Prólogo

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Eu não acredito em conto de fadas. Não após perder minha mãe aos oito anos, imaginando que minha vida era um. Minha mãe nunca me revelava muito sobre sua vida antes de se mudar para Portland, mas mesmo assim, éramos o mundo uma da outra. Eu não sabia quem era meu pai, e sempre que perguntava a mamãe, ela se desfazia em lágrimas, desencorajando-me a não voltar a perguntar. Naquela tarde, eu voltava da escola e chegando ao final da rua, onde minha casa se encontrava, tudo que viu foi fogo, um fogo preto, tão escuro quanto a noite. Meu primeiro pensamento foi direcionado para minha mãe. Corri até a porta da frente, tentando desesperadamente encaixar a chave à fechadura da porta, quando finalmente consegui, tudo que conseguia ver era fumaça, aquela fumaça preta, fedida, corri até a cozinha, onde certamente encontraria mamãe, e quando cheguei lá me arrependi profundamente. Mamãe estava morta, seu corpo no chão, e sua cabeça empalada na parede, desesperada e gritando, corri até ela e quando estava próxima o suficiente, vi uma mensagem, com meu nome escrito em vermelho na testa de minha mãe, e o que li nela, persegue meus sonhos até hoje, 9 anos depois.

Tudo o que aconteceu depois daquilo, foi um borrão intenso, alguém ligou para as autoridades, eu apenas fiquei lá, ao lado de minha mãe gritando, até alguém me pegar pelos ombros, e colocar um pano nada cheiroso na minha cara.

Eu acordei, não sei quanto tempo depois, em um quarto branco, com uma mulher sorrindo para mim, um sorriso amarelo e forçado, qualquer um perceberia.

—Olá. — disse a mulher.

—Quem é você? — rebati

— Meu nome, garotinha, é Martha, e eu não gosto do seu tom de voz. — ela diz forçando ainda mais o sorriso.

—Bem, Martha— digo, rosnando —Eu não gosto de você, então estamos quites. — forço um sorriso.

—O que é uma pena, pois a partir de hoje, é comigo que você irá viver. — diz ela, agora sem o sorriso amarelo.

—O quê? Claro que não, eu moro com minha mãe e é assim que vai continuar. — digo com raiva.

—Deus. — diz ela, revirando os olhos. —Sua mãe está morta, garota. — diz Martha, esfregando as têmporas.

Eu não tinha resposta, então fiz o que qualquer garota com oitos, que recebesse essa notícia faria, comecei a chorar, desesperadamente.

—Bem, sinta-se a vontade para descer quando decidir parar de chorar, e então vamos discutir os termos do contrato para que você fique aqui.— diz, levantando-se e caminhando até a porta.

—Espere! — grito e ela dá meia volta. — Que contrato? — indago, em meio as lágrimas.

—Bem, veja, eu conhecia sua mãe, e ela deixou-me como sua responsável, pois sabia que este dia chegaria. — diz ela. — E, querendo ou não, você vai ter que ficar comigo até os dezoito, eu não poderia negar isso para sua mãe, mas isso vem com um preço, Blaire. Sabe, eu e sua mãe fomos criadas juntas, do mesmo modo, a única diferença seria nossos níveis de poder. — diz ela, observando atentamente meu rosto.

—Níveis de poder? — indago curiosa. —Sim, nossos níveis de poder. Escute Blarie, há algo que precisa saber. Eu, você e sua mãe, não somos desse mundo. —diz ela, sussurrando. E se aproximou novamente da cama. —Eu não posso te contar tudo antes dos dezoito, mas posso te preparar para os acontecimentos que virão, Blaire, mas eu preciso que saiba que nada será fácil, e eu vou precisar que sempre confie em mim. — diz ela.

—Nada antes dos dezoito? E o que seria esse "preparo"? — digo, tentando, em vão enxugar as lágrimas.

—Sua mãe e eu, somos de uma raça chamada de "féericos", conhecida como "fadas" em seu mundo. Fomos criadas para a Guerra, não que ela já esteja acontecendo, mas ela virá. Somos assassinas, treinadas para matar, aniquilar. — diz ela, com um semblante sombrio.

—Minha mãe? Fada? — digo com uma vontade de rir.

Féerica. Sim. Por quê? — diz, ainda com o semblante sério. —Escute, eu não estou brincando, e espero seriedade de sua parte.

—Uh, ok. Você simplesmente espera que eu acredite que você é uma fada? — observo, curiosa.

Então em um piscar de olhos me arrependo de ter falado. Martha me olha com raiva e rosna, mostrando presas. Arregalo os olhos e me preparo para gritar, mas não consigo, pois em um piscar de olhos ela está ao meu lado, me segurando pelo pescoço. Foi então que notei as orelhas delicadas e pontiagudas que estavam aparentes.

—Você não vai, em hipótese alguma, fazer escândalo. — diz ela, calmamente me colocando novamente na cama. —Acredita em mim agora?

Olho para ela, aterrorizada. —S-sim.

—Os termos do contrato serão estes: você me obedecerá, você irá realizar suas tarefas com perfeição, você nunca, em hipótese alguma me questionará sobre sua mãe ou seu pai, pois eu não sei de nada sobre seu pai, nem de sua mãe após seu nascimento, e você nunca, nunca deve sair após a meia noite. — diz séria. —E então?

—E-eu aceito.

—Ótimo, há roupas no closet a sua direita, vista-se e vá até a porta da frente. Vamos prestar as devidas homenagens á sua mãe. E Blaire?

—Sim?

—Quando chegarmos ao local, não olhe, em hipótese nenhuma chore muito menos vá para longe de mim, entendido?

—Sim, mas, por quê?— olho para ela, séria.

—Sua mãe adquiriu muitos inimigos ao longo do tempo, muitos deles não sabem que você sobreviveu ao incêndio, e não se deram ao trabalho de procurar por você na casa, pensam que você está no caixão com sua mãe e é assim que eles devem continuar a pensar.

—Mas por que os inimigos dela iriam ao seu enterro?

—Porque todos a temiam. — e com uma última olhada para mim, ela sai do quarto. 

Encaro a porta por um momento e começo a chorar. Sou invadida por lembranças de minha mãe sorrindo para mim, me colocando para dormir, dando-me um beijo na testa. 

Choro até decidir que é hora de descer e acompanhar Martha.


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⏰ Dernière mise à jour : Nov 16, 2016 ⏰

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