Nas ruas de Londres de dois séculos atrás, na mesma época em que eram assombradas por meretrizes estripadas e estranhas cartas vindas do Inferno, muitos outros acontecimentos, alguns tão assombrosos quanto esses, eram encobertos pelo barulho feito pelo Senhor Jack.
A maioria das pessoas, exceto alguns familiares e amigos próximos, sequer ficaram sabendo destes acontecimentos. É sobre uma dessas histórias que vou falar. Ela me foi contada pelo sobrinho-neto da Condessa de Chesnut, que também me mostrou impressionantes fotos da mesma: uma belíssima mulher: A foto, com mais de 100 anos, retratava um ser misterioso, de profundos olhos tão claros que pareciam pedras preciosas, seus cabelos negros caiam pelas costas em volumosos cachos que tocavam a cintura. Vestia um ousado vestido de veludo e um colar de objetos brancos que não identifiquei o que eram, mas parecia algo tribal.
- Meu amigo - perguntei - que colar é esse? De era feito?
Ele riu antes de responder.
- Esse colar faz parte da história que quero contar para você, não adiante os fatos - disse ele, me servindo uma taça de vinho antes de começar sua narrativa.
A condessa, além de bela, organizava os maiores bailes da época em seu palácio. Todos queria ser convidados, mas só os mais nobres e distintos membros da sociedade inglesa tinham a honra de receber o convite - foi exatamente como aconteceu na primeira noite de outono, quando, no salão ricamente decorado com luxuosas tapeçarias e lustres ornamentais, deu-se o grande baile de máscaras.
A comemoração era dupla naquela ocasião: o início dos festivais de outono e o retorno da Condessa de Chesnut de sua viagem de dois anos pelo Egito e oriente médio. Todos estavam ansiosos pelas histórias que ela teria para contar, e também para ver os artigos que ela haveria trazido para o museu particular de sua família. Muitos rumores diziam até que ela havia trazido uma múmia de verdade.
