Eu tinha um namorado. Sim, tinha. Ele morreu. De câncer.
Talvez o câncer seja a doença do século, a mais temida doença, mais até que a AIDS. Exagerando ou não, é o que eu penso. E vocês irão me achar a pessoa mais horrível, mais sem coração do mundo quando eu disser que para mim, o câncer não é uma doença horrível e sim uma coisa boa.
OH!
Essa foi a reação geral, tenho absoluta certeza.
Gosto de analisar as pessoas. E aprendi isso quando namorava Nick.
Nick era o amor da minha vida. Clichê, mas é a mais pura verdade. Ficamos juntos durante dois anos até ele me deixar.
Nick tinha câncer. Nos olhos. Depois de duas cirurgias ele ficou cego de vez, o índice de câncer diminuiu, mas não desapareceu. Conheci ele quando ele já não enxergava mais.
Soa clichê novamente, mas foi num parque perto de casa. Eu estava sentada no banco da praça e observava o movimento das pessoas. Eu gosto de observar, tentar ver o que as pessoas estão sentindo, isso só aumentou depois que conheci Nick.
Ele chegou com aquela varetinha que cegos usam para andar, um óculos de sol muito estiloso que normalmente cegos não usam. Nick era muito bonito. Na minha opinião, ele era perfeito, apesar dos pesares. Ele tinha uma estatura normal, digo, 1,75 por aí, era branco, seus cabelos castanhos eram bagunçados como que por descuido proposital, dava a ele um ar de descolado e de uma pessoa que é atraente por tal fato. Se assemelhava com um fotógrafo que eu adoro: Tom Leishman.
Nick era bonito.
Pois bem, ele se aproximou do banco e como sei que cegos desenvolvem os outros sentidos por necessidade, principalmente o tato, por não enxergarem, ele falou notando minha presença.
- Olá, posso me sentar aqui?
O olhei de cima a baixo e fiquei com pena. Sim, pena, sou um ser horrível, mas não pior que vocês. Nada disse e então Nick franziu a testa.
- Sou cego, não um monstro... - ele disse e sorriu, não foi um sorriso sem graça, foi um sorriso alegre. Sorri também, mas sabia que ele não poderia me ver. - Pelo seu perfume, deduzo que é uma mulher... - ele disse ainda de pé "olhando" para mim, eu o encarava e o analisava assim como fazia com todos - Está me analisando... - ele disse descobrindo - Quer que eu faça pose? - ele sorriu e não evitei de rir baixinho - Então você pode rir... - ele disse, "olhando" na minha direção, o que me fez pensar que talvez ele não fosse cego. - Estou realmente querendo sentar, mas se quiser eu fico aqui de pé... - ele disse.
- Não precisa pedir minha permissão para sentar... O banco é público... - disse por fim.
- Mas faço questão de pedir, gentileza gera gentileza. E então... Me permite sentar ao seu lado? - ele permanecia de pé.
- Claro - disse sem muitas emoções.
- Muito agradecido! - ele disse sorrindo e batucando a vareta até encontrar o lugar certo do banco. Fazendo isso ele sentou. - Me chamo Nicholas - ele disse.
- Sue. - me apresentei.
- Sue?
- Algum problema? - perguntei.
- Sue. - ele disse - Seu nome parece um apelido.
- Isso seria algo bom ou ruim? - indaguei o olhando.
- Nick. - ele disse.
- Seu nome tem um apelido.
- Apelidos são dados às pessoas como forma de carinho e intimidade. - ele disse.
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Eu tenho câncer
RomanceEu tinha um namorado. Sim, tinha. Ele morreu. De câncer. Talvez o câncer seja a doença do século, a mais temida doença, mais até que a AIDS. Exagerando ou não, é o que eu penso. E vocês irão me achar a pessoa mais horrível, mais sem coração do mund...
