Era carnaval, havíamos viajado para a cidade vizinha. Estávamos com expectativas para apenas curtir, se divertir, fui com isso fixo a mente, até porque era minha primeira vez fora de casa e ainda mais num evento anual que muitas pessoas causam imprudências.
Primeiro dia
Fiquei um pouco tímida, estávamos com minha amiga de trabalho e mais uma colega de faculdade, o resto do grupo? Não conhecíamos. Mas sim, estávamos lá para a nossa diversão. Iniciou com o mela-mela, e a noite o grande evento. Estávamos no centro da cidade, tinha um carro com a banda tocando, todos festejam, lembro até da música "alô vó", foi quando ele apareceu, sorriu para mim e continuamos a pular ao ritmo da multidão que ali estavam.
Voltamos para a casa, estávamos tão cansadas, chamei Rita para ir comigo ao quarto e pegar toalhas para revezamos quando formos tomar banho. Lembrei que quando chegamos o calor estava insuportável e havia me refrescado – Rita! Esqueci o sabonete no banheiro, acha que ainda está lá? – Rita virou-se para mim, franziu as sobrancelhas – Acho que sim... Não sei Selena, aqui as coisas somem, uma vez que tem muitas pessoas... Vai lá ver que vou só pegar meu sabonete e já me encontro contigo.
A casa possuía quatros quartos, sua expansão era bem aberta, fora do habitual de uma casa grande comum, isso porque os donos por conta dos eventos da cidade resolveram criar de uma forma prática. A cozinha era do lado de fora junto com a churrasqueira, tinha uma piscina enorme e um estacionamento também com grande espaço, e detalhe, só os quartos eram forrados.
Passei pela piscina, não entendia porque resolveram logo colocar o banheiro perto de lá, podendo logicamente ser perto ou dentro dos quartos, e perdida nos pensamentos vi ele de novo. Parei confusa e ele fez o mesmo e diante de alguns segundos ele tomou a palavra – Me lembro de você...
Sai rápido para o banheiro. "Minha nossa que gato", minha respiração estava tão ofegante, mas isso não me importava, e sim aquela belíssima pessoa que ao menos me olhou. Às vezes mentalmente me imaginava ficando com cada gato, mas convenhamos que a realidade seja bem diferente. Ainda mais pelo fato de sou muito complexa com meu jeito, corpo.
Bem, meu nome é Selena, tenho 21 anos, sou gordinha e bem humorada... Do porque juntei "gordinha" e "bem humorada", imagina se eu além de gorda fosse séria, o quão feia seria. E sim sou muito... Digamos às vezes me gosto como sou, e outras não.
- Que ridículo – Murmurei comigo mesmo – Sair daquele jeito e nem ao menos ter dado um "oi", deve está me achando estúpida agora. Pai amado, qual ser humano em seu bom estado da consciência iria sair correndo?
Respirei fundo (Nem sabia do porque disso) estava de costa para a porta, minhas mãos soavam, e pensava se ele estaria lá fora, quão vermelha ficaria se ele estivesse. E se me olhasse confuso, ou perguntaria do porque corri... Não sei! Na verdade eu queria ser do tipo de pessoa "normal" que responde a pergunta numa boa sem dar vexame.
Correndo o risco do mico do ano, abri a porta e com alivio vi que ele não estava, sai do banheiro, mas nem dei um passo direito quando ele apareceu – Oi, está bem? – Ele me perguntou enquanto com aqueles olhos verdes vidrados em mim.
Céus, que lindo! – Há, estou bem sim, obrigada por perguntar! – Respondi no meu jeito tímido. Tipo, olhando para um lado, ou para céu, mas não diretamente para ele, pois isso sempre que fazia com pessoas bonitas me travava.
Eu sair rápido, nem tinha dado a chance do rapaz falar mais alguma coisa, e o problema não era só isso, talvez o problema mesmo fosse que eu começasse a falar e não parasse mais. Que horror! Seria outro mico do ano, ou vergonha "para sempre".
O pior que me causava era ao mesmo tempo em que eu me distanciava, eu também queria a atenção dele, me dedicar mais a ele, mas esse medo, essa insegurança me atrapalhava, e, por favor, me entenda, não sou do tipo dada a flerte, sou mais do tipo quieta e sim eu fico com as bochechas do rosto vermelhas quando algum rapaz me elogia.
KAMU SEDANG MEMBACA
Era carnaval
RomansaQuem foi que disse que esse evento tão comemorado pode apenas ser de diversão, o fica que fica e não rola nada de futuro? Enganaram-se quem pensaram assim. É como aquele velho ditado: "Não julgue um livro pela capa". E nesse conto mostrará isso. As...
