Jhey

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Lá estava ela - a garotinha de cabelos negros que caiam sobre os olhos de um azul tão claro quanto o céu limpo de uma manha ensolarada -, sentada numa cadeira branca, nada diferente da decoração ao redor, sem nem conseguir tocar o chão com os pés.

Ela já havia se assustado antes, num médico talvez, ou até mesmo em um lugar presente apenas em suas lembranças - um lugar com pedras gigantes e escrituras das quais ela não sabia o significado -, mas, ali, as coisas eram muito piores...

São poucos os que se assustam com uma simples sala branca, mas para ela era diferente... Passou a semana ouvindo como aquilo mudaria sua vida - de um modo que ela nem imaginava como -, se agisse da maneira certa. Para uma criança de três anos - ainda mais uma como ela: uma vampira trapalhona, que mal tem suas presas de leite e que adora pregar uma peça nas tias da cantina -, isso era quase um choque.

- Jheiny! - Chamou uma voz doce, feminina e cantarolante ao abrir a porta - Olá, querida! Nós... - a mulher fez uma pausa, analisando os olhos medrosos da menina. E sorriu, confirmando com a cabeça para si mesma - ...somos seus novos pais! - Completou de forma natural, como se sempre fizesse aquilo, afinal, ela fazia. Então voltou a sorrir, mas dessa vez mostrando suas presas brancas e afiadas.

14 Anos Depois


A festa era do modo que eu gostava: bebidas, música alta, drogas e - o que eu considerava a melhor parte de tudo aquilo - muito sangue fresco.

Tudo bem que todas as festas de Miami eram assim, porém, as que eu ia, tinham uma diferença: não eram só humanos que participavam das festas. Na sua maioria eram vampiros festeiros, mas conseguia sentir o odor de cachorro molhado dos lobos por aqui, ou o doce cheiro de magia que me enjoava, por ali.

Terminei de beber a garrafa de Whisky e, quando vi que a garrafa estava vazia, joguei-a de lado no chão.

Passeio pelo cômodo que, constatei - pelo sofá sujo de gozo que saía das camisinhas deixadas de lado pelos usuários -, deveria ser a sala. No entanto, parecia mais um bordel, com dançarinas em cima das mesinhas presentes ali, tirando a roupa de um jeito entedioso e nada sexy - com toda certeza conseguiria fazer melhor, apesar de abominar o mesmo, mas pra que atrapalhar as risadas do único grupo de garotos que parecia estar sóbrio, encostados na parede das escadas?

Olho ao redor novamente - à procura dos olhos verde-desbotados e levemente avermelhados pelo baseado fumado -, da pessoa que vivia descolando aquelas festas pra mim.

Mas Drake não estava em lugar nenhum.

Vou para as escadas - mandando um olhar matador pros três garotos que encararam minha roupa com desejo enquanto coçavam o saco - e as subi. Provavelmente ele estaria em um dos quartos comendo uma garota qualquer.

Passei pelos corredores, onde a música já não estava tão alta e os gemidos forçados - daqueles que as mulheres dão só para satisfazer os homens - são facilmente ouvidos por detrás das portas.

Na ultima porta, que dava pro quarto dos donos da casa - não me pergunte quem são -, ouvi a voz de Drake numa risada forçada pós-sexo.

Ri também e bati na porta, fazendo-o reclamar e ir abrir.

- Não sei se você percebeu, mas esse quarto está ocupado! - Começou, provavelmente antes de perceber que era eu quem havia batido. - Ora, ora. Não sabia que você gostava de um ménage à trois, Cart. - E sorriu de forma descarada, mostrando suas presas de lobo que deviam ter descido pela excitação que ele havia tido.

Apenas revirei os olhos.

- Cala a boca! - Exclamei antes de ouvir a cama ranger, uma garota impaciente em cima. - Aliás... Quem está aí com você!? - Abri a porta, vendo um corpo excessivamente magro e branco, coberto pelo lençol; cabelo cortado um pouco abaixo da orelha e tingidamente loiro. Volto a olhar Drake com minha sobrancelha direita erguida.

The Supernatural School - The Eight WarriorsStories to obsess over. Discover now