O início...
Estava andando pelos corredores escuros da casa sentindo o cheiro de mofo que exalava por eles. Ando normalmente até ouvir vozes vindas do escritório do meu pai e paro bruscamente, sei que não deveria escutar atrás da porta, mas a curiosidade me domina, me aproximo com cautela e reconheço as vozes, são de minha mãe Maria e meu pai Ferdinando. Eles falam baixo, quase sussurrando, como se estivessem com medo de que alguém os ouvisse, me aproximo um pouco mais para escutar melhor.
“Maria, isto é um crime! Teremos que denuncia-los.”
“Não temos certeza do que vimos Ferdinando, a família Dellatore não demonstra serem bruxos, muito menos assassinos.”
“Vimos a criança. Não temos dúvidas.”
Ao ouvir tais palavras, paraliso, me afastei da porta deixando de escutar o término da conversa. Deve haver algum engano, a família Dellatore parece ser pessoas de bem, me vem a mente o belo rapaz de cabelos loiros e olhos azuis, Henrique. Seu jeito educado, a postura impecável e o modo refinado como se veste... Não poderiam ser bruxos. Encosto-me a parede em frente à porta em busca de apoio, e novamente Henrique invade meus pensamentos, me encantei por seu ar misterioso e sua diferente percepção da vida, sempre que estava junto dele eu aprendia algo novo, e eu gostava disso.
Ouço passos vindos de dentro do escritório, me desperto dos meus devaneios e corro, com um pouco de dificuldade devido ao vestido longo e pesado que estou usando, em direção ao fim do corredor. Chego em meus aposentos já sem folego, ajusto meu vestido ao corpo e sento em minha cama tentando me acalmar. A frase dita por meu pai ainda ecoa em minha mente... Os Dellatore, Henrique... Bruxos. Era impossível de acreditar. Deito em minha cama e encaro o teto como se ele fosse me dar respostas para minha confusão. Fecho meus olhos, e meus pensamentos me levam para uma doce lembrança...
Ando calmamente, estou usando um vestido azul... Observo cada detalhe daquela clareira, ouço o som do vento contra as folhas das árvores, dos passarinhos agitados nos ninhos... São música para os meus ouvidos. Aquele lugar parecia ser mágico, tinha flores em toda sua extensão. Paro de andar quando avisto uma silhueta ao longe, sei que é Henrique. Sinto meu coração acelerar, e um sorriso aparece automaticamente em meu rosto. Quando ele se aproxima, vejo que ele segura na mão direita uma rosa vermelha, e reparo no sorriso doce que ele exibe. Quando estamos perto o suficiente, nos cumprimentamos formalmente, ele como um perfeito cavalheiro, beija suavemente minha mão e em seguida me entrega a bela rosa. Sinto o doce aroma da rosa, agradeço, e então voltamos a andar pela clareira.
Meus pensamentos são interrompidos por incessáveis batidas na porta. Levanto-me, corrijo minha postura, e abro a porta. Minha mãe está parada do lado de fora do meu quarto com um belo sorriso, minha mãe é jovem e estonteante, e tem um jeito sempre gentil e compreensivo, entendo perfeitamente porque meu pai a escolheu como sua esposa. Ela entra em meu quarto, se sentando em minha cama e olha para mim, como um pedido mudo para que eu me sentasse também. Fecho a porta, e sento-me ao seu lado e ela me olha carinhosamente, então sorrio para ela.
_ Minha pequena Emilly, seu aniversário de 17 anos está se aproximando. – quando ouço essas palavras, meu sorriso se alarga, em apenas 4 dias eu finalmente faria 17 anos. – Eu e seu pai estamos organizando seu baile, precisamos acertar apenas mais alguns detalhes. – ela inclina um pouco a cabeça e encara algo atrás de mim, me viro olhando na mesma direção que ela e vejo a rosa vermelha que ganhei de Henrique encima da escrivaninha. Volto meu olhar para minha mãe, e ela apenas sorri. – Gostaria que você nos ajudasse.
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Sombras de uma Maldição!
RandomUm belo rapaz e uma linda garota, um amor jamais sentido por ambas as partes, uma maldição que põe em mãos de Rebecca duas escolhas: salvar sua família e esquecer seu único e verdadeiro amor ou salvar o amor de sua vida e perder sua família para sem...
