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14:59. O silêncio dominou completamente a sala de aula, os olhares de cada veterano se fixavam no relógio. Ninguém piscava. Os batimentos cardíacos foram reduzidos a um por segundo, um para cada movimento do ponteiro vermelho. E antes do último movimento todos prenderam a respiração e esperaram o som que daria início ao futuro de cada um deles. E no segundo seguinte, ele veio.
O sinal quebrou o silêncio. Seu som estridente não era nada comparado aos vivas e gritos dos alunos, ou melhor ex-alunos. Uns riam alegremente, outros já choravam de saudade, mas dois, em especial, chamavam atenção.
Todos naquela sala tinham planos. Ju iria para a faculdade de medicina, Rafa iria assumir o negócio da família, Fe apenas iria sair daquele fim de mundo que chamavam de cidade. O único plano que Eduardo tinha era ficar com Raquel. E Raquel, sem qualquer tipo de dúvida, correspondia o namorado.
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Há oito anos, o menino de cabelos loiros e olhos azuis acordou no meio da noite ao som dos miados de Eliot, o gato do irmão mais novo. Já cansado desse maldito gato decidiu que era hora de dar um fim nele,mas assim que atravessou a porta que dava para o jardim, viu que alguém já fazia isso por ele.
O pelo de Eliot, antes branco, estava rosado e a região da barriga estava manchada de vermelho vivo. Esse mesmo vermelho estava nas mãos e na saia de uma garota que sorria alegremente.
Eduardo não esperava tal presença em seu jardim a essa hora da noite. Pensou em sair gritando pela casa, em acordar os pais, mas não o fez. Alguma coisa naquela garota o fascinava. Seria o contraste entre a pele branca com os cabelos e olhos negros, ou seria a fissura da menina com
o sangue que a deixava tão alegre. Ele não sabia. Mas o que fez a seguir foi uma coisa que feria pelo resto de sua vida, ficou ao lado dela e a ajudou.
Eliot foi o primeiro dos nove animais torturados pela dupla, que mais tarde se tornaria um casal. O coelho Zap foi o último.
Não houve motivo para parar com a tortura. Não houve flagrante, não houve denúncia, não houve ressentimento. Eles apenas pararam. Mais tarde, sendo destino ou não, eles descobriram que se juntasse a primeira letra do nome de cada animal torturado formaria a frase que inicia qualquer conto de fadas, "Era Uma Vez".
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-Você está atrasado - disse Raquel sem desviar o olhar da paisagem.
Tanto a família de Raquel quanto a de Eduardo eram contra o namoro dos dois. Os pais de Eduardo achavam que ela era má influência para ele, já a mãe de Raquel pensava o contrário.
Por esse motivo os dois sempre se encontravam no topo de uma colina na entrada da cidade. E por mais que a cidade onde moravam fosse uma merda, a vista era linda.
- Tenho uma surpresa pra você! - disse Eduardo animado - Feche os olhos.
Raquel hesitou mas fechou e pela mão ele a guiou até onde a tal surpresa estava.
Surpresa!!! - um sorriso enorme estava estampado em seu rosto ao mostrar o carro que acabara de comprar.
- O que pretende fazer com esse carro?
- Ir embora desse lugar. Hoje, as oito da noite, esteja pronta. Então começamos a escrever. O que você prefere?
- Felizes para sempre.
- Certeza? Parece que que nossa história terminará após escrever isso.
- Não terminará. Será apenas um novo começo.
As oito da noite, como haviam combinado, ele estava na porta da casa da amada, mas nada dela aparecer. A mãe dela jamais a deixaria ir. A discussão das duas podia ser ouvida no final da rua. Eduardo impaciente ficava encarando o relógio
20:11
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20:14
Os gritos cessaram. Raquel bateu à porta da frente de casa o mais forte que conseguiu e seguiu em direção ao carro.
- Como ela descobriu? Perguntou
o menino
- Não sei. Julia, provavelmente.
Mesmo não tendo certeza, ela sabia que tinha sido a irmã que foi fofocar para a mãe. E ela estava certa.
Fábia ficou sabendo pela filha mais velha que a caçula iria fugir com o namorado. Julia disse a mãe que viu a irmã fazendo as malas e que também viu quando Eduardo comprou o antigo carro do Sr. Manuel da padaria. Fábia, que tinha feito o possível e o impossível para impedir tal namoro, jamais deixaria a filha fugir desse jeito. Saiu mais cedo do trabalho e foi direto para casa o mais rápido que pode e chegou a tempo de tentar impedi-la. Tarefa em que falhou terrivelmente.
- Como você se livrou dela?- não conseguindo conter a curiosidade ele perguntou
- Digamos que já temos nosso "F".
Um sorriso alegre surgiu em seu rosto ao lembrar das três facadas que deu em sua mãe. A primeira perfurou os intestinos, a segunda o fígado e a última perfurou o estômago.
O sorriso dela fez com que ele sorrisse. E com a imagem de sua querida sogra morta na cabeça, ele deu partida e acelerou o carro. Sem olhar para trás, os dois deixaram tudo para trás e foram escrever seu final feliz.
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F

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