Ele estava com marcas de velhice em seu rosto, seus olhos azuis não tinham o mesmo brilho de quando ele era jovem. Sua vida tinha sido ótima, casou-se, teve filhos; filhos que te deram netos, netos que te deram bisnetos. Ele tinha perdido todos os amigos, inclusive Bucky, que fora morto em uma missão, décadas atrás. Estava à beira da morte, não havia o que fazer. Esperar era a melhor opção.
Familiares estavam tristes, mas com um alívio no peito ao saber que ele não sofreria mais. O padre chegou no hospital, Steve estava ligado à máquinas, que logo desligariam, assim como seu coração.
Morrer de velhice deve ser a melhor morte, sem dor, sem sofrimento, com uma vida cheia de histórias que passarão a serem contadas, de geração em geração. Sua vida tinha sido extraordinária, mas não tinha ela. Ah, ela, a dona do sorriso mais bonito do mundo, a dona dos olhos que no escuro brilhavam como estrelas, a dona do melhor beijo do mundo, Peggy Carter.
Meio rude da minha parte dizer que ele viveu uma vida inteira enganando sua mulher. Ele a amava também, mas nunca a amou tanto quanto Peggy. Infelizmente viveram suas vidas separados, eram almas gêmeas, perfeitos um para o outro.
O padre entrou no quarto, pronto para dar os pêsames à família. Todos choravam, mas Steve sorria. A respiração falha, o som das lágrimas caindo no chão, os sentimentos do padre nas palavras, isso era o melhor presente que ele poderia receber: ver que eles o amavam.
Sua visão começou a ficar turva, pessoas desapareceram.
Rogers estava jovem, com seus 20 e poucos anos. Ele estava sozinho, com sua roupa do exército. Steve estava normal, até que ela apareceu. Peggy estava com o mesmo vestido vermelho que ela usou no dia em que eles se declararam. Ela chegou perto da cama e estendeu sua mão para que Rogers pudesse se levantar dela.
Os batimentos dele começaram a diminuir, o padre encurtava a oração, as pessoas rezavam, tudo isso enquanto ele se ia.
-Agora nós podemos ir.-Ela disse puxando ele para fora do hospital.-Para a eternidade!
-Para a eternidade!-Steve disse sorrindo.
E em um piscar de olhos, as máquinas apitaram em um som agudo, os parentes choravam mais, ele não respirava nesse momento, agora tinha ido para um lugar melhor, com as pessoas que o amavam, e com a mulher de sua vida, que o esperou todo esse tempo. Com certeza.
