Ray, Ray... os deuses estão chegando, o mundo precisa de você! Ray... os deuses estão chegando...
- Deuses estão chegando? Mas onde eu estou? o mundo já foi perdido eu não posso fazer nada a respeito.
- Levante, pois você é o escolhido para tirar o mundo daqueles que o destruíram e moldaram da forma que bem desejaram. É o escolhido para achar a alma santa que possui o sangue que libertará o mundo das correntes que o aprisionam.
-Você fala como se tivesse alguma autoridade sobre mim. Devo confiar em alguém que nem mesmo me disse seu nome?
- Eu sou mais velho que o próprio tempo. Tudo que você conhece, eu estava lá quando foi criado. Até os seus deuses que você venera, foi eu que os criei. Porém, eles sucumbiram o mal e destruíram a humanidade. Os poucos sobreviventes são obrigados a se esconder nas sombras, a espera do dia em que eu levantarei os três reis escolhidos pra tomar a terra de volta.
- Então é você o responsável pela criação dos três reis. Quando eu era pequeno, eu sentava com os meus pais, esperando todas as tardes os reis da nova terra surgirem no horizonte e nos darem esperança. Meus pais foram mortos meses depois e os supostos reis nunca apareceram. Não fique surpreso se eu disser que perdi a fé.
- Eu lhe mostrarei a verdade.
Tudo o que eu estava vendo naquele momento escureceu. Em seguida, as cores foram se agrupando novamente. Eu podia enchergar uma garota de cabelo vermelho e olhos azuis. Ela parecia estar presa em algum tipo de calabouço. Ao lado da cela dela havia uma mulher trajada de roupas escuras, com o cabelo longo e escuro, semelhante a estátua da deusa Lunna. Os limites da minha visão se despedaçaram e em seguida se reconstruiriam, me mostrando um novo lugar. Eu estava em um local que demonstrava ser subterrâneo. Me foi mostrado um home que usava uma jaqueta de couro marrom, possuindo olhos e cabelo castanhos, carregando consigo duas besta. Ele parecia estar caçando algo. Tudo se despedaçou novamente e se reconstruiu. Me foi mostrado um caminho, um tipo de rota. Ela saía da minha casa e adentrava a floresta de gelo. O caminho continuava até uma pequena gruta ao norte da floresta. A gruta estava selada por uma grande pedra, porém, havia uma rachadura no lado esquerdo.
- Venha ao meu encontro, te darei o que é preciso para que se cumpra o seu destino.
- Então você quer que eu vá até você? Depositarei esta confiança em você, não tenho nada melhor pra fazer mesmo.
A visao se apagou e meus olhos se abriram. Acordei em minha cama, como de costume.
- Então isso tudo foi um sonho? Não ficaria admirado se eu estivesse ficando louco. Porém, não custa averiguar.
Mais um dia na nova terra tinha acabado de se iniciar. Depois que os deuses soterraram toda a população da antiga terra e criaram um novo mundo sobre o antigo, a vida da humanidade foi revirada de ponta-cabeça. Os antigos humanos foram obrigados a viverem no sub-solo, enquanto os novos humanos viviam uma vida de cão encoleirado, obrigados a roubar e enganar uns aos outros pela própria sobrevivência. Todo tipo de crime era permitido. Após as dezoito horas, as ruas ficavam três vezes mais perigosas do que o habitual. A causa disso não se interligava aos seres humanos, mas sim, aos caçadores noturnos, monstros que caçam tudo que respira ou se meche durante a noite.
A minha vida se tornou monótona. Pequenos furtos, grandes invasões aos barões da química, que são os únicos seres ricos existentes no novo mundo. Eu não furto por prazer, vivo com um grupo de órfãos que ganham a vida furtando para sobreviver. Nas minhas últimas invasões eu encontrei alguns dispositivos tecnológicos que me permitem escalar os dutos da cidade.
Mas acima de qualquer coisa, eu precisava achar aquela gruta que foi me mostrada no meu sonho, custe o que custar.
- Ale, já vai sair, tão cedo assim?
- Oi Clarice, nem te vi aí! Vou sim, estou indo explorar a floresta de gelo.
- Você não vai levar os meninos perdidos hoje?
- Desculpa, não vai rolar. Infelizmente, tenho coisas mais importantes para fazer. Tentem não roubar os barões hoje. Sem mim vocês podem ser pegos, isso não acabaria bem.
- Tudo bem! Se cuida na floresta e tente voltar hoje ainda.
- Pode deixar!
Me aproximei e beijei a testa de Clarice. Ela era uma das primeiras órfãs que eu encontrei. Começamos a roubar juntos. Com o tempo, formamos um grupo mais de trinta garotos perdidos. Se o sonho que eu tive esta noite for verdadeiro, o mundo que eu estaria buscando seria para Clarice e os outros órfãos. Desejo que eles possam viver sem precisar roubar.
Sempre fui apaixonado por velocidade. Com os equipamentos que eu havia roubado dos barões, eu conseguia escalar os dutos três vezes mais rápido do que o normal. Assim, em pouco tempo, cheguei ao desfiladeiro que me levaria a floresta de gelo. Eu já estava quase no topo quando fui abordado pelos seguranças de um dos barões.
- Ora, ora! Se não é o garoto perdido. Me parece que você está perdido do seu bando! - disse o segurança, gargalhando permamentemente.
- Espero que você seja tão bom em termos de agilidade quanto é contando piadas.
Puxei rapidamente uma corda de minha mochila. O desfiladeiro era meio íngreme em algumas partes. Prendi a corda em uma rocha firme e saltei. Com um pequeno impulso, tomei a frente do desfiladeiro, pulando para o outro lado.
- Sinto muito, segurança. Tente ser menos confiante na próxima!
Eu estava bem próximo da gruta, porém, temia ser atacado pelos subterrâneos. Ouvi histórias que diziam que eles precisaram se adaptar a vida no subsolo, então eles caçam durante o dia e matam os novos humanos.
Continuei caminhando até a floresta sem nenhum incômodo repentino. Chegando lá, as grandes folhagens das árvores e a neve densa dificultaram meu acesso. Porém, o caminho era o mesmo que eu havia avistado em meu sonho.
Já em frente à gruta, eu pude ouvir uma espécie de batida, semelhante a de um coração. Assim como no sonho, a gruta estava selada por uma grande rocha e possuia a mesma abertura no lado esquerdo, como eu havia visto no sonho. Cruzando a abertura eu encontrei um pequeno salão de cristal. No centro, havia um grande pilar roxo, que emita o som de uma pulsação.
- Que artefato lindo, eu poderia até...
Quando me aproximei para toca-lo, fui sugado para dentro do pilar. Minha visão foi se apagou instantaneamente e meu coração parou de bater aos poucos, como se eu fosse...
