*Helena
Eu estava deitada na cama sem conseguir dormir com tantos pensamentos. Já eram quase 3 horas da manhã e eu não tinha sono, porque ainda não acreditava que havia conseguido me formar em medicina há dois dias atrás. Eu sei que me esforcei demais e me dediquei ao máximo pra conseguir esse diploma, mas era inacreditável ainda, porque eu tinha passado por tanta coisa.
Tentei parar de pensar nisso tudo pra conseguir dormir, afinal, amanhã eu precisava encontrar um lugar pra morar, pois nesse hotel não poderia ficar por muito tempo.
Fechei os olhos e, enfim, consegui dormir.
Acordei e já eram 09:48 da manhã, levantei correndo e fui tomar um banho bem rápido. Me arrumei às pressas e sai sem comer nada. Eu precisava achar logo um apartamento pra alugar e quanto mais cedo eu começasse, mais rápido encontraria. E eu ainda tinha que ir ao hospital da cidade pra marcar a prova de residência.
Como não conhecia bem a cidade, não sabia direito onde ficava o hospital, então resolvi pedir informação antes que acabasse me perdendo.
– Bom dia, a senhora poderia me dizer onde fica o hospital da cidade? – sorri.
– Bom dia querida, que bela moça! Vc é nova aqui? – ela sorriu e começou a procurar alguma coisa na bolsa.
– Obrigada! – falei sem jeito — Eu sou nova aqui sim, me mudei ontem, mas ainda estou em um hotel porque não encontrei um lugar pra ficar.
A senhora me entregou um folheto e eu vi que era do hospital.
– Ai está o endereço e o telefone do hospital, eu estou vindo de lá agora. Fui a uma consulta de rotina, porque tenho problemas no coração e preciso me consultar todo mês. Aproveite a juventude minha querida, vc não imagina como é complicado envelhecer. — ele me pareceu triste.
– Obrigada, senhora. – sorri fraco. – Desculpa perguntar, mas qual doença a senhora tem? Eu sou médica e quem sabe posso ajudá-la. – tentei animá-la.
– Eu tenho cardiomiopatia dilatada, por isso preciso ir sempre ao hospital. Estou ficando cada vez mais cansada com tarefas simples. Acho que vou precisar de um transplante. — vi preocupação em seu olhar.
– Calma, vai dar tudo certo. – coloquei a mão em seu ombro. – É uma doença muito grave, mas que possui tratamento e o transplante só é uma opção quando não temos mais o que fazer.
– Você é uma moça muito boa. Qual é mesmo o seu nome? – ela sorriu.
– Me chamo Helena, e a senhora? – ela segurou minha mão.
– Celina, mas pode me chamar de Lina. Agora eu preciso pegar um ônibus pra voltar pra casa, porque meu filho vem me visitar, ele mora lá em Minas Gerais. – ela levantou do banco.
– Eu vou com a senhora até o ponto! – eu segurei sua mão e fomos andando.
Chegamos no ponto e eu pedi a um rapaz que deixasse a dona Lina sentar, ela já estava muito cansada. Ficamos conversando enquanto esperávamos o ônibus.
– Helena, esse ônibus que está vindo vai te levar até o hospital. Vá nele minha querida, o meu não deve demorar. – ela disse apontando.
– Mas eu não posso deixar a senhora sozinha aqui, dona Lina.
– Não minha querida, eu vou ficar bem. Vá resolver suas coisas. – Ela me abraçou.
– Vou deixar meu número de celular com a senhora e qualquer coisa me liga, tá bom? — peguei um papel na bolsa e anotei pra ela.
– Pode deixar Helena. Vá com Deus e boa sorte lá no hospital! – nos despedimos e eu entrei no ônibus.
A cidade era bem calma e tinha árvores por toda a parte. Acho que encontrei o lugar onde quero morar pra sempre!
Eu estava esperançosa e animada com a residência, e não via a hora de poder trabalhar no hospital da cidade. Meu sonho era fazer pediatria desde o dia em que, durante o internato, eu ajudei a salvar um bebê que estava engasgando e ele me olhou sorrindo com aquele olhar puro, que só as crianças tem.
Escutei duas pessoas conversando e percebi que uma delas era diabética e estava passando mal. Resolvi ajudar antes que a situação piorasse.
– Oi, bom dia. – sorri. – Eu sou médica, e percebi que você está se sentindo mal. Posso ajudar em alguma coisa?
– Oi, é que eu não comi nada hoje de manhã e tô começando a ficar tonta. – a mulher colocou a mão na cabeça.
– Posso ver como está sua pressão? – ela assentiu, então eu verifiquei seu pulso e olhei o relógio.
– Ela está bem? – o senhor que estava com ela ficou um pouco preocupado quando viu que a moça estava suando frio.
– Ela vai ficar bem. – tentei acalmá-lo. – Alguém tem alguma bala? Preciso urgentemente! – falei olhando para as pessoas.
– Eu tenho, moça! – um rapaz me entregou um pacotinho.
– Obrigada. – sorri e entreguei algumas para a senhora que estava passando mal. – fiquei sentada do lado dela até que se sentisse melhor.
– Muito obrigada, moça. Se você não estivesse aqui poderia ter acontecido algo pior. – o senhor me agradeceu e foi em direção a saída do ônibus junto com aquela moça.
– Não se esqueça de comer no horário certo e ir ao médico regularmente! É muito importante pra manter sua saúde. – sorri e acenei.
Quando me dei conta estávamos passando em frente ao hospital. Alertei ao motorista e ele parou no ponto mais próximo. Mal posso esperar pra trabalhar aqui!
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Um dia de Chuva (Degustação)
Romance"Cada gota de Chuva que cai sobre a terra, é um tom para a linda canção do amor..." Helena é uma jovem de 24 anos, recém formada em medicina. Uma mulher delicada, mas muito determinada a realizar seus sonhos. Após o término de sua faculdade, ela se...
