Primeiro, as pessoas. Depois, as cores. Ele me fez ver as coisas dessa maneira. Existem milhões de cores e nós podemos associá-las à pessoas. Por exemplo, quando vi aquele rapaz de terno preto hoje no aeroporto, lembrei-me do verde. Ou aquela moça na cafeteria, era amarelo. Eles parecem ter o cheiro das cores, e quando o dia está feliz, as cores costumam ser mais quentes.
E ele, bom, ele é azul. Tudo nele é azul. Seus jeans, suas t-shirts, seus sapatos. Até seus olhos verdes chegam a ser azuis. As pontas cacheadas de seus cabelos são azuis também, todavia a mudança é sempre drástica. Os livros que ele lê ficam cinza, os cigarros que ele fuma, tudo que ele toca, mas ele continua azul. Seu sorriso é completamente azul. Suas expressões faciais são azuis, principalmente quando ele está feliz. E quando o dia está triste, ele fica completamente cinza. Não só seu cigarro ou seus livros. O azul se torna escuro até chegar no preto e depois o preto perde sua cor, até atingir o cinza.
Eu não consigo enxergar outras pessoas com as cores dele. São diferentes do azul normal ou do cinza que costumamos ver. É brilhante e opaco. Escuro e claro.
E quando eu estou com ele, tudo a nossa volta vira uma mistura de azul e cinza, enquanto ele é o único a destacar-se no meio de todas aquelas cores, e tudo que me resta é me esconder debaixo do seu pequeno arco-íris limitado. E depois disso tudo continua azul. Seu toque, seu cheiro e sua voz, no entanto, quando seu humor oscila, as cores oscilam junto. Elas nunca conseguem estabelecer uma média. É como uma mudança entre o azul puro do oceano Pacífico e o cinzento frio do fumo que esvoaça das chaminés. São as duas partes dele. A amável e a assustadora, e formam juntas uma cor ainda melhor do que o azul puro ou o cinza. Quando as cores se misturam, elas o formam.
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Efeitos Colaterais
FantasySe as duas pessoas se amam uma a outra, não pode haver final feliz. - Ernest Hemingway.
