02- Olhos cor de mel

19 1 2
                                        



Eu estava entorpecida em um sono leve que logo foi interrompido por um barulho extremamente incomodo e repetitivo, me forcei a abrir os olhos e desligar o aparelho que me deixava completamente irritada, grunhi me levantando com dificuldade até o meu banheiro e não pude deixar de perceber a terrível preguiça também do sol de se levantar, pela janela via-se apenas uma pequena claridade.

Tratei logo de tomar uma bela ducha, me despi e sem pensar me atirei em baixo da água sem vacilar, minha mãe sempre me dizia "Nada como um bom banho frio logo bem cedo." Nunca gostei muito da ideia, mas me matinha bem acordada.

Enrolei-me na toalha ainda com frio e me apresei para me vestir.

Coloquei um jeans azul, uma regata branca acompanhada de uma jaqueta em tom verde musgo, e meu inseparável tênis branco, soltei minhas madeixas loiras e fui até a cozinha.

Sentia falta de acordar e dar de cara com o cheiro de café pela casa, devido a faculdade ser na capital do estado do Rio de Janeiro precisei alugar um apartamento e me mudar da cidade do interior onde eu e minha família morávamos, agora eu me resumiria a vistas e telefonemas.

Encontrei meu celular na mesa da cozinha ao checar à hora percebi que chegaria atrasada para meu primeiro dia de aula na faculdade não daria tempo de fazer um café, sai com pressa pegando apenas minha bolsa e a chave do carro que estavam no sofá.

Tranquei a porta do meu apartamento e corri até o elevador, por sorte estava vazio desci até o estacionamento do prédio e localizei meu carro.

**

O estacionamento da faculdade estava lotado foi complicado encontrar uma vaga, mas finalmente consegui.

Sai do carro e abri a porta do passageiro para pegar minha bolsa, comecei a vasculhá-la em busca do celular, quando enfim encontrei disquei o numero já decorado da Tália.

Esperei alguns toques enquanto caminhava até a entrada do grande prédio.

— Tália, onde você esta? – Perguntei andando e ainda sim buscando encontrar a Tália.

—Já estou aqui na entrada, esperando você atrasada como sempre. – Falou irritada.

— Estou chegando, tchau. – Desliguei.

Continuei caminhando até encontrar uma Tália impaciente no topo de uma escada imensa que levava a um belo prédio antigo repleto de vitrais, o enorme jardim que ia até a entrada da faculdade possuía uma grama incrivelmente verde e em alguns pontos estratégicos havia estatuas antigas muito bem conservadas.

—Até que enfim você chegou sabia que ainda temos que passar no departamento do nosso curso pra pegarmos o horário e a sala? – Ela já falava me dando as costas.

— Sim eu sabia, então podemos ir agora ou ainda tenho mais um sermão para receber? – Perguntei irônica.

— Vamos engraçadinha. – Ela me puxou e começamos a andar.

Caminhamos por um longo salão com um piso espelhado em um tom de bege e figuras geométricas em tons mais escuros, um pouco mais afastado do centro do salão havia uma enorme escadaria branca com um corrimão extremamente bem esculpido, em cada lado da imensa escadaria havia dois elevadores dando um toque de modernidade no grande espaço.

A Tália me arrastou até o elevador da direita que estava aparentemente mais vago, entramos quando já estava para se fechar, a porta era de vidro então eu tinha uma ótima visão de todo salão, o teto com uma pintura antiga estilo barroco. Teria aproveitado mais a visão se eu não fosse atormentada pelo me terror por altura.

Saímos do elevador e começamos a caminhar pelo longo corredor que possuía grandes janelões que eram trabalhos em sua borda da mesma forma do corrimão da escada.

Encontramos na parede um quadro, era o mapa da faculdade com a localização de cada departamento.

— Ótimo, o meu ainda é nesse corredor. – Falei olhando para os lados analisando o corredor.

— O meu também, mas é do outro lado. – Tália falou olhando com preguiça para o outro lado do prédio.

— Bom é isso, te vejo no fim das aulas. – Falei ando um beijinho rápido na sua bochecha e me virando rapidamente.

— Isso deixe a sua amiga em busca do seu departamento sozinha.

Virei-me mandando um beijinho cínico para ela, continuei andando e olhando para as identificações na portas.

243,244,245,246,247,248,249,250,Departamento de direito.

Abri a porta e lá encontrei uma grande mesa redonda de madeira escura com alguns banquinhos da mesma madeira, por cima da mesa havia vários tipos de planfetos provavelmente destinado as atividades relacionadas ao curso, depois da mesa havia outra sala separada por um vidro que ia do teto ao chão imitando uma parede.

Passei pela mesa e entrei na outra sala, que continha outra mesa em forma de "L" combinando com a anterior,mas dessa vez retangular sob a mesa tinha varias pastas, papéis e um computador preto com designer moderno, mas não havia ninguém na sala, olhei ao redor e só pude notar estantes com grandes pastas com identificações.

— Posso ajudar? – Uma voz se pronunciou atrás de mim me fazendo pular. — Me desculpe não quis assustar. – Agora ela havia passado para minha frente ela era uma mulher negra, alta e um pouco rechonchuda, usava uns óculos de armações retangulares vinho e que possuíam uma cordinha ligando uma extremidade à outra assim ela poderia deixar os óculos repousando no seu pescoço, usava também uma saia longa com estampa colorida e uma camisa também estampada. Ela aparentava ser bem simpática.

— Na verdade sim, sou aluna do primeiro período de direito e queria solicitar meus horários. – Falei um pouco tímida.

— Claro querida, sente-se. – Ela disse apontando para a cadeira que ficava de frente para a sua mesa.

Sentei-me e ela logo começou a procurar algo no computador.

— Me diga seu no completo, por favor. – Pediu

— Aurora di Castro Bitencourt. – Pronunciei.

— Aurora? Nome muito bonito. – Ela falou tirando sua concentração da tela do computador e se voltando a mim.

— Ah, obrigada era o mesmo nome da minha vó. – falei lembrando-me do tempo em que minha vó ainda vivia.

—Bom, Aurora aqui está, só vou imprimir para você, um instante. – Ela falou virando a cadeira de rodinhas que estava sentada para a outra extremidade da mesa.

Logo ela se levantou e me entregou uma folha retirando os óculos da face e deixando repousar do pescoço.

— Seja bem vinda a nossa faculdade.

— Obrigada... Sara. – Só agora havia notado uma placa prateada em sua mesa e logo abaixo do seu nome havia "coordenadora".

Ela riu do meu feito.

— Até mais Aurora, ainda vamos no ver muito durante esses anos.

Sorri para ela e sai andando do local em busca finalmente da minha sala e de acordo com o horário eu já estava atrasada. Olhei o papel e constatei que minha primeira aula seria de Antropologia social e jurídica e a minha sala seria a 243.

Caminhei pelo corredor até avistar a minha sala, parei em frente à porta a encarando tomando coragem para bater, a partir de agora tudo seria diferente, fechei os olhos e respirei fundo.

Sem me dá conta uma pessoa atrás de mim bate duas vezes na porta, me assustando.

— É só bater na porta, ela não vai abrir sozinha boneca. – Olhei para trás em um impulso e dei de cara com um par de olhos cor de mel me encarando.


You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Aug 04, 2016 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

Dangerous SafeStories to obsess over. Discover now