Aqui ele está novamente, sem desejos ou esperanças, debatendo-se no escuro por conta de mais um espinho encravado na tez, de novo e de novo e de novo e de novo. Encarando a própria vida, de novo, tão perto dela, de novo, vivendo por seu viver, de novo, debatendo-se de novo para viver, se é que podemos chamar isso de viver. Delírios, delírios e delírios dar cor vermelha escorrendo pela ponta da caneta, mas seria essa caneta realmente dele, ou seria minha (talvez sua) a caneta?
Quem seria ele? Você pergunta. Calma leitor impaciente, eu lhe respondo logo, por enquanto, é o suficiente saber que ele é apenas ele. A impaciência não lhe levará para lugar algum, então, acalmemos-nos por hora e esperamos a vinda dele. Além do mais, essa é a história dele, não nossa. Eu não a escrevo por mim ou por você, mas sim, por ele, que já foi tão massacrado e dilacerado(inclusive por você). Ele merece esse texto mais do que aqueles que vivem de desperdiça-lo a toa com qualquer um, mais do que você.
Mas aqui está ele novamente, debatendo-se por conta de mais um espinho. Espinho esse que o perfura por sua culpa. Ainda não entendeu? Então, vamos com mais calma, acalmemo-nos já. O ar começa a me faltar no peito, deveria me levantar para abrir a janela e voltar mais tarde, para escrever da forma que conduza ao grande final. Como eu poderia saber o final da história dele, se ele nem existe ainda? não sei, mas, eu sei que o sei. Nessas condições, o final só poderá ser um, mas será que ele sobreviverá para morrer lá? Isso, eu já não posso lhe contar, até porque eu não sei a resposta ainda. Mas, garanto-lhe que há de haver um fim para ele, seja lá qual for, mas haverá.
Mas do que vale as promessas de um narrador como esse? Que pode dissimular que entende a regra dos porquês mas nunca acha as verdadeiras causas, que perde-se, ao escrever, do assunto principal. Por falar no assunto principal, voltemos ao espinho, pois esse é o verdadeiro protagonista desse relato, relato de mais um qualquer, de um ninguém, mas ainda assim, é ao menos um relato corajoso. Me perdi novamente, porém, deixarei esse devaneio aqui, ele parece me agradar (será que também lhe agrada?).
"Doeu, mas já não dói mais. Já estou acostumado com esse espinho que me perfura. Doce espinho, de sabor tão macio, de cor tão suave, que seduz por sua promessas de felicidade. Porém, não passa disso, promessas... Já tentei abandoná-lo, sei que me faz mal, mas, como faze-lo, se eu o amo tanto? Será culpa minha por ama-lo, ou sera mais uma doença de minha idade? Seja como for, só me resta bater e bater e bater, de novo e de novo e de novo."
E, é assim(?) que começamos(?) essa história;
KAMU SEDANG MEMBACA
Doce Espinho
AcakRelatos de mais um qualquer, com outro qualquer espinho encravado no mais comum dos corações.
