Prólogo

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Hoje é o típico dia chuvoso que eu odeio. Na verdade eu odeio qualquer dia, é sempre uma grande merda.
Eu nunca tive um dia que quisesse que voltasse para viver de novo.

Olho para a mesa de centro que nela há um convite de casamento que eu mal abri. Meu irmão vai casar. Se ele é louco? Com certeza!
Mesmo achando desnecessário toda essa coisa de casamento, compromisso ou qualquer merda relacionada, fico feliz por meu irmão. De todos nós, ele é oque mais merece ser feliz. E Emma o faz feliz. Consigo ver isso nos olhos dele, é uma coisa estranha sabe? Os dois têm uma ligação muito forte. Vejo o brilho no olhar de cada um quando se vêem. O jeito como seus olhos sempre parecem se encontrar é bonito. O amor entre eles brota até em momentos difíceis, entre brigas, desentendimentos e confusões.

O amo deles é quase palpável.

Agora Eu nunca amei ninguém que não fosse meus irmãos e nunca senti vontade.  Amar deixa as pessoas fracas e limitadas, eu não gosto de limites, sou um libertino assumido.
Eu amo bocetas, amo foder mulheres desinibidas e peitudas, não me julgue.
E a minha maior conquista com certeza é a minha empresa! Nunca fiquei fazendo planos para o futuro até porque criar expectativa é ruim, eu gostava de me deixar levar. Então acabei fazendo muita merda. Eu vivia fumando um baseado ou bebendo até cair, eu já entrei fundo nas drogas. Eu queria me sentir vivo, aliviado ou Completo. Mas parei com a merda toda pois vi que estava entrando em um caminho sem volta.

Estou agora na frente da janela do meu novo apartamento, com um cigarro nos dedos e uma latinha de cerveja na outra. Meu apartamento é na cobertura, consigo ter uma bela visão todas as manhãs.

Me levando meio grougre​ e vou para o banheiro, tiro a roupa suja e ligo o chuveiro.
Encosto a testa no azulejo preto e fecho os olhos.
O quê diabos está acontecendo comigo?

- Mais que Porra. - rosno batendo a mão na parede.

É aquela sensação que me fez entrar para o mundo das drogas. O vazio. Mas não vou pegar em uma droga se quer nem fodendo.

                                        ***

Mexo no meu notebook, termino os slides da próxima reunião. Enumero bons argumentos para conseguir fechar negocio com um sócio. O cara é osso duro de roer! Vejo uma frase no lado de uma página no Facebook com a seguinte frase.

Deixe o passado para trás e viva o agora.
Boa frase, mas é mais fácil dizer do que fazer.

Eu tenho um passado turbulento. Acho que nunca vou superar. A merda de não ter uma infância normal e feliz fode com o resto da vida. Eu li uma vez em uma reportagem, que se uma criança tiver uma infância normal, ela será um adulto bom e uma boa pessoa a sociedade.

Eu não tive uma infância boa.

Connor literalmente me arrebentava, lembro uma vez que o filho da puta me acorrentou como um animal. Ele me levou a ponta pés para o maldito porão e me deixou lá.
Me lembro que o porão era escuro e muito úmido, tinha um cheiro ruim, uma mistura de esterco com água suja.
Connor adorava me deixar lá.
Minha mãe não podia fazer muita coisa, porque ela também apanhava bastante. Talvez até mais que eu.

Uma súbita curiosidade de saber quem disse essa frase me atinge.
Olho na fonte e vejo que essa frase veio de um livro.

Decadência.

É o nome de um livro. Tá aí, vou comprar.
Vou até uma loja online e faço a compra do livro, ele chega em 3 dias.
Leio na barra de informação que o livro é escrito por uma mulher, o nome dela é Amélia Faris,
ela não é muito conhecida, começou a escrever livros ano passado.
Ela tem 24 anos e mora aqui mesmo na Califórnia.

Não aparece fotos, porem diz aqui que daqui 1 mês ela estará em um teatro na rua principal com o seu noivo Adam West, dando autógrafos nos livros.

Se eu gostar do livro vou pessoalmente falar com a fulana dizendo que seu livro é bom e me ajudou a superar o passado.

Até parece.

A certas coisas que não dá para deixar enterrado, algumas coisas não são esquecidas mesmo que tentemos, algumas situações marcam a alma. Deixam rastros dolorosos e infelizmente... Incapazes de serem curados.


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CALLUM #2Where stories live. Discover now