Capítulo 1
Todas as manhãs de sábado, exatamente às 10:00 da manhã, lá estava ela: agradecendo, incentivando ou até mesmo dando uma lição de moral em quem merecia. Todos ao seu redor a respeitavam. Ninguém questionava suas atitudes ou ações. As pessoas aceitavam tudo, de todas as formas possíveis. Era raro alguém contrariá-la — e, quando isso acontecia, todos se calavam para ouvir o longo discurso que a rainha faria em seguida.
Nossa rainha era simpática e educada. Às vezes saía um pouco do sério com atitudes que reprovava, mas parecia ter o dom de tornar qualquer ambiente agradável. Logo surgia um belo sorriso em seu rosto, que transcendia para as milhares de câmeras à sua frente.
Eu não sabia o que era, nem sabia dizer o porquê, mas algo naquela família me encantava. Todos eles — com exceção da princesa Ariella. Não havia um motivo concreto para eu não gostar dela. Apenas olhar para ela já me desagradava. Talvez fosse pelo fato de ela ser ruiva como eu. Ou simplesmente fosse implicância minha. Porque ela... bom, ela era ela. A princesa.
Eu perdia todas as minhas manhãs de sábado assistindo ao discurso da rainha em rede nacional. Eu a admirava. A forma como ela tratava as pessoas... não era assim que as rainhas se comportavam nos livros que eu lia. Nessas histórias, elas eram sempre mal-educadas e grosseiras com os demais. Já a nossa rainha, não. Na minha visão, ela simplesmente era perfeita. E às vezes eu até me odiava por ter com ela a mesma atitude que mais achava ridícula nos jovens que endeusavam Ariella.
Havia momentos na minha vida em que eu me sentia como se fosse da família real — mesmo que o mais próximo que já cheguei deles foi quando passaram de carro pela nossa cidade, cumprimentando os moradores. Talvez fosse só ilusão por admirar tanto a rainha. Ou, quem sabe, a paranoia de que eu não era amada o suficiente pela minha família.
Mas meus pais me amavam. Tanto quanto amavam meus irmãos. Minha irmã caçula tem 14 anos, meu irmão mais velho tem 22. Eu, sendo a filha do meio, tenho 18. E como todo filho do meio... eu era a estranha da família.
Nossos gostos eram diferentes em praticamente tudo. Eu não gostava do estilo de música deles, nem dos filmes preferidos deles. E, quando juntávamos toda a família nas festas de fim de ano ou em qualquer outra comemoração, era como se eu não fizesse parte daquilo. Mas, no fundo, era nesses momentos que eu mais me sentia amada.
Meus pais sempre foram observadores. Já havíamos conversado inúmeras vezes sobre isso. No fim, eu acabei acreditando que aquilo tudo era só frescura minha mesmo.
Nossas vidas naquele lugar eram simples. Muitas vezes senti vontade de me mudar para outro país, mas eu amava aquele lugar. Nosso país era habitado por pouco mais de nove milhões de pessoas. Tinha como capital a cidade de Brook — onde eu morava e onde também se localizava o castelo real.
Como em todo país, havia cidades mais favorecidas… e, infelizmente, também aquelas não tão favorecidas. Minha família era o "mais ou menos". Não éramos pobres, mas também não fazíamos parte dos ricos.
Eu, por sorte, poderia mudar o destino da minha família. Essa era, basicamente, minha meta de vida. Sempre fui estudiosa e inteligente, e por isso fui uma das escolhidas para fazer parte do time de alunos da universidade da realeza.
Lá, eu teria que conviver com pessoas com as quais eu não estava acostumada. Inclusive... a princesa. E isso me deixava extremamente desconfortável.
Eu não conseguia entender por que as pessoas endeusavam tanto aquela garota. Talvez por ser ela a nossa princesa, a única herdeira do trono. Mas, ainda assim, não havia necessidade para tanto bajulamento. E é por isso que, no meu subconsciente, ela era conhecida como a Esnobe Ariella.
Desde o nascimento da minha irmã, sempre fomos muito apegadas. Apesar de brigarmos por qualquer coisa, a qualquer momento, tínhamos uma relação aconchegante. E vê-la se despedindo de mim na porta do meu novo quarto na faculdade... nos fez desabar em lágrimas. Por mais que nos veríamos a cada 15 dias, já sentíamos a falta uma da outra.
O quarto era bem grande. Havia duas camas de solteiro, todas forradas com lençol branco, um travesseiro e um edredom igualmente branco sobre elas. Ao lado de cada cama, criados-mudos com um abajur. Em frente às camas, uma estante de livros em forma de parede separava nosso quarto e dava acesso à outra parte, onde havia um balcão e um espelho pendurado sobre uma parede toda rosa. Essa parede separava duas portas: uma para o banheiro e a outra para o closet — que era enorme. Os armários comportariam as roupas da minha família inteira, e certamente ainda sobraria espaço. Ao fundo, um espelho enorme cobria a parede por inteiro. Era fantástico, e eu estava fascinada com tudo aquilo.
Saí do closet e entrei no banheiro, que também não era nada pequeno. Uma parede de vidro separava o box do chuveiro e a banheira de hidromassagem, com uma janela de vidro opaco — certamente quem olhasse de fora não veria nada. A pia tinha duas cubas e outro espelho enorme acima. Uma porta menor ao lado da pia levava à parte onde ficava o vaso sanitário, separando-o da área de banho.
Só aquele banheiro já era equivalente ao tamanho do meu quarto na minha casa. E eu já sentia falta dele.
Com certeza, aquele era o quarto mais chique da universidade. E, por alguns instantes, pulei de alegria por ter tido a sorte grande de ficar ali.
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Obrigada pela leitura e até a próxima. ♡
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Princesa Trocada
FantasyCompletar 18 anos pode ser, para a maioria das pessoas, uma das maiores realizações da vida - seja pela tão sonhada "liberdade", seja pelo simples fato de poder dizer: "agora sou adulto". No caso de Victoria, foi um pouco diferente. Não que ela não...
