Há coisas que afundam nossos próprios crimes

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Margareth acordou mais um dia na Califórnia com os filhos ao seu lado, e o marido trabalhando em uma empresa em Brasília, logo ele voltaria para as férias.
Os jornais avisavam mais uma vez que não podia sair de casa sem a nova fórmula dos protetores solares. A mulher se queixava da água que demorava filtrar, já que o sistema de 2050 era rentável ter o próprio aparelho de transformação de água do mar em água potável ou até mesmo a tirar parte dos resíduos poluentes para o próprio consumo.
Naquela época, todo o mar já tinha uma coloração escura, os peixes boiavam pela superfície deste, as algas morriam e grande parte do habitat natural da Terra estava se perdendo, a água já tinha envolto consigo 45% dos territórios terrestres, e o único país que faltava, da América do Sul, a ser coberto por água, fora a parte central do Brasil.
Margareth chamou o filho mais novo, Thomas, 08 anos, para o café da manhã, e Caleb, 15 anos, já havia se  levantado para tomar banho, eles utilizam um recurso proveniente do governo, em que se banhavam com água do mar, porém não poluída.
O dia estava quente, como todos os outros, já haviam muitas mortes de crianças na época, e logo o governo proibira de ter filhos para o bem deles mesmos. Margareth decidiu sair com os filhos para a casa da tia, ao lado, e logo antes de desligar a televisão, vem a notícia que a radiação aumentaria ao extremo naquele dia. E nesse mesmo instante ela escuta alguém bater na porta de sua casa, era Arnold, seu chefe -ela trabalhava para um departamento de bens para a humanidade, em que buscavam a sobrevivência da raça humana.

— Arnold?! O que você faz aqui?

— Eu vim falar com você, sobre a humanidade.

— Mas, por que eles estão aqui? -Falou ela apontando para dois homens de terno que faziam parte da firma.

— Eles vão nos ajudar!

— Com o quê?

— Marg -Começou ele -Eu e Alex viemos trabalhando em um projeto muito eficiente para a nossa sobrevivência.

— Por que não me constataram? Eu também faço parte do conselho!

— Você não ia deixar!

— Por que não?

Ela então percebe que aqueles dois homens que viera com ele não estava mais lá, só escutou o grito de Thomas evacuar pela casa, ela então tenta correr e sente uma pontada nas costas, e cai no chão, um tranquilizante, Arnold logo a pega nos braços e ela vê os seus dois filhos sendo arrastados, mortos, para fora da casa, e antes mesmo de fechar os olhos, ela fala:

— Nossa instituição é pra ajudar a sobrevivência... -Falou ela gaguejando

— Por isso mesmo, Marg, nós procuramos a sobrevivência, mas é a sobrevivência da raça humana. -Ela então fecha os olhos.

***

Uma luz batia nos olhos de Margareth,  e então os abre por completo, e logo sente pisar em um chão oco e metálico, ela vê Arnold a sua frente.

— Onde estão meus filhos?

— Eles estão mortos, Marg.

Seu punho bate com um frenesi na face dele, até que os guardas a pega e segura ambos braços.

— Por que você fez isso? Eu os amava, eu amava você, eles te amavam!

— Eu sei! Mas nós precisávamos de menos pessoas aqui, não há muito espaço, muito menos oxigênio.

— Onde nós estamos, Arnold?

— Nós estamos em casa, Marg.

— Onde? Eu não acredito que você fez isso conosco!

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⏰ Última actualización: Jan 10, 2017 ⏰

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Centopy: o refúgio da humanidadeDonde viven las historias. Descúbrelo ahora