06 - Os Enamorados

23 1 2
                                        

16 de Julho de 2001 |8 horas

Silvinho é dono de um mercadinho há vinte anos no Terminal de ônibus do Guadalupe, ele sempre foi o modelo de trabalhador dedicado e sempre atendeu os seus clientes com satisfação e respeito, até mesmo os bêbados que ficam em volta do terminal, no seu passado não existem máculas, exceto quando jovem assaltou um pequeno bar na sua cidade natal, ocasionando sua vinda para Curitiba para fugir da culpa que o assombrava.

Ele entende que todos podem recomeçar e que ninguém é obrigado a viver como um condenado.

16 de Julho de 2001 | 16 horas

"Segurem essa moça!" Grita Silvinho, dono do mercadinho.

Enquanto ele grita, a multidão observa com curiosidade uma menina de cabelos pretos, usando um moletom com mangas mais compridas que seus braços e um jeans surrado, o que dificultava a sua fuga de algo que ela, provavelmente, não deveria ter feito. E mesmo chamando a atenção, ela corre exasperada e decidida tentando pegar o ônibus a tempo e fugindo velho que gritava a pleno pulmões. Debaixo de seu braço está sua mochila e ela a segura firmemente, quem a olha com atenção notará que está fugindo do homem por causa das coisas que roubou e que estão na mochila.

O ônibus parte, ela corre e não hesita em esmurrar porta e xingar até que o motorista pare e abra para entre. Todo a olham, recriminando suas ações, ignorando os olhares de reprovação, joga o dinheiro da passagem para o cobrador, suspira profundamente por ter conseguido escapar.

O veículo recomeça a andar, segura a mochila como se fosse algo valioso, olha para as pessoas ao redor e procura um lugar para sentar. Na dúvida entre sentar ao lado de uma senhora evangélica que a olhava com ar de superioridade e sentar se ao lado de um rapaz usando um terno elegante e caro demais para aquele ônibus, ela opta por sentar ao lado do rapaz e nota que ele embaralha cartas concentradamente.

A moça olha para ele com desconfiança e somente consegue pensar sobre o que o rapaz está fazendo embaralhando cartas dentro de um ônibus e repara como suas mãos são delicadas e com dedos longos, mas entende que é melhor descansar, abre sua mochila e olha as cervejas que roubou como se contasse para saber se pegou a quantidade que desejava. Rapidamente, abre uma lata e bebe tudo de uma vez. Ela relaxa e estica as pernas, nesse momento nota que o moço ao seu lado continua embaralhando as cartas, tirando uma aleatoriamente do maço e analisando com atenção, ela não tem certeza, porém acredita que ele está murmurando algo enquanto olha a carta. Nesse instante, o rapaz derruba uma carta que esbarra nela e cai no chão.

Ele inclina o corpo e olha com uma expressão que sugere ela deva pegar a carta. Ela apanha a carta e repara que é algo diferente, nesse momento sente uma forte vontade de puxar assunto, tentando começar uma conversa pergunta em um tom de voz curioso:

"Isto é por acaso cartão telefônico?"

"Não! É uma lâmina de Tarô, apesar de que é possível receber mensagens através dela." Responde, sem pressa de pegar a lâmina.

Nesse instante, ela percebe como o rosto do rapaz é belo, porém não de uma beleza ordinária e sim algo singular.

"Ah! Pensei que fosse!" Comenta, apalpando a carta com curiosidade, percebendo suas divisões em alto relevo, mas não deixa de olhar de relance para o sorriso adorável do rapaz.
Sua intenção era conversar, pois sempre se lembra de sua mãe que, aonde quer que fosse, fazia amigos e isso acabou rendendo uma bela história de amor. Essa história que sua mãe viveu, serve como inspiração para continuar vivendo.

"Não é, mas se precisar, eu tenho um." Diz o garoto, mostrando um sorriso gentil.

"Deixa pra lá, não teria como devolver, mas obrigada de qualquer forma."

You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Sep 30, 2017 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

HospitalStories to obsess over. Discover now