O que é um herói para você? Se um herói para você seria um cavaleiro de armadura reluzente acredito que tenhamos uma ideia diferente de herói, para começar que acredito não haverem heróis ou vilões, são só títulos, títulos estes dados a criaturas que acreditamos terem feito ou fazerem o bem em comum, mas o que é esse bem? Seria algo bem relativo ao que acreditamos ser o bem ou que acreditamos ser o mal, mas e se eu te disser que o que é mal para você é necessário para que você acredite nos seus heróis, acho que você vai dizer que é um monte de besteira, eu também acho isso, afinal, é muito melhor viver nessa nossa segurança, nesse conforto do não questionamento, não ouvir o que um outro filho da puta tem a dizer não é? Ou apenas ouvir e sorrir, ficar com essa merda na cabeça te atormentando dia após dia de questionamento, mas deixa eu te contar, existiu um homem que mostrou ao mundo que em seu fim se encontrava, que o mal ou o bem não importavam, apenas importavam suas paixões pelas verdades que havia tomado para si, depois dessa merda eu acho que você vai pensar, "Mas e se...".
O céu estava fechado, as nuvens negras desenhavam por entre as luzes que o rasgavam, não se sabe ao certo que rua era aquela, o mundo já não tinha esse tipo de coisa, não importava mais, as ruas rachadas e esburacadas marcadas pelas guerras tiravam de qualquer lembrança longínqua a sensação de sossego, alguns prédios a muito abandonados ainda faziam parte daquele cenário caótico. O ano era de 2066, em alguns rastros de livros e diários de comandantes encontrados conseguimos descobrir e entender oque realmente aconteceu, oque acreditávamos ter acontecido, em 2020 uma terceira guerra finalmente estourou, duas grandes nações entraram em colapso, armamentos químicos, nucleares e sabe-se la que porra mais havia sido usado, não temos muita noção de quanto tempo a guerra durou, mas sabemos que a natureza deu um jeito de se defender da única raça que ameaçava o planeta chamado Terra, a natureza evoluiu, evoluiu para exterminar de vez a raça humana, após tantas guerras finalmente o planeta caçou sua paz, dizem que o sol enfraqueceu e por isso vivemos neste frio quase glacial, terremotos e furacões varreram o mundo, os recursos que nós humanos por tanto tempo desperdiçamos haviam se esgotado e a água pela qual hoje matamos se foi junto da energia elétrica que hoje é disponibilizada apenas para os governadores. Por fim um vírus, a humanidade já havia sofrido e pagado suas contas acredito eu, mas a vingança da natureza não aceitava débitos como os que havíamos criado, uma epidemia arrastou a humanidade a um pânico absoluto, nos registros científicos explica-se que as pessoas que contraiam o vírus tinham como sintomas, febre e dores pelo corpo como se queimassem e em no máximo dois dias as pessoas morriam, melhor seria se fosse só isso, o pior veio após sete dias da morte de cada infectado, eles levantaram, mas não como antes, estavam mais fortes, rápidos e o pior de tudo, com fome de carne humana, mais nada saciava a fome daquelas pessoas, se é que ainda poderiam ser chamadas assim, cães do inferno foi como apelidaram aquelas criaturas, esquadrões inteiros massacrados por meia duzia daqueles malditos, mas finalmente alguma esperança surgiu, pessoas que resistiram ao vírus foram levadas por uma grande corporação, chamados de soldados essas pessoas que resistiram ao vírus mostraram mudanças, também mais fortes, também mais rápidos, eram a esperança da humanidade, seus olhos ficavam negros e quase como instantaneamente corriam tão rápidos quanto flechas e eram capazes de derrubar muros de concreto com as próprias mãos, os ferimentos causados pelos cientistas se regeneravam rapidamente e por fim um nome foi dito aos quatro cantos do mundo, Dark Eyes, era a nossa oportunidade de virar o jogo, mas mesmo no meio daquele pós apocalipse o homem insistiu na ganância, a humanidade ficou dividida em quatro distritos cuidados cada um por um governador, a corporação que cuidava dos DarkEyes cobrava alimento entre outras coisas pelos serviços dos super soldados, mas não importava o quão lutássemos, haviam sobrado apenas 20% da população mundial e os cães do inferno pareciam se proliferar como baratas, a cada geração eles perdiam mais e mais a aparência que um dia haviam carregado como humanos e agora eram apenas cães do inferno.
O rapaz estava acima de um dos prédios que faziam o cenário naquele local, de cima ele podia ver uma matilha daqueles malditos infernais, seu rosto era pálido, porém marcado com cicatrizes e sujeira, a barba quase na altura dos ombros estava desgrenhada e o cabelo longo e sujo estava preso com um rabo de cavalo, seus olhos carregavam um tipo de indiferença misturada a um brilho ardente. As criaturas que cercavam a entrada do edifício urravam em sua direção, mas ele apenas olhava para um dos poucos feixes de luz que com maestria faziam dupla com as nuvens negras que lhe chamavam atenção e de um súbito se largou em direção ao solo, suas roupas velhas, um casaco militar batido e uma calça de cor irreconhecível se debatiam contra o vento...
- Senhor!! Senhor acorde.
Uma jovem garotinha chamava com seu rosto em pânico.
- Senhor, estamos sendo atacados, o acampamento esta sendo atacado, acorde, precisamos ir embora.
O jovem despertado de algum tipo de sonho abrira o olho mantendo o olhar fixado naquele céu escuro como de seu sonho.
- Senhor precisamos ir!!!
- Acalme-se garota, temos gente o suficiente para alimentar essas coisas antes de sairmos, pegue a mochila.
O jovem se ergueu calmamente embainhando uma lâmina que se encontrava deitada no chão embaixo de suas costas, um velho colt com três munições se encontrava em um coldre na coxa.
- Mas senhor, não vai ajuda-los?
A garota de uns doze anos estava suja vestida de trapos, seus traços finos amenizavam a sujeira que a cobria, o cabelo mal trançado parecia a unica coisa menos suja nela e seus olhos mostravam medo.
- Hey garota, ainda não se acostumou? Pare com isso, não temos tempo, se eu ajudar essas pessoas agora elas não vão sair do meu pé e eu irei te deixar pra trás já que não consegue nem acompanhar meu passo.
O jovem bateu a poeira de sua roupa e por um momento enquanto ouvia os gritos aterrorizados olhou mais uma vez para cima e com o olhar morto virou-se para a direção dos gritos.
- Afinal, é por isso que me deu essa chance não é mesmo? Vamos la, esses pobres malditos podem ter comida para você pequena.
Andando lentamente em direção aos gritos o jovem logo viu dois cães do inferno de tamanho humanoide e um grande e gordo infernal lento e ao se aproximar a uns seis metros de distância logo foi alvo de um daqueles humanoides que ao mesmo tempo em que pareceu acerta-lo com uma garrada estava logo em seguida partido ao meio caído no chão, os olhos do jovem estavam pretos e por fim o outro humanoide parado mastigando o que provavelmente era uma criança.
- Hey puta do inferno, essa criança ai não vai encher nem metade do seu estomago podre, vamos la, coma algo mais nutritivo como um adulto por exemplo.
O grande infernal gordo de quatro metros de altura por fim o encarou e rindo o chamou.
- Avitas, você esta valendo alguma coisa sabia rapaz? Sinto esse cheiro nojento de DarkEyes a km daqui, principalmente o seu, afinal, você destruiu minha matilha quase que por completo, salvar uma criança em vez de me matar não foi uma decisão muito boa.
- A sim, ela - Disse Avitas com um sorrisinho de canto de boca- , me vale mais uma escrava do que matar um merda como você, mas já que insiste tenho certeza que isso sera como um alongamento matinal.
Avitas disparou em corrida em direção ao grande infernal e com um salto se lançou sobre ele.
Continua....
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Projeto Terra
MaceraEm um mundo pós apocalíptico Avitas busca incansavelmente se vingar daqueles que tiraram dele oque era mais importante.
