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"Você e eu fizemos uma promessa
Na alegria ou na tristeza
Não acredito que você me decepcionou
Mas a prova está no jeito como isso dói

Eu amei você por muitos anos
Talvez eu não seja o suficiente
Você despertou o meu medo mais profundo
Mentindo e nos destruindo

I'm Not The Only One, Sam Smith."

Se me perguntassem como, quando ou porque aquilo aconteceu, eu não saberia explicar. Eu jamais poderia explicar como eu pude ver Júlia daquela maneira, em uma hora ela era apenas minha Júlia, meu anjo — como eu sempre a chamei —, a garota que eu havia visto crescer, a filha do meu melhor amigo, a garota que eu havia ajudado a criar e que a protegia com minha vida se preciso. A garota dos meus olhos. E no momento seguinte, ela era a garota que habitava em meus pensamentos, meus atos, meus sentimentos, meus sonhos e em meu coração. Tampouco poderia dizer quando eu passei a ver por trás daquele mar de chocolate que eram seus olhos, quando eu vi no que o seu corpo se transformara, suas curvas e suas formas, o seu sorriso também não era mais o mesmo, mesmo que ainda doce e inocente, eu nunca conseguiria explicar quando eu passei a desejar seu corpo para mim, apenas para mim. E nem mesmo porque aquilo aconteceu, porque em um certo momento eu me vi encantado... sedento... atraído... Apaixonado por Júlia.

Sabe como tudo isso é confuso e complicado? Apesar de saber que ela também sente o mesmo por mim como tantas vezes já  declarou, já mostrou e gritou para mim, apesar de ser completamente recíproco, havia muitos “poréns” que surgiram depois dos “e se's”, muitas perguntas com respostas óbvias e algumas dolorosas. Muitas situações com hipóteses e certezas tristes e trágicas, tão claras quanto água cristalina.

Não era somente eu e ela. Eu, ela e nosso amor. Eu, ela, nosso amor e nosso futuro. Não, não havia nada disso.

Havia eu.

Com minha vida recentemente quebrada, com meu coração aos pedaços, minha alma manchada de ódio e minha certeza de um futuro incerto.

Havia ela.

Ao meu lado, quebrando as regras do que é aceitável para a sociedade e se apaixonando por mim, mostrando que estava comigo e que eu deveria me permitir viver de novo, me fazendo viver de novo.

Havia nosso amor.

Que era proibido, pela minha amizade com seu pai, meu melhor amigo, meu praticamente irmão, havia uma amizade que foi construída antes mesmo que pudéssemos dizer nossos próprios nomes. Uma irmandade que com toda a certeza se acabaria no pronto momento em que eu dissesse o que eu sinto pela única filha, a filha que ele protegia com sua vida, a sua filha que quase havia morrido no parto junto à mãe. A filha que eu estava ao seu lado quando prometeu que nada iria a atingir, que prometeu zelar mais que tudo no mundo.

Proibido pela diferença gritante de idade. Eu com meus 39 anos e ela no auge de seus 19 anos.

Sabe o quão forte isso é? Sabe o quão doentio parece?

Eu estava presente nas suas festas do colégio e de aniversários. Estive sendo seu “tio Eric” durante os seus primeiros nove anos de vida. Até eu me mudar de cidade e a ver apenas duas vezes em cada três meses.

E por último e não menos importante...

Havia o  futuro.

Que não era nosso. Havia o meu que era conviver com a certeza de que não poderíamos ficar juntos. Eu continuaria trabalhando, vivendo e vendo Júlia construir um futuro dela com outra pessoa. Uma pessoa possível, que a amaria, mesmo sabendo que jamais como o meu amor por ela. Havia futuros separados para cada um de nós.

A Filha do Meu Melhor AmigoHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora