capítulo um

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Quando as pessoas ficam tristes, elas tomam alguma atitude para mudar aquilo ou para piorar aquilo ao extremo, as vezes colocam músicas depressivas para tocar ou fazem poemas. Eu nado.
Não sei se magia existe, mas se existisse estaria relacionada com a água, nela me sinto relaxada, me sinto feliz, dês de que me conheço por gente é assim e isso não mudaria agora. Por isso estou na piscina da minha casa (não vai pensando que somos ricos, para ter este sonho realizado foram anos de trabalho e economias ok) já perdi a conta do tempo que estou aqui e não me importo. Minha mãe está me chamando a cada minuto, porém não vou sair daqui tão cedo, afinal estou aqui porque preciso pensar no que estamos prestes a fazer. Trabalhando como jornalista minha mãe sempre teve uma renda legal, então teve condições de me colocar em uma escola legal, onde eu fiz amigos legais, e agora "graças" ao trabalho dela estamos deixando essas coisas legais para trás. Subo até a superfície e começo a dar braçadas, vou até uma borda e volto, repito o processo. Isso é injusto! Tá sei que pode ser um pouco imaturo de minha parte, mas eu nasci aqui! Conheço toda a cidade e vou deixar tudo isso para trás. Todas as lembranças...
Eu só queria que ela entendesse o meu lado, ela espera que eu comece a saltitar de emoção por deixar tudo que conheço para trás, que eu saiba dês da idade da pedra o desconhecido era perigoso ok? Eu devo ter isso ainda no meu DNA, só pode.
-Edu, por favor filha, começa a fazer suas malas.
Olho por cima do ombro enquanto dou uma braçada. Mergulho. Sempre preferi mergulhar sabe. O som em baixo da água é algo viciante, queria poder respirar aqui, facilitaria. Subo para a superficie e lá encontro uma mãe completamente irritada.
- Edu, já falei mil vezes para você ajudar na mudança! Pelo menos faça a sua parte!
Nossa, mil vezes? Isso é um exagero, reviro os olhos e dou um suspiro.
- Ok mãe. Tô indo.
Saio da piscina e minha mãe fica surpresa, é algo raro conseguir me tirar dela. Pego uma toalha que coloquei mais cedo ao lado de uma cadeira, me seco.
- Mãe?
- Sim?
-Temos mesmo que ir? Porque simplesmente não viajamos e voltamos quando a senhora terminar a matéria como sempre?
-Eu acho que precisamos disso. Estamos presos aqui. Enraizados. Isso não nos faz bem. Lá é um lugar legal, tem muita água, foi um dos principais motivos que me fez aceitar essa proposta.
Dou um suspiro. Minha mãe continua.
- Você vai gostar filha, sei que vai.
Diz ela pegando no meu braço, olhando nos seus olhos vejo que ela acha que vai ser assim mesmo. Abaixo minha guarda.
- Espero que sim mãe...
Ela me abraça sem se importar se estou molhada, na maioria das vezes estou, é um costume nosso.
- Chamei a Laura e a Anna aqui. Já falei com os pais delas, vão dormir aqui hoje.
Lógico que minha mãe faria algo do tipo. Quando quero ficar puta da vida com ela, ela faz algo que sabe que vou amar. Abro um sorriso, era exatamente disso que precisava.
- E ano que vem a gente volta para passar um tempo aqui nas suas férias da escola. - diz ela.
- Mas falta um ano mãe! Um ano inteiro...E depois de umas duas semanas no máximo vamos embora de novo, mais despedidas...
Posso não estar com raiva dela, mas ainda estou chateada.
- Edu, aproveita o agora ok? Deixe o depois para depois. Não tente ver o futuro. Quem sabe você acaba gostando. Quem sabe as coisas não acabem do jeito que você está imaginando. Só tente.
Olho para minha mãe. Ela realmente é linda. Olhos castanhos e cabelos cacheados, fico muito feliz de ter herdado os cabelos dela, no entanto peguei os olhos do meu pai, são verdes. Fiquei feliz com isso também. Eu tinha um irmão, ele tinha os olhos da minha mãe, morreu faz um ano e meio, acho que secretamente minha mãe quer mudar porque tudo aqui a faz lembrar do Felipe. Sinto as lágrimas ao pensar nele, morreu com 24 anos, eu e minha mãe estávamos viajando, só o meu pai estava em casa, logo eu não me despedi dele. Queria ter dito o quanto o amava, gosto de pensar que ele sabia disso. Prendo as lágrimas e volto para o presente. Fico mais um tempo abraçada com minha mãe, e pego na mão dela , juntas vamos para dentro de casa.
Tento não me lembrar que vai ser a última vez aqui. Vou me manter ocupada que o tempo passará mais rápido.
- Mãe, onde que meu pai está?
- No escritório , como sempre.
- Vou dar uma passada lá e depois arrumo minhas malas ok?
- Esta bem. As meninas chegam às seis. Já são três. Nem pense em ver filmes antes de arrumar as malas.
- A senhora é quem manda.
Dou um beijo nela e ela ri. Gosto da minha relação com a minha família. Espero que outras pessoas tenham uma assim também.
Continuo andando, viro aqui, dobro ali, e logo estou na porta do escritório do meu pai. Ele é escritor. Loiro dos olhos verdes, ele e minha mãe definitivamente formam um belo casal. Entro nos aposentos (acho essa palavra muito engraçada por sinal).
- Pai?
Ele não me escuta, esta concentrado em sei lá o que está escrevendo dessa vez. Continuo chegando perto, ele está em uma cadeira na frente do nootbook no centro do escritório, ao redor temos estantes de livros (que eu amo por sinal) e um conjunto de poltronas. Atrás dele com minhas mãos cubro os seus olhos.
- Adivinha quem é.
Digo rindo. Logo ele me acompanha.
- É uma garota que está de castigo por molhar todo o chão do meu escritório.
O ou...esqueci esse pequeno detalhe. Meu maio preto está um pouco molhado ainda e a toalha que está ao meu redor ficou encharcada por causa do meu cabelo, pingando em todo o chão da casa até chegar ali.
- E essa garota está de saída e agradeceria se a curta presença dela aqui fosse esquecida.
Meu pai roda a cadeira para ficar de frente para mim. Se levanta e me dá um beijo na testa (sempre amei esse gesto).
- E assim será. Agora vai arrumar as suas malas. Ouvi sua mãe gritando o dia todo.
Ambos rimos.
Saio para fora do escritório e me seco, antes que eu molhe algo mais e minha mãe brigue comigo. Passo na área de serviço e deixo a toalha estendida, pego uma roupa que deixei ali exatamente para essas situações que por sinal ocorrem muito. Não que me orgulhe disso, é que sou muito esquecida.
Saio de lá e vou para meu quarto. Paro na porta. Daqui alguns dias outra pessoa vai dormir aqui, vendemos a casa para um casal, espero que eles tenham filhos, uma menina, e que a coloquem neste quarto. Abro a porta. Ao meu redor estão quatro paredes pintadas de azul com mais de 10 posters de bandas e filmes diferentes. Começo por eles. Retiro o meu favorito que é o do TSTM (30 seconds to mars), em sequência o do ID (Imagine Dragons), TPR (The Preety Reckless) e assim vai, quando tiro o último do BB (Breaking Benjamim) dobro e guardo dentro de uma pasta. Abro o que as pessoas insistem em chamar de guarda roupa, prefiro chamar o meu de caminho para narnia (minha mãe diz que se fosse um caminho para narnia mesmo eu nunca conseguiria ir, mas se por um milagre eu o conseguisse nunca iria voltar por causa da bagunça. Acho que ela está certa. Por isso nunca tentei ir). Pego um ''bolo" de roupas e jogo na cama, vale ressaltar que parte dele cai no chão como de costume, abaixo e pego. Passa pela minha cabeça muito rapidamente a idéia de dobrar las, e mais rapidamente eu a tiro dali. Amassando tudo para se transformar em um "bolo" menor jogo dentro da mala. Claro que não cabe tudo e pego mais uma mala. Tento diminuir o "bolo" para caber tudo nas duas pois se eu pegar uma terceira vai estar na cara que eu não dobrei, depois de meia hora apenas para fechar uma das malas e mais meia hora para repetir o processo na outra eu consigo. Amém.
Agora pego uma terceira mala. É menor e coloco meus livros, maquiagem, bijuterias e meu panda de pelúcia (ganhei do Felipe. Esta em boas condições até hoje), com delicadeza fecho a mala e assim acaba a tortura. Foram necessárias uma hora e vinte sete minutos. Nesse instante minha mãe entra no quarto e abre um imenso sorriso.
- Meu Deus filha! Parabéns. Já estava vindo mandar você arrumar. - ela ri e continua - você lembrou de tirar seu pijama e a roupa da viagem né?
O ou...vendo meu rosto minha mãe nota que não. Não lembrei. Olho pra ela e sei que esta prendendo o riso. Ela sai do quarto e escuto ela rindo. Abro a primeira mala, no ato o bolo pula para fora como se tivesse vida. Cato tudo do chão e junto, aproveito para escolher meu pijama e minha roupa para amanhã.
Hum...pijama vamos no aleatório. Olho para o bolo de roupas e pego um pano aleatório e... bem, é um pijama legal, um short cinza, procuro rapidamente o conjunto e pronto, uma parte já foi, só falta a roupa da viagem. Acho que não é bom ser aleatório. Lá faz calor nessa época do ano, segundo minha mãe, mas mesmo assim vou de calça jeans, procuro minha calça favorita para dar sorte,ela é justa e totalmente preta, definitivamente eu amo essa calça. Para a parte de cima pego minha blusa do TSTM, pego meias e um all star cano médio, está muito preto por isso escolho o meu vermelho e uma jaqueta já que vamos ter que pegar um barco e ali sim vai estar frio. Então jogo o restante do "bolo" na mala e lá se vai meia hora tentando fechar aquilo. Parecendo que minha mãe está olhando pela fechadura ela abre a porta no instante que eu termino.
- Edu?
- Ie mãe? Acabei já.
- Filha, Ie? Sério?
- Ok mãe, então diga.
- Vejo que já arrumou tudo. Vim te chamar para lanchar.
- Ótima idéia!
- Mas espera aí um minuto. Você dobrou todas aquelas roupas?
Vish...dou um sorriso de quem não quer nada pra ela e digo:
- A senhora não especificou que era para dobrar las.
Pisco pra ela.
Ela ri. Sabe que eu não dobrei.
- Venha filha. Vamos comer.
Sigo ela, vou para a cozinha e lá está meu pai sentado a mesa comendo um sanduíche. Um fato sobre meu pai: Ele cozinha muito bem, sendo escritor ele ficava várias horas na frente do PC e quando parava para comer não estava mais nos horários, logo não havia comida, assim ele teve que aprender. E como aprendeu! Ele pode pegar um resto de algo aqui e ali e do nada vem algo bom!
Sentei do lado do meu pai e minha mãe do meu. Na minha frente tinha um prato de sanduíches e uma jarra de suco de pêssego (agora um fato sobre mim eu só tomo suco de pêssego e de laranja. Porque Edu? Não sei. São os que eu gosto. Sou assim) pego um sanduíche e quando vou morde lo, sinto o cheiro de algo doce no ar. Olho para meu pai com uma sobrancelha levantada. Ele me olha e ri.
- Não vai me dizer que...
Deixei as palavras no ar. Ele concorda.
- Mentira pai! Mentira!
Ele só ri e minha mãe o acompanha. Vou correndo para o forno e lá está! Os cookies do meu pai são os melhores! Meu Deus! Ele só os faz em ocasiões especiais ou para animar a mim e a minha mãe. Ele acertou em cheio ao fazer eles hoje. Volto saltitando para perto dos dois e os abraço.
- Obrigada.
Aquela foi uma tarde maravilhosa.
Ficou ainda mais incrível quando as meninas chegaram.

WasserWhere stories live. Discover now