PRÓLOGO

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     Depois de cinco anos estou voltando para a casa dos meus pais. Estou escolhendo um teto em cima da minha cabeça do que à liberdade de minhas próprias escolhas. Até parece que falando assim meus pais parecem pessoas más, mas é o oposto, são pessoas muito boas e que nesse momento mais uma vez estão me estendendo a mão. Mas qual é, eles são pais e pais adoram se intrometer na vida de seus filhos. Claro que os meus não podiam ser diferentes.
     Tenho vinte quatro anos, muitos vão dizer que vinte quatro anos não é muito e que existem pessoas muito mais velhas morando com os pais ainda. Sim é verdade. Mas no meu caso achei que eu nunca voltaria. Achei que eu só estaria de volta para uma visita e não por tempo indeterminado.
     Sei que estão se perguntando qual é da minha revolta. Não, meus amigos não à revolta nenhuma nessa história. Bom, talvez uma.
     Uma que envolve que à um dia atrás eu era uma mulher casada, uma mulher cheia de planos e apaixonada por seu mundo. Uma mulher cheia de amigos, com um trabalho e uma casa cheia de suas coisas. Grande detalhe não é mesmo?
     Tudo bem que foi uma decisão minha, mas eu não poderia ter tomado qualquer outra. Na verdade eu não tinha muitas opções, talvez uma mas não era a certa.
     Agora estou aqui, à uma hora sentada no meu carro olhando para a casa dos meus pais. Eles sabem que eu estava vindo mas  ainda não tive coragem de entrar.
     Não estou chorando, não estou com raiva. Estou anestesiada, por um lado acho que ainda estou em choque.
     Depois de sentir minha costa reclamar da mesma posição saio do carro e pego as duas malas e uma mochila que trouxe. Que situação, depois de cinco anos e tudo que eu tenho está dentro dessas malas.
     Bato na porta e vejo um lindo homem alto de cabelo baixo estilo militar e um sorriso branco no rosto ao me vê. Ele me pega e me dá um abraço de urso. Por reflexo deixo a mochila cair no chão ao lado das malas.
—  Como está maninha?  — Alguns irmãos não são tão amáveis uns com os outros mas Deus me deu um que é o amor da minha vida e que só me faz bem, além de ser meu maior confidente e o único que sabe de toda a verdade.
— Estou bem. Digo enquanto o abraço apertado tira o resto de ar dos meus pulmões, eu não reclamo na verdade eu preciso disso.
     Carlos me solta mas continua com as mãos nos meus ombros, ele olha através de mim, ele me conhece mais do que eu mesma.
— Quando mamãe te der um tempo pra respirar venha conversar comigo e me contar tudo o que passa nesse seu coração de gelo mais que na verdade é uma maria mole.
     Sorrio e é um sorriso verdadeiro, nada melhor do que ter uma pessoa que nos ama de verdade ao nosso lado. — Mas depois minha querida porque em três, dois, um. — Ele abre passagem para mim e minha mãe surge atrás dele.
     Carlos sempre me surpreende com seu bom humor, é um ano mais novo que eu mas sempre acaba sendo o verdadeiro irmão mais velho. Minha mãe quando me vê abre um sorriso e vem correndo pra me dá mais um abraço de urso, o seu cheiro e a familiaridade tomam conta dos meus pulmões e me sinto por fim protegida. Sinto uma vontade imensa de chorar, mas não tem qualquer indício que as lágrimas iram aparecer "melhor assim". Por fim meu pai também aparece e me envolve nos teus braços. O que posso dizer, essa família adora um calor humano.
     Depois do que parece ser horas estou realmente dentro da casa dos meus pais e depois de dizer várias vezes que estou bem, enfim estou dentro do meu ex quarto, na minha ex cama, olhando para essas quatro paredes que souberam todos os meus segredos até os dezoito anos e agora parecem tão estranhas para mim.
     Me deixo encostar no travesseiro esperando as lágrimas chegarem mas elas não vem. Ouço uma batida na porta e me mantenho na mesma posição, não tenho muita força então prefiro ficar quieta.
— Júlia? A voz suave da minha mãe preenche o quarto. Olho pra ela ainda deitada e ela está segurando uma caneca e pelo cheiro delicioso é café. — Acabei de passar um café, está fresquinho e como eu sei que você gosta de um bom café.
     Me sento e pego a caneca que ela está me oferecendo. O cheiro do café enche meu coração com um pouquinho de amor minha mãe sabe o que faz, por isso ela é a mãe.
— Querida, eu sei que essa história não é fácil para você mas eu te conheço e sei que é uma mulher forte e logo esse coração vai está curado.
Olho pra ela por cima da caneca, termino de tomar meu café e digo à ela pela milésima vez hoje que estou bem. Gostaria de poder te dizer mais coisa. Mas essas palavras estão em modo piloto automático e não consigo dizer mais nada.
     Depois que minha mãe se dá por derrotada e percebe que não vai arrancar nada de mim, ela me deixa sozinha com meus pensamentos e minha memória.
Como gostaria de esquecer tudo, como gostaria que as imagens desaparecessem. As lágrimas chegam e são muitas, não consigo mais controlar.

Escrevendo minha própria história Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora