Equilíbrio

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   Eu pensava que eu era um homem feito, com tudo que precisava, que não me faltava mais nada, porque eu havia encontrado o meu equilíbrio. Mas não era bem assim, eu apenas tinha o superficial, eu precisava encontrar a minha essência, a essência da minha vida.

   Em certo momento eu pensei "Qual é o meu objetivo nesse mundo?", quando eu abrir os meus olhos para a realidade, eu vi que faltava mais, muito mais, eu conseguir apenas o que a maioria dos seres humanos acham interessante: ensino médio completo, um bom serviço, apartamento ou como estar numa boa faculdade. Isso é bom, mas parecia que faltava mais. Não só parecia, como era verdade.

   Sabe aquele momento em que você se sente perdido, ligado no automático? Parece que em certo momento da nossa vida, estamos vagando, estamos totalmente sem direção, numa turbulência sem fim, as pessoas te julgam por te acharem distante, ou por você parar de falar com elas, mas você só quer um tempo, só quer pensar, você acumulou a vida inteira algo que foi te destruindo por dentro, fazendo tudo o que queriam que você fizesse, ouvindo o que as pessoas falavam sem piedade. Em certo momento, pensei em desistir, só que eu continuei, pensei no momento em que eu faria dezoito anos, saísse da casa dos meus pais, e me tornasse um homem rico e feito, como hoje.

   Só que eu percebi que nada mudou, quando completei os dezoito anos, você pode ter o que for, mas quando não tiver amor, você vai se sentir um ser vazio, solitário.

   Eu fiquei com muitas garotas. Mas tive uma única namorada ao longo da minha vida, a Joyce, aos dezessete, a conheci num evento da escola, ela sempre incrível, o tipo de namorada, que todos usariam a expressão "UAU"  ao  vê - lá, nos víamos pouco, ela morava com os avós, muito rígidos, não sabiam do namoro, eu a perdi porque não soube dar valor o suficiente, eu não permitir que ela me conhecesse além das aparências, e ela fez o mesmo, não era exatamente amor, estávamos juntos, por estar. Eu tinha medo de me sentir só, eu tinha medo de terminar, e sentir aquele vazio, aquela solidão, eu tinha medo da escuridão que me preenchia, a gente continuou o namoro por um ano, eram brigas, os dois pediam tempo, um namoro de idas e voltas, uma palavra que definia o relacionamento "frieza", hoje eu penso que poderia ter dado mais valor a ela, eu pensei que eu não devia manter a idéia de completá - lá e sim de transbordá - lá de amor, eu deveria ter dado o meu melhor.

   Eu não me arrependi de nada disso, eu não voltaria no tempo, porque sofremos no passado, para não errarmos com a pessoa certa no futuro. Tudo foi uma questão do aprender. Eu acho que nada não é desperdício de tempo, nada mesmo, por mais que te faça sofrer, aquilo te tornará forte ou não.

   Todos os dias, eu sentava na fileira da frente da sala de aula, ficava observando o jeito de cada pessoa, eu amo personalidades, e amo quando se tem a própria, e quando não precisa copiar a de ninguém pra ser adorado por todos. Quando alguém faz algo que lhe faça bem, mesmo sabendo que irão julgar, tendo um estilo musical, que chamam de "lixo" e não se sentir envergonhado por isso, automaticamente você se sente bem. Em um desses dias, meu melhor amigo chamado Diogo, que tinha medo de dizer a todos que era gay, só eu sabia, a professora de português, Beth, disse que iríamos discutir sobre gênero sexual e nossas escolhas, ele me olhou de canto e parecia bem nervoso, e eu fiz um gesto com a cabeça de "Vai ficar tudo bem".

   Ele sentou ao meu lado meio apreensivo, estava roendo o que chamava de unhas.

   -Thomas, me ajuda. Eu tô com medo. - Disse o Diogo.
 
   -Eu tô aqui. Eu te ajudo.- Respondi em seguida.- O que pretendes fazer?
  
   -Eu tô com medo, não sei o que vou fazer, todos vão me aborrecer se eu confessar que sou gay.

   -Eu não sou todos, e eu gosto de você sendo assim, não muda nada.

   Ele começou a sussurrar e fechar os olhos, quando chegou na vez dele, Sr. Beth, chegou bem perto de nós e começou a rir.

AmorWhere stories live. Discover now