Acabei de chegar em Munique e estou indo para a casa dos meus pais. Ainda não me acostumei com a ideia de ter que me mudar de Paris, ainda não acredito em tudo o que me trouxe aqui, e como as coisas mudaram de repente. Eu preciso de tempo para digerir tudo isso.
Estava no táxi, repensando em todos os acontecimentos, quando senti uma batida forte vindo da lateral. O carro rodou algumas vezes e parou num poste – não que eu tenha tido essa percepção na hora, mas ao sair vi o estrago.
A primeira coisa que eu pensei foi em sair dali. Eu tinha certeza que havia sido o Henrique, eu precisava fugir. Sai mesmo cambaleando, não que eu estivesse ferida, o cinto me protegeu, mas o susto me deixou zonza.
– Você está bem?
– O que? – me virei.
– Você está bem?
– Estou, eu acho – eu não sabia quem era, mas não parecia alguém que o Henrique mandaria me matar.
– Espera, fica aqui que você precisa de atendimento médico, eu vou ver se alguém se machucou – ele me encostou na parte de trás do táxi e saiu.
Minha cabeça girava, eu estava com medo. Não sabia ainda ao certo o que havia acontecido.
– Você tem certeza que não bateu a cabeça ou se machucou? – o homem falou ao retornar.
– Foi você que bateu na gente, não foi?
– Eu perdi o controle.
Era tudo que eu precisava saber. Que alívio. Pela prestatividade dele, ele não poderia ser alguém ruim.
– Tenho, tenho certeza que não me machuquei – disse após respirar fundo.
– O taxista também não.
Logo policiais chegaram, rebocaram o táxi, a ambulância levou o taxista para o hospital para fazer alguns exames e eu, após checarem que estava tudo bem, esperei. O Manuel – agora eu já sabia o nome de quem tinha feito tudo isso – estava indo embora quando voltou e veio falar comigo.
– Você estava indo pra onde?
Dei o endereço e ele respondeu:
– Eu posso levar você? Estou indo para o mesmo lugar.
Não, entrar num carro com um estranho não era a melhor opção atualmente, mas pelo o que percebi, ele não é um desconhecido por aqui e ficar plantada esperando outro táxi é uma opção pior ainda.
– Se não for atrapalhar ou incomodar, eu aceito sim. Eu preciso, na verdade.
_______________
Deixe seu voto!
KAMU SEDANG MEMBACA
MANULICE
Fiksi PenggemarAlice: 23 anos, recém formada em arquitetura, trabalha na empresa do seu namorado, ou melhor, trabalhava. Ela tem um desafio pela frente: escapar do passado e tentar se refazer dentro de um novo futuro. Alice foi surpreendida com o lado desconhecido...
