Eu conheci você num emaranhado de informações tão confuso, tão despida de expectativas e é tão engraçado pensar que existem sei lá quantas bilhões de pessoas e eu encontrei justamente você. desesperador pensar que um clique a mais, um a menos, um deslize de dedos, uma mensagem que eu escolheria responder no lugar da tua e puff, nada. nossas linhas seguiriam paralelas. aquele abraço que conseguiu imediatamente imprimir a sensação teus braços envoltos em mim na minha memória não teria acontecido. eu não sabia que eu precisava dele.
talvez você não saiba mas eu estava, sim, te vendo pelo rabo do olho o tempo todo aquele dia no cinema, da primeira vez que nós nos vimos em carne e osso e nervosismo.Eu te encarava de um jeito discreto e meu coração batia mais rápido do que corriam os frames na tela nossa frente.
há um provérbio africano que diz que "ninguém experimenta a profundidade de um rio com os dois pés". pois, que me perdoem os ancestrais — naquele dia eu quis entrar com os dois pés, o tronco, a cabeça e a alma na sua correnteza.
eu sou um coração fraco, não me leve a mal, você não tem culpa de eu estar escrevendo este texto agora. mas você, você é, com todos os clichês do mundo, diferente. você veio de mansinho e tão bruscamente arrombou as portas que eu me forçava a fechar e resignificou todas as músicas que eu já escutei e me deixou com tanto medo da rapidez com que nós enrolamos nossas bagunças e me fez bater a cabeça na mesa pra tentar conseguir voltar a prestar atenção e respirar num ritmo aceitável. eu tinha esquecido.
e mesmo que a gente escolha o caminho ao qual estamos todos fadados, fardo perturbador nesse momento, é muito difícil ser esquecido quando uma aspirante a escritora gosta de você. mesmo que ela própris o faça, mesmo que ela própria desgoste.
a alma poeta, essa que este meu pedantismo me obriga a ostentar, não finge sentir pra escrever — escreve pra fingir sentir, e suprir essa necessidade exagerada e jogada aos seus pés, de sentir. obrigada por me lembrar disso.
