Prólogo

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                    Dizem que quando você cresce, um mar de responsabilidades é jogado sobre suas costas. As pessoas começam á lhe tratar como um adulto e de repente você é obrigado á deixar de lado as aventuras, as brincadeiras e seus sonhos mais loucos de lado, mesmo sem perceber. Você tem que aprender coisas que nunca quis aprender, tem que usar alguns talentos e esquecer outros, tem que seguir ordens e se sacrificar por uma causa que os outros acreditam ser maior....

                   Acredito que no caso de algumas pessoas, esse mar de responsabilidades chega mais cedo do que elas imaginam. E bem, esse é o meu caso.

                    Sinceramente? Não queria ter o sangue da realeza correndo pelas minhas veias. Mas infelizmente quando nascemos não vem uma carta conosco dizendo o que queremos e não queremos ser. Se eu tivesse tido a chance de escolher, provavelmente desejaria ser um pirata.

                     Porém como não posso ser um pirata, não tenho muita opção á não ser desempenhar o meu papel como o bom e heroico Príncipe que cumpre seus deveres e é um exemplo para os cidadãos do reino, o que no caso, tenho feito muito bem. Principalmente depois de ter aceitado me casar com a Laoghire McKinley, a princesa da Escócia.

                      Bem, me senti obrigado á me casar com ela. Isso porque quando o meu pai e o pai dela decidiram fazer um acordo de paz que uniria Northumbria e Escócia, cessando as guerras que ocorriam por causa do território com a crise pela qual o reino estava passando, eles esqueceram de mencionar que estavam negociando o meu futuro e o da garota também.

                      Quando tomei a minha decisão, meu pai deu a maior festa que Northumbria jamais vira e a noticia do meu casamento acabou se espalhando mais rápido do que uma avalanche graças á isso. O reino finalmente se livraria de uma violenta crise graças ao acordo e todos foram a loucura por causa disso, menos eu. Bem, menos eu e o meu escudeiro George. A ultima conversa que tive com ele foi quando ele cuidava dos meus ferimentos após eu ter participado de um campeonato de Justa.

- Se casar com uma pessoa que você mal conhece? É a mesma coisa que jogar a vida no lixo! - George protestava- Me casei com uma mulher que eu não amava e veja onde estou agora?

- O meu futuro não importa tanto desde que eu me torne um rei decente e que meu reino esteja em paz. É a minha vontade George. Me casar pode ser até legal. Além disso meu pai me deu mais dois meses. Posso muito bem conhecer Laoghire melhor até lá e...espera como assim "veja onde estou agora"? Quer dizer que não gosta de me servir? - digo, me sentindo ofendido.

- É a sua vontade ou a do seu pai? Mas tudo bem, você é o Príncipe e eu não passo de um escudeiro, você decide o que quer fazer . Espero que você encontre a felicidade onde procura.

          No dia seguinte ele tinha falecido. Fora morto por um urso silvestre enquanto cuidava de sua plantação de orquídeas na floresta.

         O que George havia me feito pensar um pouco. Admito que eu não me sentia muito feliz em me casar agora,mas era eu ou o reino. Precisávamos da ajuda da Escócia e minha união com a princesa selaria o acordo e traria paz á Northumbria . A população estava sofrendo muito por causa da crise e eu não ia deixar que isso continuasse acontecendo. Ainda mais tendo que fazer uma coisa tão simples como me casar. Acho que a minha felicidade podia esperar,certo?

                  A única coisa que estava me incomodando era que um mês havia se passado e eu não ainda não sentia nada por Laoghire . Minha mãe dizia que eu acabaria me apaixonando por ela e que era so uma questão de tempo mas eu tinha minhas duvidas. Eu era um fiasco quando se tratava de relacionamentos.

             Além disso o dia do casamento não parecia chegar nunca. Não que eu quisesse que chegasse tão depressa mas eu queria acabar com isso logo e ficar livre de preocupações. Enquanto isso eu tinha que passar os longos dias no castelo tentando me distrair treinando soldados nobres para fazerem parte da guarda real e lendo livros no meu quarto.

           Estava convencido de que devia embarcar numa missão em busca de tesouros escondidos nas terras isoladas de Northumbria e passar alguns dias longe do castelo mas eu nunca conseguia ir mais que algumas milhas dos limites de Deire sem que algum soldado estivesse me vigiando. Mesmo que confiasse em mim e nas minhas razões, meu pai não gostava da idéia de eu ir para o sul.

- Há muitas bruxas espalhadas por aqueles vales sombrios - ele dizia - bruxas e feiticeiros muito poderosos. Muitos amigos meus foram para aquelas bandas em busca de tesouros e nunca mais voltaram, você tem idéia do que isso significa? Esqueça toda essa maluquice e pare de ler tanto livro. Eles só enchem sua cabeça com bobagens meu filho.

Essas palavras entravam e saiam pelos meu ouvidos, é claro.

               Quando o meu pai dizia isso a minha vontade de ir para o sul aumentava ainda mais. Eu sei que a bruxas eram perigosas, ainda mais nessa época do ano, mas eu sentia que se não saísse de Deire por um tempo ou desistiria do casamento ou acabaria ficando louco. E foi exatamente isso o que aconteceu.

Não conseguir sair de Deire e portanto fiquei louco. Mas nao foi por causa do meu futuro casamento. Foi por uma razão totalmente inesperada e indubitavelmente pior. É ai que começa a história de como minha vida virou de cabeça para baixo.

Bom, se apesar de tudo você ainda acha que a vida das pessoas da realeza é fácil, lamento dizer mas essa história não é pra você.

Depois, não diga que eu não avisei.


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