Prólogo

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01\01\1800

Glass Village

Trovões.

Era tudo o que podia se ouvir naquele fim de tarde, o ano havia começado frio, o céu estava cinzento, quase negro, transformando um meio de tarde em praticamente noite, uma grande tempestade ameaçava cair.

Mas, naquele dia a atenção da família Crawford ia totalmente para o maior quarto da mansão e para Amélia Crawford.

Quando a noite chegou – fria e com sua escuridão que tortura o sono das crianças – todos que residiam na mansão foram até o quarto para conhecer a garotinha que acabara de chega ao mundo e por mais horrível que seja dizer isso, ninguém, nem mesmo os próprios pais da menina sentiram uma gota de amor por ela.

17\06\1800

Glass Village

Era um típico dia de inverno, o céu estava cinza, com nuvens tão densas que poderiam engolir qualquer coisa que ousasse toca-las. O vento frio passava pelas calhas das casas e arrastava as folhas do chão, fazendo um barulho que Alyson sempre achou irritante.

Ela tinha sobrevivido a mais um dia no inferno – também muito conhecido como Colégio Católico de Glass Village - e agora dava curtos passos para enfrentar o purgatório, era assim que descrevia a sua casa e a vida ao lado dos pais. Aliás, era assim que descrevia sua vida em Glass Village, um vilarejo não muito grande, mas muito elegante, a maior parte dos nobres residiam na pequena cidade, cada família exibindo uma linda mansão vitoriana e zelando o nome de sua família, os camponeses moravam nas fazendas nos arredores da cidade, que apesar de pequena tinha muitas influências comerciais graças à sua família.

Os Crawford eram uma família muito influente em Glass Village, eram donos das maiores fazendas nos arredores da cidade e exportavam grande parte do que produziam, fazendo assim sua fortuna, eles eram conhecidos como inquebráveis e insensíveis, nem mesmo o fato de Amélia e Henry Crawford terem uma "filha louca" abalava a pose da família.

Alyson era diferente deles, não só na personalidade, mas na aparência, sua mãe tinha adoráveis cachos castanhos, olhos da cor do mel, uma pele bronzeada e apesar da idade ainda era uma bela mulher, porém, além de educada Amélia era extremamente rígida e seguia à risca os conceitos de ser uma dama de alta sociedade.

Seu pai sempre tivera cabelos loiros e olhos verdes, era um homem afiado para os negócios e mantinha o nome da família impecável.

Alyson tinha densos cabelos escuros e ondulados e olhos quase tão escuros, era pálida e tinha uma beleza incomum, quase angelical. Apesar de ser muito bonita, Alyson nunca chamou a atenção, nunca soube de nenhum garoto que estivesse cortejando-a, talvez fosse por ser a ovelha negra da família Crawford, embora ninguém tenha dito isso a ela diretamente.

Com certo esforço ela abriu o grande portão de ferro da mansão, muito bem fabricado e de muito bom gosto, assim como o resto da casa, um enorme casarão vitoriano.

Ao passar pelas portas de madeira muito bem polidas, se deparou com a grande sala da casa vazia, ou aparentemente vazia, a sala tinha um ar delicado e elegante, com uma grande lareira no centro onde duas poltronas vermelhas-escarlate repousavam, no lado direito da sala havia um grande e reluzente piano preto que ficava ao lado de uma enorme janela coberta no momento por uma elegante cortina roxa, na parede atrás do piano se encontrava um quadro que continha uma bela paisagem do jardim da mansão, o piso era de madeira pintado de branco assim como as paredes, nas laterais da lareira feita de mármore desciam duas escadas.

Apesar de a sala ser muito bonita, não era o lugar preferido de Alyson era claro demais e todo aquele branco machucava seus olhos.

Ela subiu as escadas e foi direto para seu quarto, outro cômodo grande da casa – que assim como a sala, tinha uma enorme lareira de frente para a cama – esta por sua vez era feita de mármore negro, a cama de Alyson era de madeira pintada cuidadosamente de preto, as paredes eram brancas e o chão era de madeira preta também. A mobília do quarto era delicada embora fosse meio gótica, uma penteadeira repousava a poucos centímetros da cama, de frente para a grande janela uma linda escrivaninha tinha sido colocada e havia um grande espelho ao lado da lareira, na parede da porta havia um enorme guarda-roupa e para finalizar a decoração, um tapete circular preto com detalhes roxos enfeitava o centro do quarto, tudo muito bem organizado.

 A Garota das Sombras (Em Revisão)Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora