E agora, Cabral?
O navio atracou.
A polícia chegou.
O povo gritou.
E agora, Cabral?
Os hospitais estão abandonados.
O dinheiro foi desviado.
Ninguém sabia quem era o culpado.
E agora, Cabral?
A polícia bateu na porta.
As artes foram embora.
O roubo acabou.
E agora, Cabral?
A casa na Zona Sul.
A viatura na Brasil.
O planalto em Bangu.
Milhares de vida na tumba.
E agora, Cabral?
Está sem amigos,
Está sem mulheres,
Está sem bebidas,
roubar já não pode,
foi desmascarado.
E agora, Cabral?
O maracanã é maior que a educação,
a copa rendeu mais do que hospitais,
a vida de luxo era maior que a pública.
Será mesmo, Cabral?
Se você gritasse,
se você berrasse,
se você implorasse,
Ninguém te ouviria, Cabral.
Não adianta espelhos,
Pão e circo,
O povo quer Justiça.
E agora, Cabral?
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Trabalho 4 de Língua portuguesa
PoetryInspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade
