recostou no banco e inspirou profundamente.

— Acho que não está — Étienne a encarou confuso. Ela só podia estar ficando maluca.

— Claro que estou — ela insistiu. — Depois de um plantão de doze horas, eu devo ter cochilado num dos quartos.

— Está perdida? — Étienne perguntou.

— No meu sonho?

— Isso não é um sonho! Você me parece bem acordada. Fora que eu não sei por que eu iria aparecer no seu sonho!

— Tem que ser um sonho — Sarah a enfermeira olhou para Étienne já assustada. Duas senhoras passaram em frente a eles e olharam para Étienne com uma expressão curiosa e perplexa. — Estou no hospital ainda...

— Que hospital? Você é sonâmbula? — perguntou Étienne já pensando em se levantar e seguir para longe dessa garota.

— Cleópatra Hospital! — respondeu a garota.

Reverse  - Livro 1Where stories live. Discover now