Capítulo 1

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Leila 💬

Já é a terceira vez, só hoje, em que me enfio no quarto e choro com a cabeça enfiada no travesseiro.

Inferno!

Bem que dizem que a adolescência é uma fase complicada e cheia de altos e baixos, onde os hormônios tomam conta de todo o seu corpo. Mas acho que mesmo se eu tivesse 71 anos, não 17, ainda estaria tão magoada.

O meu mundo, que era repleto de perfeição, caiu. Tipo, pluf! Foi só presenciar um milésimo de segundo de uma cena ridícula pra tudo o que você acreditava ser verdade acabar.

Sabe o que eu sou? Uma trouxa. Besta. Todo mundo rindo da minha cara enquanto eu achava que era da piada. Eu sou a piada. Aposto que o ensino médio daquela escola deve saber. Se brincar, até do fundamental.

Amizade e namoro é tudo uma ilusão. Uma graaaaande ilusão. Só serve pra trazer decepção. Todos mentem pra você.

Sociedade de merda.

Eu deveria ser um lobo e andar solitária por aí. Talvez tudo ficasse mais fácil.

Ou não...

Agora que o choro já parou, tiro meus cabelos que grudaram no meu rosto e os afasto. Apoio minhas pernas na parede encostada na cama e encaro o teto. Uma parte dele já está começando a mofar. Precisamos de uma reforma na casa.

- Preciso de uma reforma na vida. - Meu inconsciente grita.

Reforma na vida, mas como? Talvez eu devesse repensar tudo que havia acontecido nos últimos meses. O ponto alto da minha vida até agora. O verdadeiro estopim para acabar com a felicidade da pessoa mais alegre de todos os ambientes que frequentava, modéstia parte. Afinal, todos afirmavam isso.

1 ano atras...

- Af, Leila! Que tempo que vai ter pra gente agora? - Heitor, meu namorado, perguntou com cara de desprezo assim que contei que começaria a fazer cursinho pra passar no vestibular.

- Domingo, às 6 da tarde. - Falei como se fosse óbvio. - Vai ser meu horário livre.

Ele riu achando que era brincadeira, mas ficou sério rapidamente quando percebeu que eu não ri.

- Você não pode tá falando sério.

- Mais sério do que isso, impossível. - Levantei da minha cama e fui pegar a grade de horários que havia montado no início da semana. - É o terceiro ano, preciso estudar pra escola e manter minhas notas, estudar pro vestibular, academia, igreja e ajudar em casa. Sobra domingo às seis.

Ele me olhou incrédulo. Isso ressaltava todas as linhas de expressão de sua testa e fazia parecer que sua boca era de um senhor de 95 anos.

- É a hora do futebol, você tá ligada né?

Foi a minha vez de ficar incrédula. Como ele ousava? Eu odeio futebol só por causa dele. São três anos de namoro e ele continua preferindo a droga do futebol.

- Vai ser meu único tempo livre.

Encarei aqueles olhos amendoados que eu tanto gostava. Três anos e não enjoar da pessoa é uma sensação única. Você tem plena certeza de que vocês são pra valer e tudo vai dar certo. Já dá até pra planejar sua futura vida. Claro, que primeiro eu preciso passar em Direito na UnB.

Sem destino Where stories live. Discover now