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FIM DAS AULAS

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23\11/2015

Pedro encostou-se no muro da escola, mexendo no celular enquanto esperava o sinal tocar. Seu cabelo castanho-escuro estava arrumado em um topete e a pele clara refletia o sol quente daquela manhã no Rio.

- Passa o celular aí, mano - disse uma voz atrás dele.

Pedro ergueu os olhos e relaxou ao ver o amigo.

- Ah, é você, Samuel.

Os dois se cumprimentaram. Samuel tinha o cabelo preto, curto, uma barba rala e a mesma pele clara do amigo.

- E aí, qual é a boa de hoje?

perguntou Samuel.
Pedro deu de ombros.

- O mesmo de sempre. Tô ajudando meu pai na oficina. Nada muda. E você?

Samuel deu um sorriso de canto.

- Eu só quero acabar logo a escola e sumir por aí, sem rumo, sem hora pra voltar.

Pedro riu da sinceridade do amigo, mas logo desviou o olhar: uma menina de cabelos castanho-claros e pele clara passava por eles. Samuel não perdeu tempo.

- E aí, Julha, será que eu tenho chance?

A garota lançou um olhar sério e respondeu na lata.

- Sai fora, Samuel. Vê se se enxerga.

Ela entrou pela porta da escola, deixando os dois pra trás. Pedro caiu na risada.

- Xiii, tá mal na fita, hein?

Samuel ajeitou a mochila, fingindo confiança.

- Anota aí, um dia ainda vou conquistar ela.

Pedro deu um tapinha no ombro dele.

- Aham... sei.

O sinal tocou, obrigando os dois a entrar.
As três primeiras aulas passaram rápido, até que o intervalo chegou. Quando os alunos começaram a sair da sala, um loiro de pele clara tentou segurar uma garota pelo braço.

- Amor, não fica assim...

disse Rafael.
Camila se soltou, irritada.

- Me dá um tempo, Rafael! Nossa!

Ela saiu batendo o pé. Rafael suspirou e se juntou a Pedro e Samuel.

- Ih, tua mina tá brava, hein?

comentou Samuel.

- Pois é. Eu tento resolver, mas parece que só piora

respondeu Rafael.
Samuel abriu um sorriso convencido.

- Relaxa, o rei das mulheres vai te ajudar.

Pedro riu.

- Sério? Quero ver.

Enquanto caminhavam até o pátio, Rafael observava, curioso. Samuel então parou diante de uma menina de pele morena, cabelos negros e cacheados, e olhos castanhos.

- E aí, gata... não sou Itaú, mas sou feito pra você.

A resposta veio na hora: um tapa na cara. Pedro e Rafael caíram na gargalhada enquanto Samuel voltava, com a mão no rosto.

- Sério, não teve graça

reclamou ele.

- Teve sim!

riu Rafael, ainda se segurando.
Pedro, por sua vez, olhava diferente para a  garota de cabelos vermelhos do lado da morena.

- Ei... quem é ela?

- Ah, aquela é a Roberta. Nova aqui na escola

explicou Rafael.
Pedro ficou encarando, e Rafael logo percebeu.

- Ih, tá afim dela, né?

Pedro deu um meio sorriso.

- Talvez.

- Então vai lá, canta ela. Quem sabe ela é feita pra você?

incentivou Rafael.
Os dois riram e seguiram para a fila da cantina, que estava lotada como a 25 de Março em dia de promoção. O intervalo passou rápido e, já na penúltima aula, o professor fez um anúncio:

- Atenção, turma. As aulas estão terminando, então amanhã e depois teremos prova.

Camila, sentada no fundo, cochichou para Julha:

- Nossa, quero entrar de férias logo. Não aguento mais.

Julha se inclinou para ela.

- E você e o Rafael, como estão?

Camila bufou.

- Mal. Ele anda bebendo, pega o carro do pai e sai com os amigos. Vive em lugares cheios de mulher.

- Que ciúmes é esse? Relaxa, ele não vai te trair

disse Julha.
Camila respondeu atravessado.

- E você tem namorado pra saber? Não, né.

- Ei, silêncio aí atrás!

interrompeu o professor.
Julha revirou os olhos e cochichou baixinho.

- Credo...

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