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Capítulo 1

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Sou a Sidney Sparks. Eu tinha 18 anos quando comecei a trabalhar na Galeria de Arte Backup Style e acho que valeu a pena ir trabalhar lá. Sério, eu ganhava R$2000,00 por mês e não trabalhava aos fins de semana, luxo né? Eu adorava falar meu salário pra todo mundo, principalmente para a minha mãe, para dizer que eu me superei pelo menos uma vez na vida, já que ela dizia que eu deveria ter ido para a universidade. A verdade é que eu amava arte. Eu amava tudo o que envolvia arte, e minha chefe era super amiga da gente, ela chegava toda como quem não quer nada e dava um aumento pra gente de vez em quando. Amava a dona Natália, ela era a melhor chefe do mundo.

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Mas esse não era o ponto. A verdade é que quando eu comecei a trabalhar, entrou um garoto lindo, de olhos azuis e cabelo lisinho castanho, ele era tão lindo, tão perfeito, tão fofo. Ele entrou desfilando com as mãos no bolso e um sorriso cheio de covinhas. Acabou de passar um flashback na minha cabeça. Ele era tão lindooo! Ele sentou ao meu lado no escritório (eu não era atendente, eu trabalhava no escritório, onde a gente cuidava da empresa no geral, mas eu gostava de trabalhar com as obras em casa, onde eu selecionava cada uma delas e cadastrava) e fez login no computador dele. A chefe chegou e entregou uma pastinha para ele e começou a explicar tudo o que ele tinha que terminar para aquele dia. Eu estava cheia de trabalho, mas eu perguntei se ela queria que eu o ensinasse. A chefe sorriu:

— Claro, Sid. Ben, esta é a Sidney, mas ela prefere Sid. Sid, este é o Benjamin. Mas pode chamá-lo de Ben. Quero que mostre a ele como fazer cadastro por código de barras, ele precisa fazer o cadastro e o certificado desta papelada toda. O código está no verso, é só passar o scan.

— Certo, dona Natália. Então... Ben, posso ver a papelada?

— Pode.

E nós trabalhamos até estourar o nosso horário. Foi divertido, pois o Ben era um garoto incrível. Ele me ajudou a terminar o meu trabalho rapidinho e fomos para casa juntos no metrô. Ele saiu uma estação antes da minha e eu esperei até minha vez chegar. Foi bem legal.

Em casa, mamãe estava gritando ao telefone com alguém. Fui para a cozinha e vi que ela estava chorando:

— Você não me entende, mamãe! Nunca vai entender o sacrifício que eu faço todos os dias para colocar a minha família de pé. Sid está trabalhando e ajuda nas despesas da casa, Noah está quase terminando a faculdade de medicina, talvez no próximo ano ele já dê um lucro fixo para a casa, mas sempre procura trabalhar onde consegue e sempre tira boas notas na faculdade. E você vem me dizer que a morte do papai foi minha culpa? Porque eu me importo mais com a minha família que com você? Vai procurar o que fazer sua velha nojenta! E não me ligue MAIS!!!!!

— Mamãe? — eu chamei por ela. Vovô havia morrido? Eu fiquei chateada. Eu queria tê-lo conhecido, mas mamãe sempre tinha discussões com eles, e achou melhor esperar o mar se acalmar— Mamãe está tudo bem?

— Sid, por favor, vá para o quarto. Depois conversamos.

Eu fui. E chorei lá em cima porque as coisas estavam difíceis. Eu não sabia que mamãe sofria tanto para nos sustentar. Ela sempre pareceu forte e durona na nossa frente.

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