"O que fazer depois que acabamos a fase do ensino médio na escola ?" Essa é a pergunta que muitos se fazem depois de "se livrar" da escola. Mas o que fazemos ? Entramos na faculdade ? Dedicamos nosso tempo livre com mais estudos ? Ou simplesmente colocamos nossos chinelos e descansamos até que a "bad" bata ? Ninguém sabe o que fazer nessas horas.
Leo não é tão diferente dos demais que assim pensam. Já se passou pouco mais de seis meses desde que passou na prova do ENEM e agora espera pelos dias de aula na faculdade, os dias em que terá que sentar em uma bancada ao lado de estranhos já que seus amigos se separaram dele, mas não porque ele foi uma má pessoa e vice-versa, sim porque o destino os jogou para lados diferentes.
– Leo, querido você já acordou ? – perguntou sua mãe batendo na porta de seu quarto
– xó maiss um minuto – suplicou Leo com a cara enfiada no travesseiro, evitando contato visual com a luz do sol que vinha da janela do seu quarto. O porre de vinho na noite passada com certeza vai ficar marcado no seu mural de "nunca esquecer ou repetir".
– Querido seu pai está pedindo pra que você desça – falou a mãe de Leo que esperava ansiosa pelo filho
– tudo bem, já vou descer. Só me dá um tempo pra me vestir beleza? – fala Leo esfregando os olhos cansados, que lutam para não se manterem abertos.
– Estamos esperando você lá em baixo – a mãe de Leo se retira a passos longos e apressados, como se algo ou alguém estivesse lhe puxando, mas Leo sabia que seu andado se dava pela vasta quantidade de café que ela consumia.
Leo espreguiçou-se como um homem de 70 anos. Sentia dores nas costas e na cabeça, dores dignas de um verdadeiro senhor de idade. Ele perambulava no quarto na tentativa de fechar as persianas do quarto, mas como esqueceu de por os óculos uma simples tarefa dessa acaba se tornando algo pior que realizar uma baliza perfeita no exame de motorista, exame que ele mesmo repetiu várias vezes justamente por não conseguir colocar o carro na vaga. Agora com as persianas fechadas ele pode admirar a "beleza" exótica de seu quarto, pôsteres e mais pôsteres de bandas de rock dos anos 70, 80 e 90. O teto pintado de azul-marinho e peixes que pareciam estar nadando, uma pintura feita a mão por ele mesmo para nunca esquecer a viagem à praia. A viagem que marcou sua pré-adolescência, a viagem de uma vida como falam. Ele finalmente, agora mais orientado, põe os óculos, um calção bem básico e desce as escadas de encontro a sua família.
– olha só quem resolveu aparecer – falou o pai de Leo. Um homem de meia idade que sempre estava vestido com suéteres e coisas do tipo.
– então, como foi a noite – perguntou seu pai abrindo a seção de esportes do jornal que estava lendo.
– Querido, não faça perguntas desnecessárias – repreendeu a mãe de Leo. Dona Marta era uma mulher, também de meia idade, que trabalha no jornal local, mas devido a um problema de saúde ela passou a trabalhar em casa. Ela aceitou escrever para a revista on-line do jornal, mesmo não sendo uma expert em computadores, ou sites ou na internet o filho à ajudava da melhor maneira possível.
– Ah, nada demais. O Alan pegou o carro do pai, mesmo estando proibido de usa-lo por semanas. – responde Leo servindo-se de uma xícara de café.
– mas e então... – fala seu pai olhando
por cima do jornal
– então, o que ? – perguntou Leo bebendo café. O café que ele não esperará esfriar e acabou queimando a boca por causa disso – merda... - reclamou Leo.
– opa, o que falamos sobre palavrões na mesa ?! - repreendeu-lhe sua mãe com uma colher de pau virada para ele.
– "A mesa é lugar para se dialogar e não xingar" - falou Leo imitando a voz fraca e simpática da mãe – Isso mesmo. Lembre-se Leo em breve você entrara na faculdade e nesses momentos devemos aprender a nos comportar – explicou dona Marta enquanto batia um bolo, mas como a batedeira era muito barulhenta, ela não percebeu que sua explicação ficou um pouco inaudível
– Eu sei – falou Leo, agora bebendo o café sem o medo de queimar a boca.
– por falar nisso já se decidiu qual curso vai fazer ? – perguntou o pai, tomando um gole de café
– quanto a isso eu ainda não sei – respondeu Leo pondo uma das mãos na testa.
– filho hoje é o dia de você escolher o curso. Você tem que se decidir de uma vez – explica o pai de Leo mordendo uma torrada um tanto queimada.
– Eu sei é que é muito difícil sabe ?! – falou ele com a voz arrastada.
– querido, sabemos. Eu não escolhi jornalismo de primeira. – conta-lhe sua mãe agora pondo a massa do bolo em uma fôrma.
– e eu não quis ser advogado por vontade própria, fui forçado a seguir os passos de seu avô, que seguiu os passos do pai dele – fala o pai saindo da seção de esportes do jornal e indo para os classificados – eu particularmente queria que você fosse advogado também, mas depois da surpresa que você nos fez no final do ano passado. Eu resolvi que você deve fazer o que quiser – fala o pai dele com a voz mais seria. Tem quase um ano que Leo resolveu revelar pra família sua orientação sexual. Finalmente se impor e falar pros pais e demais familiares que ele é gay, como todos não foi algo fácil de lidar, principalmente o pai, mas no fim virou apenas um detalhe, mas é como dizem os detalhes fazem toda a diferença.
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Apenas detalhes idiotas. Quem se importa !?
RomanceTodos já vivemos a fase "rebelde" da vida. Todos já tivemos aquela crise existencial que fez com que pensássemos na vida. Todos já cogitamos amar a todos, mas não Leo. Um jovem de 18 anos que acabará de iniciar seu primeiro ano de faculdade, seu pri...
