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Nossa história começa, há 66 anos, nos anos dourados, muito tempo não é mesmo?! Pois bem, em minhas memórias, é quase nítida, quando Sputnik II coloca em orbita da Terra o primeiro ser vivo, a cadela Laika, ou até mesmo, quando Elizabeth II torna-se rainha da Inglaterra. Mas o fato é, minha maior e se for possível dizer, a melhor lembrança, é quando Louise Marie entra em minha sala na 8ª série, sala A.


Tinha apenas 15 anos, ela vinha da França, para até então pousar na casa de sua Tia Elena. Não imaginava que o futuro reservava algo bem maior, para ela, ou melhor, para nós. Algo inefável, era saber que Louise, era sobrinha da empregada de minha mãe. Morávamos á poucos metros da escola Luíza Maria, onde estudara até nos formarmos, mas devo nesse momento contar o que acontecera no dia em que Louise veio estudar em minha sala.


Era outono, as folhas de Plátanos caiam ao chão com um toque suave, naquela manhã, acordei-me atrasado para ir á escola, mas mesmo assim não deixei de tomar o café da manhã, e em correria, com uma bolacha amanteigada na mão, acordei minha mãe, para que me levasse para o colégio, tal atitude foi inútil, pois minha mãe amava conversar depois de ter acordado, e durante nossa viagem até a escola, ela não parava de falar, e eu não entendia nada do que saia de sua boca, para uma vasta atenção a ela, escutei apenas que a empregada traria sua filha para morar conosco, e era meu dever recebê-la após o colégio, naquele momento apenas concordei com a cabeça. Ao virar a próxima esquina, já era possível avistar o colégio, pedi benção para minha mãe e em uma fração de segundos ela parou o carro, e desci, no fundo como um zumbido, escutei minha mãe gritando:


-Lucas! Você esqueceu seu lanche!


Mas já era sem tempo para voltar, e ela falaria mais mil coisas da qual não estava a fim de ouvir. No portão da escola, era possível ouvir o sinal bater, deixando meu coração mais disparado. De longe avistei o diretor na porta, impedindo os demais atrasados a entrarem na escola, tal situação me deixou cego, e me esbarrei em uma moça, ela estava desesperada por ter que voltar para casa, puxei-a e disse:


-Venha comigo!


Meu atraso para colégio não era algo primário em meu histórico, demos a volta pelo colégio, e pulamos a janela do banheiro, depois de já ter pulado, notei que estava no banheiro feminino, à primeira reação das garotas presentes era gritar chamando a atenção do supervisor que ficara em sua sala ao lado.


-Então estava no banheiro feminino Sr. Ockerman?! Argumentou já estando-nos a sua sala.


-Me enganei de banheiro senhor!


- Com 20 anos trabalhando nessa escola, é a primeira vez que escuto alguém falar que entrou no banheiro feminino por engano! Devo ligar para seus pais Sr. Ockerman?


-Não senhor, não farei novamente!


Ele me dispensou, para que eu fosse para a sala, nesse meio tempo me perdi da garota que me acompanhava.


Já na sala, pedi autorização para entrar na aula de línguas estrangeiras, e ela permitiu, pegou o papel de minha mão, abriu uma de suas gavetas e jogou-o lá, juntamente com os outros papeis dos quais apenas com meu nome eram preenchidos. Sentei-me na primeira carteira em vista, e por pura sorte, a 1ª carteira da 2ª fileira, da qual não me incomodaria com cabeçudos, nem tão pouco com baderneiros. A aula começara há cinco minutos, mas foi atrapalhada pela segunda vez, sendo que a primeira foi por mim. O diretor trouxe a sala uma aluna nova, reparei o quanto aquela garota era bela, seu jeito meigo era encantador, e como uma orquestra sinfônica, um mar de suspiros foi dado pela moça. Só então percebi que a garota que entrou escondida no colégio comigo, era a mesma presente em minha frente.

Eternamente LouiseWhere stories live. Discover now