Eu sou Hannibal, filho de Barca, o predestinado
Diante das chamas sagradas de Andurá foi jurado aos deuses, aos vivos e aos
mortos, que eu mataria todos os belurianos nessa terra até o último suspiro. E
matarei.
Essa é uma história de escravos, d...
Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.
O mês das chuvas se aproximava, mas naqueles últimos dias de verão o céu estava azul, sem nuvens em um extenso azul cristalino. As terras férteis haviam sido assoladas por um intenso calor, mas nada que se prejudica a colheita. Aqui em Ilíria, uma cidade circular fortificada, com fosso e muro de pedra, as lavouras ficavam no centro da mesma e as instalações ao lado de dentro do anel. Do lado de fora dos arredores do vale, podia facilmente se colher diversos frutos das árvores frondosas da floresta, que nos cercava. Os muros eram um intricado de pedras sobrepostas e vigas de madeiras. Havia quatro torres de vigias e os portões sempre tinham guardas apostos. A maioria das casas eram compridas feitas de intricados de madeira presos com cipó e telha de folhas de palmeira. Cada casa podia abrigar mais de uma família, mas todas tinham seu líder, denominados principais. Os principais deviam obediência ao Dux, senhor de Ilíria. E o nosso Dux era o guerreiro mais forte de nossa cidade e soberano nas decisões. O Dux decidia se haveria guerra ou paz, na maior parte da história de Ilíria e dos outros povos das terras livres, era sempre guerra.
A cidade era cortada por um rio, que mais era um filete estreito de água, deveria ter no máximo quinze metros de largura. Mantínhamos parte da mata original em sua margem para evitar desgastes do solo e inundações. As águas do rio vinham de uma das nascentes, que ficava no topo do morro, que tinha formato de uma corcova. Ilíria, ficava em um vale cercada por cinco morros verdejantes por onde a mata se expandia para todos os lados. Nos cinco morros havia torres avançadas de vigia e em especial no morro, que tinha formato de uma corcova se situava um posto avançado em meio a floresta, onde os homens podiam ver qualquer coisa pela região a uma grande distância. Aquele morro, que mais lembrava uma montanha chamávamos de pico nublado, pois o tempo lá sempre mudava e de repente tudo poderia estar coberto pela neblina. Lá seria um dos primeiros lugares, que se poderia ver um inimigo se aproximando, pelo sul, pelo norte e oeste, por uma vasta distância. Lá a vigilância era constante, pois a guerra sempre voltava uma nova vez a bater em nossos portões.
Naquele final de verão, as fogueiras estavam sendo acesas ao anoitecer, íamos comemorar as vitórias contra os nossos rivais, que viviam mais ao oeste daquela região, onde a cadeia de morros se erguia de norte ao sul, como uma grande coluna de um gigante que dormia há muito tempo. Separando aquela parte do litoral do resto das terras de Yamandú. Escravos e riquezas haviam sido divididas para todas as famílias. Mas naquela noite seria mais especial, a senhora, esposa do Dux estava grávida. Todos esperavam um menino, um menino guerreiro, mas o futuro era incerto. Naquele momento comemorávamos e a senhora seria a primeira a comer no banquete. Essa noite a carne dos guerreiros derrotados seriam servidas. Carne dos guerreiros mais valentes e vorazes era dada para os guerreiros, para que estes ganhassem seu poder e coragem em batalha. Era uma honra ser comido, mas isso não os fazia ter menos medo ou pressa.